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domingo, 24 de janeiro de 2021
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Artigo Rui Sintra: As pérolas do(a)s VIP’s

29 Out 2017 - 08h51Por (*) Rui Sintra
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

A passada quarta-feira foi um dia calmo, com as tarefas profissionais sucedendo-se numa sequência quase perfeita, sem muita correria, ao contrário do que costuma acontecer semana após semana. Um banho gostoso, a preparação habitual para o jantar e um pouco de entretenimento, obviamente frente à TV, procurando algo de interessante. De repente, eis que surgem imagens da votação que se encontrava em curso na Câmara dos Deputados, no sentido de acolher - ou não - o relatório da CCJ sobre se se deveria - ou não - prosseguir com a denúncia (a segunda) apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Michel Temer, desta vez sob a acusação de obstrução à justiça e organização criminosa. Aquilo que eu julgava, no momento, que não merecia a pena assistir, até porque não era um entretenimento, mas sim uma grande farsa, um circo, um teatro do absurdo, acabou por preencher o resto de minha noite, diga-se de passagem, de forma muito bacana. É que, de fato, há muito tempo que eu não dava umas boas gargalhadas: a última vez que ri despudoradamente foi durante a exibição de um filme de Mr. Bean (personagem sempre brilhantemente interpretado pelo excelente ator britânico, Rowan Atkinson).

 

É certo que o momento que o país atravessa não é propício para grandes alegrias - muito pelo contrário -, mas não me contive com aquilo que ouvi e vi daqueles que, de fato e legalmente, estão representando o povo brasileiro. E, se não tenho qualquer complexo em dar estrondosas gargalhadas quando me contam uma piada de portugas, o Congresso Nacional (Câmara dos Deputados e Senado Federal) é a maior piada que já tive o ensejo de ver e ouvir, quer ao vivo e a cores, quer pela TV, que neste último caso - e mais uma vez - me provocou fortes dores abdominais de tanto rir. Obrigado Brasil por me proporcionar a revanche.

Por respeito, não a eles, mas aos meus leitores, não vou divulgar os nomes do(a)s autore(a)s das "pérolas" que foram gentilmente distribuídas pelo(a)s "nobres" deputado(a)s em suas declarações de voto, nem quais os partidos a que o(a)s mesmo(a)s pertencem. O que interessa é o "conjunto da obra", mui dignamente representado por quem deveria estar em outro local e não ali, na Câmara dos Deputados, ofendendo não só Democracia, como a inteligência e alguma cultura que cada um de nós ainda possui. Mas, vamos às mais divertidas declarações de voto que foram proferidas publicamente e estão gravadas.

- "(...) em respeito aos oprimidos, aos negros, às negras e aos "colombolas" (...)". Felizmente adivinhei a tempo o que ele(a) queria dizer;

- "(...) Em nome de um povo que se indiguina (..)". Só depois entendi que era relativo ao verbo indignar;

- "(...) Voto sim, senhor presidente. Tamo junto (...)". Claro que "tamo", nobre deputado(a) de terno de seda;

- "(...) Os irmão Metralha estão preso (...)". Será que são os dois, ou é só um?...

- "(...) Senhor presidente: esta é uma casa de tolerância (...)". Nobre deputado(a): casa de tolerância, segundo o dicionário, caracteriza-se por  zona, prostibulo, casa da luz vermelha, casa das primas, etc.. De fato, falta muito pouco para ser isso mesmo...

"(...) Eu voto sim!... Sou cristão, sou servo de Deus. Intervenção militar já! Intervenção Divina já! (...)". Sem qualquer comentário! Aqui a coisa está feia...

"(...) Um país tomado pela corrupição (...)". Gostei da nova expressão de tornar pútrido...

"(...) Eu voto não, senhor presidente. Voto não! Não ao agrotóxico! (...)". Estou de acordo, nobre deputado(a), de fato tem algo tóxico no país...

Bem, fico por aqui, embora o rol seja mais extenso. E, se o poema do saudoso Renato Russo - "Que país é este?" - serve como uma luva na nossa atualidade, pode-se perfeitamente perguntar: que povo é este que tem a coragem de votar em tão caricatas figuras? - com esperança em melhores gerações.

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