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sábado, 10 de abril de 2021
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Artigo Tati Zanon: A máquina de fazer salsichas

02 Nov 2017 - 13h54Por (*) Tati Zanon
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Nos dias 5 e 12 de novembro, milhões de estudantes brasileiros terão seus conhecimentos testados no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Pergunto a mim mesma e também a vocês, queridos leitores: será que esses estudantes terão realmente seus conhecimentos testados? Ou apenas mais uma oportunidade de colocar a ansiedade à prova e verificar se todos os ensinamentos que foram enfiados goela abaixo durante suas vidas foram devidamente decorados?

Em uma pesquisa realizada pelo portal educacional Porvir, que ouviu 132 mil jovens brasileiros com idades entre 13 e 21 anos, fica claro que a escola atual não agrada à grande maioria deles, mais especificamente a 90% dos alunos.  Resultados da mesma pesquisa apontam que os jovens sentem falta de atividades e oficinas culturais (70% deles não têm esse tipo de atividade na escola), 80% afirma que as relações entre os alunos e a equipe escolar precisam melhorar, para 69% o uso da tecnologia foi classificado como regular ou ruim, e somente a metade deles consideram as aulas dinâmicas e interessantes.

Surpreendentemente, a mesma pesquisa revelou que 72% dos alunos disseram que, na escola, aprendem coisas úteis para a vida, e 62% consideram o ambiente escolar favorável à aprendizagem. Mas alguns outros números podem contradizer esse resultado, como, por exemplo, o número de evasão de alunos no ensino médio brasileiro (11%) e no ensino superior (49%), o que, para mim, demonstra claramente que estudar por aqui não é tão atrativo assim.

Mas posso ir um pouco mais além, queridos leitores, e trazer a vocês números muito mais preocupantes do que os mostrados acima, como, por exemplo, o fato de 70% de estudantes brasileiros de 15 e 16 anos não serem capazes de resolver problemas básicos de matemática, mais de 56% só conseguirem resolver questões de ciência de baixa exigência cognitiva  e 51% estarem abaixo do nível considerado aceitável para o exercício da cidadania, não conseguindo, por exemplo, reconhecer ideias principais ou interpretar fatores explícitos de um texto.

Embora grande parte dos jovens afirme aprender coisas úteis na escola, fica claro para mim, diante dos números apresentados acima, que esses ensinamentos certamente não estão sendo passados no formato adequado.

Façamos um rápido exercício para verificar a eficiência do sistema de ensino que temos não somente no Brasil, mas em muitos locais do mundo (inclusive em muitos países desenvolvidos): de tudo o que você aprendeu durante seu ensino médio, de quanto você se recorda?

O educador e (para mim) poeta Rubem Alves, explorou fortemente o tema educação em diversos de seus maravilhosos textos, e um deles me marcou profundamente: "A máquina de fazer salsichas". Finalizo esse artigo com a reflexão principal do texto citado: o aprendido é aquilo que fica depois que o esquecimento fez o seu trabalho.

Foto: Divulgação

 

E vocês, queridos leitores, têm alguma sugestão uma escola que seja capaz de nos fazer APRENDER? Deixem seus comentários aqui ou em minha página no Facebook.

(*) A autora é jornalista e pesquisadora em Gestão do Conhecimento e Sistemas de Informação.

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