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domingo, 28 de fevereiro de 2021
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Artigo Tati Zanon: Terror que não é ficção

24 Mar 2016 - 05h59Por (*) Tati Zanon
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Aqueles que acompanham meus artigos há algum tempo, sabem que sou uma apaixonada por filmes, especialmente os do gênero de terror. Esse é um fato que meus pais e irmãs jamais esquecerão, já que, durante boa parte de minha infância- e, confesso, até mesmo da adolescência, a cama de todos eles era frequentemente ocupada por mim. Sempre fui questionada a esse respeito: "Se você tem tanto medo, então por que assiste?". E minha resposta sempre foi a mesma: "Como tem muita gente que assiste a filmes de comédia para rir, e aos de drama para chorar, eu assisto aos de terror justamente para ter medo". E com aquela paciência que somente os familiares mais próximos têm conosco, eles continuaram aguentando minha companhia na hora de dormir por muitos anos.

No entanto, há um filme de terror que está passando já há algum tempo, e que, de tão amedrontador, tem sido transmitido simultaneamente por diversos canais de televisão de todo o país, e até mesmo fora dele. E, como um excelente filme de terror, tem tirado o sono de muita gente. Esse filme, no entanto, contém um plus que, graças a Deus, poucos filmes de terror possuem: não se trata de uma obra de ficção. Esse filme, meus queridos leitores, poderia ser intitulado como "Política brasileira".

Em sua 26ª parte, quando muita gente já pensava que seria aquela na qual as coisas começariam a caminhar para um final feliz, novas evidências, novas delações, novos grampos e, finalmente, parece que todo mundo vai entrar na dança. Se tivesse um nome, essa 26ª parte poderia ser intitulada "Derrubada da República".

O longa-metragem real "Política brasileira", no entanto, mesmo que esteja se tornando uma verdadeira obra prima da corrupção, parece não estar causando nos espectadores reações muito dignas. Tendo como palco as ruas, mas, principalmente, e como de costume, as redes sociais, as avaliações parecem conter uma ausência preocupante de reflexão e, como nas obras de ficção, decidiu-se eleger um mocinho e um bandido, não se julgando o enredo com base no cenário geral, algo que estes mesmos espectadores, utilizando-se da linguagem mais chula e dos argumentos mais fracos e ilógicos, dizem defender.

Ainda não sei quantas partes restam para que esse filme termine. Ao que tudo indica, muitas ainda virão pela frente, e muito sono ainda será perdido, assim como amizades, bons debates e, sobretudo, críticas construtivas.

Diante de tudo que tem acontecido, só me restam forças para dizer uma coisa: os filmes continuam sendo muito mais legais de se ver quando são produzidos pelos estúdios hollywoodianos. Mesmo sabendo que eles tirarão meu sono, eu sempre terei a certeza de que tudo não passa de ficção e que, em algum momento, eu conseguirei dormir novamente.

Foto: Divulgação

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