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sexta, 23 de abril de 2021
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Artigo Antonio Fais: Alexandre, o comum

14 Dez 2017 - 12h33Por (*) Antonio Fais
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Hoje o dia não começou muito bem. Logo cedo fui emitir notas fiscais e o sistema da prefeitura apresentava um problema: as notas haviam voltado para o número 1! Parecia que o sistema havia perdido todas as notas emitidas. Não fiquei muito preocupado, pois imagino que haja back up dos dados e seria apenas solicitar a recuperação dos dados.

Mas isso tinha uma implicação desagradável: ir ao SIM (Sistema Integrado do Município) que fica no centro da cidade de São Carlos. Estacionar, zona azul, Senha, horas de espera, funcionários que chamam outros funcionários e tudo mais que se espera do atendimento público.

Deixei esta tarefa para depois do almoço. Como tinha outras coisas para resolver no lá pelo centro da cidade, fui onde mais tinha que ir, paguei a zona azul e fiz os outros afazeres. Quando cheguei ao SIM, às 13h11, tinha uma sorridente vaga me chamando a 50 metros. Meu ticket de zona azul venceria às 13h21. Pensei: "vou até lá, pego a senha, vejo o tamanho da fila, renovo a área azul e vejo o que mais posso fazer enquanto espero".

Entrei no SIM e via que havia um balcão especial para o meu problema e apenas um sujeito sendo atendido. Nisso entra um outro funcionário, chegando do almoço, eu o interpelo, ele olha para a nota emitida e rapidamente vê que o site da prefeitura me levava para uma área de teste, em vez de ir para a emissão de notas (era apenas um problema de link do site). Meu relógio marcava 13h18! Saí alegre.

Em frente ao SIM tem uma banca de jornais e sempre fica um grupo de pessoas ali sentadas. Ao sair ouvi um homem simples gritar em minha direção. De rabo de olho, vi que eram três homens. Fiz que não era comigo e segui para meu carro. Pensei que fosse um vendedor ou esmolante.

Entrei no carro e saí. Já na esquina, com o sinal fechado, um deles bate em meu vidro e diz: "O senhor deixou cair isto ao sair do SIM". Eram quinze reais, uma nota de dez, outra de cinco.

Era um senhor de cabelos e barbas brancas chamado Alexandre. Parecia aposentado. Eu agradeci. Ele sorriu. Eu sorri e segui meu caminho pensando em seu nome. Alexandre. Alexandre, nem grande, nem pequeno. Um brasileiro comum. 

Foto: Divulgação

 

(*) O autor é filósofo, escritor, especialista em linguagem e aprendizagem, realiza formações em comunicação, linguagem, literatura e escrita. Especialista em Comunicação Não Violenta (CNV).

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