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terça, 22 de setembro de 2020
Resplandecente Alma

Das Finitudes

05 Ago 2020 - 11h30Por Anaisa Mazari
Das Finitudes -
As trajetórias que se prolongam, guardam em si uma coleção de saudades. Quanto mais passos são dados, mais memórias, mais histórias, mais elementos no baú das recordações. Vamos aprendendo vivencialmente que a vida é repleta de fases, inícios, meios e fins que são necessários para renovação da alma e da existência pessoal e coletiva. Continuidade, novos tempos, amor saudável que se reinventam para as evoluções. É preciso seguir. Dançar no baile da dança das horas, acompanhando o ritmo, a temporalidade, a arte de viver...
 
Lidar com a realidade das finitudes costuma ser algo sempre deixado para último plano. Dor faz parte do que chamamos de saudade e evitar dor é naturalmente praticado pela humanidade como defesa e até mesmo instinto de sobrevivência. O fim é belo incerto, depende da forma como você vê, já dizia a canção. Não sabemos quando e nem como vai chegar. Mas chega. E essa beleza pode estar aonde você encontrá-la, mas também no aprendizado, nas vivências, em tudo aquilo que se tem para lembrar, que paradoxalmente só causa a dor da saudade porque marcou nossas almas profundamente. E essas marcas profundas na alma podem trazer a alegria de ter vivenciado, a gratidão por tudo que foi possível experimentar, ou mesmo a necessidade de avaliações do que foi possível fazer no momento e o que se pode aprender para o presente e para o futuro, enxergando novas possibilidades. Este imenso baú das recordações presente em cada um de nós é um mestre. De valor imensurável, com o qual sempre podemos aprender! E pelo qual sempre podemos agradecer! 
 
A Vida em plenitude exige presença no Presente. Estar no tempo presente é a melhor forma de aproveitar a jornada com amor e gratidão, pois é uma grande oportunidade que passa... E como passa, e como a maturidade nos ensina poderosamente acerca da incontrolabilidade do tempo e das impossibilidades de voltar! Mas podemos escolher como será nossa viagem nesta jornada. Podemos, sempre que preciso, revisitar o passado – rever vivências, tocar de novo nas boas memórias, repensar a trajetória, sentir... – com o intuito de retornar mais potentes e mais fortalecidos para a construção de um tempo Presente com maior consciência de formas de viver mais saudáveis, frutos do crescimento emocional. Ficar demasiado no passado, pelo contrário, pode trazer estagnação e reminiscências aprisionadoras. Já não é nosso tempo e nosso momento e não adianta insistir em ficar, pois o Tempo É, simples e grandemente É, e acontece da sua forma, a despeito do nosso desejo ou do que sentimos enquanto ele passa. Temos um lugar importante a ocupar. No aqui e agora, seguindo o curso natural da incrível jornada da existência que não pára, enquanto somos presenteados com vida. Se a Vida e o Tempo não param, quem somos nós para parar?
 
“Mas as coisas findas, muito mais que lindas, essas ficarão” (Drummond). E ficam mesmo! Tudo o que amamos, o que nos marca profundamente ao longo da trajetória encontra-se ao alcance dos nossos sentimentos, dentro de cada um de nós. O amor internalizado nos permite guardar o que foi significativo e tornar eterno aquilo que as finitudes já levaram do campo das experiências concretas. Somos a integração das experiências, das pessoas que um dia passaram pelas nossas vidas, tocaram nossas almas, fizeram e fazem parte! Porque tudo vive em nós! E com o coração grato e consciência de que tudo continua e precisa continuar... tornamo-nos responsáveis pelas boas continuidades, manifestando Vida em nossa existência, no tempo que nos for concedido. Finitudes existem (também) para que possamos recomeçar! 
 

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