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terça, 20 de abril de 2021
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Artigo Antonio Fais: Sexta Cultural: Dica de Filme - MATRIX

A Arte da Surpresa

02 Fev 2018 - 12h35Por (*) Antonio Fais
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Algumas vezes eu me surpreendo com filmes, ou melhor, eu me surpreendo com o preconceito que temos sobre alguns temas ou filmes. Em geral, a arte faz isso mesmo.

Já fui ao cinema para ver um filme bem recomendado, às vezes com grandes atores e diretores, e o filme era péssimo. Foi assim com Sinais, com Mel Gibson, dirigido por M. Night Shyamalan, o mesmo de Sexto Sentido - acho que foi um dos piores filmes que vi no cinema. Caro leitor, não vá conferir. Gaste seu tempo assistindo de novo a um filme de que gostou.

Outros, porém, você tem uma agradável surpresa! Foi assim com Matrix. Não assisti quando passou no cinema, não ligo tanto para efeitos especiais de filmes e, se tiver que ver filmes de luta, prefiro o Bruce Lee e seus movimentos perfeitos.

Mas de tanto um amigo insistir, aluguei o vídeo K7 e pus para ver. Achei interessante os efeitos, a moça rodando na parede, fiquei curioso quando Morpheus (Lawrence Fishburn) guia os passos de Neo (Kenu Reeves) no escritório, até chegar na cena das pílulas vermelha e azul, na escolha de Adão: comer ou não a maçã? Ele toma a pílula vermelha, é resgatado e começa o filme de verdade. Nesse momento eu me ajeitei no sofá e pensei: "Como esse cara vai terminar o filme?".

Matrix foi um dos filmes mais surpreendentes para mim. É um filme sobre aprendizagem. O senhor Anderson, um programador de computadores, é o hacker Neo. Ele, como todos nós, se sente incomodado com a vida que leva e, de repente, descobre que o mundo que ele pensava existir não existe. E que tem que aprender a viver no mundo real, um mundo cru, o da "vida viva" como diz Dostoievski em Notas do Subsolo. Há aqui o conceito mal-entendido do super-homem do Nietzsche - mas você não precisa ler Nietzsche ou Dostoievski, ou gostar de filosofia, para entender o conceito ou sentir - filme demonstra melhor que eles o incômodo.

O interessante é que Neo passa a habitar em dois mundos: o mundo real e o mundo da linguagem. Há quem compare com o Mito da Caverna de Platão, mas como eu não sou fã de Platão... Mas deixa pra lá que isso é outro assunto. Neo percebe que ele pode subverter as regras do jogo, mas, para isso, ele tem que rever conceitos já formados em sua cabeça.

Tudo isso, claro, se mistura em cenas de lutas, com armas, helicópteros e muita luta.

Ah! O final do filme. Como o diretor vai terminar o filme? Neo faz uma coisa impossível de fazer com que todos nós sonhamos.

Dispa-se de seus preconceitos e assista ao filme, ou assista novamente sem distrações, atento, vendo os detalhes. Matrix entraria em minha lista dos 100 melhores filmes de todos os tempos.

Foto: DivulgaçãoSOBRE O AUTOR

Antonio Fais, graduado em Ciências da Computação pela Universidade Federal de São Carlos. Na década de 1980, criou e implantou os primeiros cursos de Informática do SENAC-SP. Escritor, graduou-se também em Filosofia, especializando-se em linguagem e aprendizagem. Realiza formações para professores e empresas em comunicação, linguagem, literatura e escrita criativa.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

 

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