Menu
quarta, 24 de fevereiro de 2021
Colunistas

Artigo Rui Sintra: Está tudo dito!

21 Set 2016 - 06h05Por (*) Rui Sintra
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Enquanto não acabar o imoral foro privilegiado, o Brasil não alcançará a via da Democracia plena. Sei perfeitamente o quanto esta afirmação gera polêmica entre os políticos que estão habituados a se proteger e se valer desse foro para cometer as mais diversas ilegalidades, inclusive crimes, além de retirar para si e para suas proles vantagens que o cidadão comum não tem. Só agora é que se cogita acabar com essa imoralidade, não se tendo vislumbrado, ao longo das últimas décadas, nenhum movimento que acabasse com esse tipo de benesse ridícula, principalmente daqueles que tanto bradam, gesticulam e batem no peito supostamente em nome do povo, da liberdade, da democracia e dos direitos alcançados. E, enquanto tivermos esse tipo de privilégio excepcional, nunca iremos alcançar uma sociedade igualitária e democrática. Por outro lado, também sei que a abolição do foro privilegiado é um tema que é apoiado por uma larga maioria da sociedade brasileira, já extenuada de ver se exibir nos diversos palcos do poder, políticos tarimbados no exercício das mais diversas e imundas ilegalidades e escândalos. Deverão existir no nosso País cidadãos de 1ª e cidadãos de 2ª?

A segunda questão, não menos importante, é relativaao número de partidos existentes no nosso espectro político, estando sobejamente demonstrada que a única finalidade para a sua existência é abocanhar uma fatia do Fundo Partidário - atribuição de verbas para assistência aos partidos políticos que tenham seu estatuto registrado no Tribunal Superior Eleitoral e prestação de contas regular perante a Justiça Eleitoral. Convido os meus leitores a, quando tiverem um pouquinho de tempo, analisarem com cuidado quantos partidos políticos existem no nosso país e qual a penetração que cada um deles tem na população e sua importância no espetro eleitoral. Ou seja, só existem, de fato, para abocanhar a tal fatia do bolo que falei acima, sem qualquer outra utilidade pública. Será que se deveria repensar nesse "Fundo Partidário"? É viável e justificável o Estado (todos nós) gastar dinheiro no sustento desses partidos (de qualquer partido), principalmente agora, que se fazem contas para diminuir as despesas do Estado?

A terceira e última questão vai para a formação dos nossos políticos e para as suas reais intenções, onde pululam jogadores de futebol, artistas, participantes de concursos televisivos e inclusive, filhos de políticos - sim, porque há que estender a mama à geração seguinte. E são esses alguns dos perfis dos nossos representantes nos poderes federal, estadual e municipal, incluindo pessoas iletradas, que, a qualquer momento, poderão transformar radicalmente a vida de um cidadão comum e, inclusive, virar ministros. E são esses, misturados com grupos de autênticos marginais ligados aos mais diversos partidos (incluindo os que constituem a base de apoio ao atual governo), que, por exemplo - e só me refiro a um acontecimento muito recente -, tentaramaprovarna calada da noite, na Câmara dos Deputados, em 19 deste mês, uma medida que pudesse beneficiar investigados na Operação Lava Jato, anistiando o denominado "Caixa 2" em campanha, utilizando um texto que tramita desde 2007 na Câmara e que trata de regras eleitorais para incluir uma emenda eximindo de pena os que praticarem a contabilidade paralela até a data da aprovação da nova lei. Felizmente, a trama foi descoberta a tempo.

É claro que, no meio disto tudo, os políticos mais sabidos e espertos (com muita quilometragem nas trilhas enviesadas da política), habituados à manipulação,assumem sempre o protagonismo, alguns deles com atos populistas exacerbados e ridículos, já que, na falta de concorrência, se posicionam como "única alternativa", os salvadores da pátria (em terra de cegos quem tem um olho é rei). De fato e resumindo,agora também é tempo de refletirmos tudo, incluindo o tipo de projetos que queremos para nossas cidades e vilas, e, principalmente, quem poderá levá-los adiante, neste período de eleições municipais: mas o trabalho não vai ser fácil... Outro dia, ouvi no rádio um candidato a vereador dizer o seguinte "Sou comerciante!!! Vote em mim para defender os comerciantes!". Tenho o maior respeito por todos os comerciantes, bem como por todos os restantes profissionais, mas para defender os interesses desses estão as associações de classe.  Aos cidadãos de bem que se atrevem a assumir cargos de vereadores (e conheço alguns, de vários partidos, pelos quais nutro muito respeito), cabem outras missões, em princípio mais importantes e abrangentes dentro do verdadeiro sentido público, e não sacar votos através de promessas vãs especialmente dirigidas aos mais incautos, ingênuos e desinformados. Quanto ao resto, está tudo dito!

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias