Menu
segunda, 20 de janeiro de 2020
Dia a Dia no Divã

Casos de suicídio chocam São Carlos

16 Jan 2020 - 10h30Por (*) Bianca Gianlorenço
Bianca Gianlorenço é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista - Crédito: Arquivo/SCABianca Gianlorenço é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista - Crédito: Arquivo/SCA

Essa semana nossa cidade se deparou com 3 casos de suicídios.

Pessoas jovens, que provavelmente enfrentavam situações difíceis e não encontraram outra saída a não ser o suicídio.

O suicídio é uma epidemia de extensão global que precisa ser urgentemente combatida, que não escolhe classe social, gênero, idade, etnia.

Mas o que leva uma pessoa a cometer um ato tão brutal contra si mesmo? Essa é a pergunta que mais me fazem!

Noventa por cento dos casos estão associados a patologias de ordem mental, como depressão, esquizofrenia, bipolaridade, abuso de álcool e drogas etc, todas passiveis de tratamento.

Há também outros fatores como, problemas financeiros, familiares como dificuldades de relacionamento e de comunicação, ausência de afeto e falta de apoio familiar, abandono, por vezes estão na origem de comportamentos suicidas. Diagnóstico de uma doença física incurável, dor crônica.

O ato suicida ocasiona desajuste no funcionamento familiar, visto que os outros membros da família fazem uma avaliação dos seus atos, podendo gerar um sentimento de culpa.

Ademais, a presença de familiares que tentaram ou cometeram suicídio é um fator agravante para o comportamento suicida. A família funcional é um fator de proteção aos agravos em saúde mental, e, portanto, as ações dos profissionais de saúde precisam ser direcionadas não somente ao indivíduo, mas também ao grupo familiar.

Intervenções para prevenção do comportamento suicida:

O comportamento da pessoa precisa ser observado, além de outras mudanças como a verbalização, a maneira de se vestir e a repentina alteração de humor, pois o possível suicida pode estar querendo afastar as pessoas para cometer tal ato. As pessoas que dão esses sinais, provavelmente, suicidam-se, pois, na maior parte dos casos, é a única solução que encontram para a crise emocional que estão passando. Mas há casos em que a pessoa não dá nenhum sinal verbal, ela apenas muda de comportamento, então atentem-se a isso.

Uma pessoa não resolve de um dia para o outro se matar, inicia-se com a ideação, “Eu vou me matar.”

Depois ela elabora um plano, como, vou me enforcar, vou me jogar de um prédio, como foi o caso de uma comerciante da nossa cidade (meus sentimentos a família) ou vou atear fogo na casa, etc, são inúmeras as maneiras.

 É nesse momento do plano que familiares e amigos precisam estar atentos, porque é aqui que ela começa a mudar o comportamento, como aparecer com objetos estranhos em casa, buscar lugares em que ela possa concretizar o ato, ela pode até querer mudar para uma casa que tenha piso superior ou um apartamento em andares elevados, ingerir medicação que antes não fazia uso, enfim, é nessa etapa que os sinais aparecem, na maioria dos casos.

Por fim, vem a concretização do ato.

Quando um familiar se suicida causa um impacto em no mínimo outros seis. É terrível para quem fica, as pessoas ficam buscando explicações e tentando entender.

O suicídio é um fenômeno complexo, por isso, é preciso quebrar o tabu em relação as doenças mentais, as pessoas precisam se conscientizar e procurar ajuda de profissionais especializados, as doenças mentais são tratáveis, assim como as doenças de ordem fisiológica.

Muitas vezes familiares, amigos e a própria vítima não reconhecem os sinais. Por isso, é preciso falar sobre suicídio e discutir abertamente.

De acordo com estudos, 9 em cada 10 casos de suicídio podem ser prevenidos se a pessoa buscar ajuda e se tiver a atenção de quem está à sua volta.

Tristeza, angustia, irritabilidade, dificuldade de concentração, alteração do sono e apetite, persistência de pensamentos negativos, são sintomas compatíveis com o quadro de depressão, considerada a principal causa de suicídio no mundo.

Depressão não é tristeza, não é frescura, não é falta do que fazer, não é falta de Deus, é uma doença gravíssima, é a maior causa de incapacitação no mundo.

Depressão tem cura sim! A partir do momento que é reconhecida como doença é passível de tratamento!

Sinais de alerta - Prevenção do suicídio

Os sinais de alerta descritos abaixo não devem ser considerados isoladamente. Não há uma “receita” para detectar seguramente quando uma pessoa está vivenciando uma crise suicida, nem se tem algum tipo de tendência suicida. Entretanto, um indivíduo em sofrimento pode dar certos sinais, que devem chamar a atenção de seus familiares e amigos próximos, sobretudo se muitos desses sinais se manifestam ao mesmo tempo

O aparecimento ou agravamento de problemas de conduta ou de manifestações verbais durante pelo menos duas semanas.

Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real.

Preocupação com sua própria morte ou falta de esperança.

As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos

Expressão de ideias ou de intenções suicidas.

Fiquem atentos para os comentários abaixo. Pode parecer óbvio, mas muitas vezes são ignorados:
"Vou desaparecer.”
“Vou deixar vocês em paz.”
“Eu queria poder dormir e nunca mais acordar.”
“É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar.”

Isolamento

As pessoas com pensamentos suicidas podem se isolar, não atendendo a telefonemas, interagindo menos nas redes sociais, ficando em casa ou fechadas em seus quartos, reduzindo ou cancelando todas as atividades sociais, principalmente aquelas que costumavam e gostavam de fazer.

Outros fatores

Perda de emprego, crises políticas e econômicas, discriminação por orientação sexual e identidade de gênero, agressões psicológicas e/ou físicas, sofrimento no trabalho, diminuição ou ausência de autocuidado, conflitos familiares, perda de um ente querido, doenças crônicas, dolorosas e/ou incapacitantes, entre outros podem ser fatores que vulnerabilizam, ainda que não possam ser considerados como determinantes para o suicídio. Sendo assim, devem ser levados em consideração se o indivíduo apresenta outros sinais de alerta para o suicídio.

Diante de uma pessoa sob risco de suicídio, o que se deve fazer?

  • Encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio com essa pessoa. Deixe-a saber que você está lá para ouvir, ouça-a com a mente aberta e ofereça seu apoio.
  • Incentive a pessoa a procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde mental, psiquiatra ou psicólogo. Ofereça-se para acompanhá-la a um atendimento.
  • Se você acha que essa pessoa está em perigo imediato, não a deixe sozinha. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência e entre em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa.
  • Se a pessoa com quem você está preocupado(a) vive com você, assegure-se de que ele(a) não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa.
  • Fique em contato para acompanhar como a pessoa está passando e o que está fazendo.

Em São Carlos contamos com três unidades do CAPS, os atendimentos são gratuitos e de uso da população, então pessoal, busquem ajuda, parem de olhar o suicídio como algo impossível de se combater, entendam que procurar ajuda psicológica, psiquiátrica não é “coisa de louco”.

Vamos desmistificar esse assunto!

Sem Saúde Mental não há saúde, não há vida!

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias