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domingo, 07 de março de 2021
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Artigo Rui Sintra: Não quero flores em meu funeral...

29 Jun 2016 - 10h02Por (*) Rui Sintra
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Tantos erros cometidos, tantas fugas para frente, desenfreadas, impensadas, desmedidas... Teria sido melhor parar, refletir, ouvir mais. Mas, não!!! Quis ser o rei da cocada, o príncipe do mundo, o punho de aço, o inatingível, o supremo... Vali-me de mentiras pensando que os outros eram bestas e ignorantes e que poderiam ficar ao meu lado sob qualquer situação... Saiu tudo errado. Droga!!! Angariei antipatias, fui xingado, vaiado, criticado, por vezes ofendido e, mesmo assim, não tirei o salto alto.

Aqueles em que eu mais confiava acabaram por ter consciência própria e me abandonaram precisamente no momento em que eu mais precisava de sua proteção para não cair: traidores!!!! Traidores? Até que não... Intima e sigilosamente eu teria feito a mesma coisa. Agora, o que me resta? Todos estão contra mim, quase ninguém pode nem ouvir falar em meu nome, com exceção daqueles que têm algo a ganhar mantendo-se a meu lado. Já não é um caso de fidelidade, mas um caso de interesse próprio. Caramba!!! Fui mesmo uma anta.

Como pude algum dia aceitar uma situação dessas, de tanta responsabilidade, se sabia que não seria possível chegar lá? Encheram-me de esperanças, de falsos sonhos, de poder absoluto, que facilmente adotei como postura - até porque, inconscientemente, tudo isso estava intrinsecamente ligado a mim.

Agora, já não importa. Também não vou chorar no ombro de ninguém, até porque minha altivez, minha soberba, meu autoritarismo, adquiridos no berço, não permitem isso. Queria poder fazer viagens pelo país e explicar a todos as minhas razões, mas são muitos aqueles que teimam em não me escutar: mais do que aqueles que estiveram ao meu lado, em tempos passados.

Estou revoltado, chateado, decepcionado...

Quando morrer, definitivamente não quero flores em meu funeral, pois sei que as poucas pétalas que jogarem sobre meu caixão serão compradas com uma vaquinha feita por meia dúzia de loucos que ainda acredita em mim.

Cá se fazem, cá se pagam!!!

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