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sexta, 03 de abril de 2020
Dia a Dia no Divã

Ataque de pânico

13 Jan 2020 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Ataque de pânico -

Estamos em um mundo movimentado e cheio de preocupações, com isso não é difícil encontrar pessoas vivendo grandes pressões e também não é incomum encontrar pessoas que sofram com o ataque de pânico.

Mas você sabe o porque ele acontece? O que leva a pessoa a desenvolver esse quadro? Como lidar com pessoas que sofrem dessa condição e o que você pode fazer quando ela está tendo um ataque?

O que é o ataque de pânico?

Ataque de pânico é uma manifestação extrema da ansiedade caracterizada por uma grande descarga de hormônios e uma série de sintomas por todo o corpo. Geralmente descrito como uma sensação intensa e súbita de medo.

Na maioria dos casos, os ataques ocorrem durantes situações de estresse social mas eles também podem ocorrer em casa, no trabalho ou qualquer outro ambiente cotidiano. Mas primeiro, vamos esclarecer…

Ataque de pânico é a mesma coisa que síndrome do pânico?

Não exatamente. O ataque de pânico descreve um evento único enquanto a síndrome do pânico inclui a ocorrência de ataques repetidos, o medo constante de quando o próximo ataque acontecerá e a adoção de medidas para evitar os lugares onde os últimos ataques ocorreram.

Quais os principais sintomas do ataque de pânico?

  • Sensação de perigo iminente;
  • Medo de perder o controle;
  • Medo da morte ou de uma tragédia iminente;
  • Sentimentos de indiferença;
  • Sensação de estar fora da realidade;
  • Dormência e formigamento nas mãos, nos pés ou no rosto;
  • Palpitações, ritmo cardíaco acelerado e taquicardia;
  • Sudorese;
  • Tremores;
  • Dificuldade para respirar, falta de ar e sufocamento;
  • Calafrios;
  • Ondas de calor;
  • Náusea;
  • Dores abdominais;
  • Dores no peito e desconforto;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Desmaio;
  • Sensação de estar com a garganta fechando;
  • Dificuldade para engolir.

A síndrome do pânico é causada por uma combinação de fatores genéticos e fatores sociais que têm uma ligação com o estresse, tais como: perdas de pessoas queridas, problemas no relacionamento ou outros problemas emocionais e cobranças no trabalho.

As crises de pânico tendem a ocorrer em quaisquer lugares, sem aviso prévio. Uma simples compra no shopping ou passeio pode ser um problema se a pessoa tiver uma crise.

O ataque tem uma duração média de 10 a 20 minutos, mas pode variar de pessoa para pessoa, além disso alguns sintomas podem ser sentidos horas depois da crise passar.

O medo de reviver a crise é tão grande, que a pessoa irá evitar qualquer situação ou local que a faça sentir novamente aquela sensação, em casos mais extremos, pode-se desenvolver problemas mais sérios como depressão, alcoolismo e outros.

Como foi descoberta a síndrome do pânico?

Antes do diagnóstico de sua descoberta, ela acabava sendo facilmente confundida por outras doenças, especialmente um ataque cardíaco, uma vez que por se tratar de uma crise de ansiedade intensa acelera os sintomas.

Atualmente o ataque de pânico acabou sendo dividido em dois grupos bem parecidos: doença do pânico e transtorno de ansiedade aguda ou generalizada.

Qual a diferença entre síndrome do pânico e o transtorno  de ansiedade?

Quando falamos em doença do pânico falamos de um sofrimento com grande ansiedade, que inibe a pessoa de realizar determinadas ações, já que ela se sente paralisada e com medo de prosseguir.

O medo intenso e sintomas físicos podem ser bem presentes quando a crise começa, porém não se tem um motivo em específico, sendo que ela surge de forma repentina durante o dia ou mesmo no meio da madrugada.

Já o transtorno de ansiedade tem o mesmo fundamento, um medo intenso e muitas vezes irracional, sentimento de paralisação e não querer continuar. Mas aqui, neste caso, a crise acaba sendo desencadeada por alguma situação específica.

Tal situação pode ser: uma consulta médica, medo de agulha, medo de voar, medo de falar em público… Então quando a pessoa encontra-se em uma situação deste tipo, acaba tendo um ataque de ansiedade, o que pode ocasionar o ataque de pânico.

Como funciona o diagnóstico do ataque de pânico?

O ataque de pânico poderá ser diagnosticado quando dois sintomas estiverem agindo em conjunto, sendo eles ataques de pânicos súbitos e sem motivos aparentes, que tenham uma duração de 5 a 10 minutos, e o medo de repetir a sensação (medo de ter um novo ataque de pânico).

O diagnóstico será considerado positivo para ataque de pânico quando:

  • Os ataques ocorrem de forma inesperada, sem aviso prévio e de forma frequente;
  • Se os ataques são seguidos do sentimento de medo e angustia;
  • Pela recorrência de um novo ataque e pelas consequências dela, tal como perda de controle, ataque cardíaco ou mudanças repentinas de comportamento;
  • A pessoa evita locais e até mesmo situações nas quais ela julga que a crise é desencadeada;
  • Se nenhum tipo de abuso de substância ocasionou a crise.

Quais as consequências do ataque de pânico?

É comum que, após sofrer o ataque de pânico, o indivíduo não queira mais realizar a atividade que desencadeou aquele ataque ou o ambiente em que ele ocorreu, o que constitui o transtorno do pânico.

Assim, quem teve o ataque de pânico enquanto dirigia no trânsito, pode não querer mais dirigir e quem o teve no trabalho, pode desejar se afastar do emprego ou até mesmo trocar de carreira.

Dessa forma, os ataques de pânico prendem a pessoa a uma rotina restrita a situações de conforto, impedindo visitas a lugares desconhecidos, por exemplo. Isso faz com que o indivíduo não consiga fazer novos amigos, tenha dificuldade em manter os relacionamentos que já existem e tenha dificuldades em se desenvolver pessoal e profissionalmente.

É possível tratar o ataque de pânico?

Sim, com certeza. Na hora do ataque é importante tentar controlar a respiração, buscar distrair a mente com conversas e músicas e praticar técnicas de relaxamento como meditação e massagens. Também é interessante se mover para um ambiente mais tranquilo, arejado e seguro.

O mais fundamental, no entanto, é tentar encontrar a origem desse sentimento. É preciso afastar do indivíduo o medo e a ansiedade dessas situações e pensamentos que estão gerando os ataques. Para isso, deve-se contar com a ajuda medicamentosa e, principalmente, da orientação psicológica.

Através do tratamento é possível amenizar as crises, bem como reduzir suas frequências e até mesmo curar o paciente, mantendo a situação totalmente sob controle.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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