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quarta, 03 de março de 2021
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Artigo Edgard Andreazi: Quais serão os heróis de nossa geração?

06 Jun 2016 - 13h08Por (*) Edgard Andreazi
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Primeiro teríamos que definir bem, o que é um herói. Segundo os dicionários, herói é aquela pessoa de grande coragem, autora de grandes feitos; dotados de atributos físicos ou morais exclusivamente positivos; de comprovada admiração; centro das atenções; admirado por vários motivos. Não há qualquer adjetivo desqualificador ao título de herói. Quando adversa a qualidade estaremos nos referindo ao vilão.

Chamou-me a atenção, ouvindo recentemente, uma palestra do filósofo Mario Sérgio Cortella, que nos fez lembrar alguns heróis mais recentes, entre eles, com certo destaque, nosso imortal Airton Senna da Silva. Lembrou, no entanto, que a morte trágica de Airton Senna já ocorrera há mais de 22 anos, no mesmo ano que ainda tínhamos uma seleção brasileira de futebol que de certa forma também identificávamos como nossos heróis. Muito diferente daqueles que fizeram a pelada que assistimos no último dia 4 de junho quando do 0 x 0 conquistado contra o Equador, com  a valiosa colaboração do juiz auxiliar.

Cortella não esqueceu até mesmo de lembrar-se dos queridos Mamonas Assassinas, que igualmente a seleção brasileira de futebol em nada importa em relação a nosso desenvolvimento, mas não deixam de ser umarepresentação ideológica em um determinado momento.

O que definitivamente registrei é que estamos carentes de heróis. Acredito que tinha razão Cazuza, "morreram de overdose".

Tendo como entendimento que heróis são aqueles que nos representam, pergunto: Onde estão "os caras pintadas"? Nos mesmos gabinetes dos órfãos do MR8, garantindo a manutenção de um subdesenvolvimento nacional, pela eternização do crescimento das diferenças sociais? Ao menos é isso que estamos acompanhando diariamente, com a escandalização do abuso do poder, conquistado com base em promessas feitas sempre em nomes dos trabalhadores. O movimento sem terra, continua sem terra, os sem tetos, idem. Os benefícios absurdos garantidos aos nossos representantes, que sempre foram combatidos nos discursos políticos, não apenas permanecem como se aprimoram.

Estamos vivendo um momento único, a identificação de crimes públicos que ocorrem em todas as instâncias da administração. Igualmente inédito estamos acompanhando com muita timidez a punição de culpados e talvez alguma justiça, com a quebra do paradigma de que a justiça não atingia os que se protegiam debaixo das asas do poder. Possivelmente ainda teremos que subsidiar algumas mordomias no sistema penitenciário, mas, dos males o menor. Talvez sejam mais baratas e econômicas as mordomias dos presídios, ao menos a lista de assessores diretos não deverá ter tantos interessados.

Mas esta culpa por falta de ídolos, igualmente aos resultados das urnas nos anos de eleição é nossa. Afinal, enquanto estivermos procurando referência apenas em compositores, esportistas, participantes de reality shows, cantores de sertanejo universitário, axé e funk e esquecermo-nos de reverenciar nossos heróis de guarda pó, giz e quadro negro, ficaremos na dependência do surgimento raro de agentes determinados, como o xerife de república de Curitiba.

As informações acima são de total responsabilidade do autor. 

Foto: Divulgação

 

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