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quarta, 24 de fevereiro de 2021
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Artigo Edgard Andreazi: Empreendedorismo ou única oportunidade de sobrevivência?

22 Fev 2016 - 08h58Por (*) Edgard Andreazi
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Neste final de semana, terminando nesta terça feira, 23, acontece/aconteceu no Anhembi, em São Paulo, a Feira do Empreendedor, edição 2016.

Sem dúvida nenhuma se trata de um evento de grande sucesso, visto que o público participante da edição do ano passado foi de 82.000 pessoas, segundo informação do Sebrae, entidade promotora do evento.

Mas nós brasileiros vamos a uma feira de empreendedorismo por vocação ou necessidade?

A cultura do brasileiro nesta seara ainda é um pouco nova, somos herdeiros de uma geração que sempre teve como propósito a seguridade do emprego registrado em carteira, com garantia dos benefícios trabalhistas, como férias com acréscimo de um terço, 13º salário, licenças e outras garantias. Os nascidos nas décadas de 50/60/70 tinham como preságio o desejo dos pais de se empregarem nas grandes empresas. A estabilidade e benefícios do setor público se tornaram o sonho de consumo de qualquer cidadão, diante da inseguridade do setor privado, sujeito a toda sorte da instabilidade economica do país, que vez por outra enfrenta crises que quebram a estrutura organizacional de qualquer família.

Não existe a cultura do empeendedorismo no Brasil. As melhores faculdades deste setor são a crise e a determinação do brasileiro, que já afirmaram ser antes de tudo um forte.

Com a previsão do índice de desemprego para 2016 na ordem de 10%, a Feira do Empreendedor deste ano deverá ser um sucesso absoluto de público. E certamente poderia ser ainda de maior sucesso as negociações e criação de novos empreendiementos, que certamente gerariam cada um deles no mínimo um emprego, o do titular do negócio. Considerando ainda que novas empresas de forma geral são formadas por dois ou mais sócios e que por menor que sejam contemplam a geração de um ou mais novos empregos o evento seria realmente memorável.

O que adianta a concentação de oferta de novos produtos, a determinação dos promitentes empreendedores que está na temperatura máxima de ebulição se não há contrapartida do governo nem do sistema financeiro?

Nosso BNDES só existe para financiamento das grandes empresas, para que estas não apliquem seus recursos financeiros na produtividade, visto que no mercado financeiro rende muito mais. A adminsitração pública penaliza os novos e pequenos empresários, com a ausência de políticasque incentive o empreendedorismo. Os estados adentrados a uma interminável guerra fiscal somente criam dificuldades nas operações dos pequenos negócios a ponto de se sobrepor a Lei Complementar 123 que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, que prevê o tratamento diferenciado à estes negócios.

Os números divulgados pelo IBGE, assim como pelo próprio Sebrae, comprovam esta falta de incentivo e prepação nos novos empreendimentos. Metade das empresas abertas no país fecham as portas nos primeiros quatro anos de existência, período em que certamente deveria ser identificada a linha de crescimento de qualquer negócio. Acontece que no Brasil, crescer se torna um risco muito grande, a burocracia, o excesso da carga tributária, assim como as exigências públicas inviabilizam muitos negócios. É simples descrever, por exemplo: Qualquer pequeno negócio, em seu primeiro degrau de ascensão necessita de um veículo. O preço e as taxas de financiamento não estimulam este investimento. A necessidade de atender a burocracia e a alta carga tributária bem como suas obrigações acessórias, desvia a atenção do empreendedor que deixa de focar a qualidade da produção e comercialização, para atender tantas exigências. Considerando ainda o receio da manutenção das relações de emprego, somado as todas outras incertezas. O empreendedor parte a procura de um novo emprego.

As informações acima são de total responsabilidade do autor. 

Foto: Divulgação

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