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sábado, 14 de dezembro de 2019
Qualidade de Vida

Alzheimer (parte 2)

08 Ago 2019 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Alzheimer (parte 2) -

A doença de Alzheimer causa dificuldade em se concentrar e pensar, especialmente em conceitos abstratos como números. A multitarefa é especialmente difícil, e pode ser um desafio gerenciar as finanças, equilibrar os talões de cheque e pagar as contas em dia, as dificuldades podem progredir para a incapacidade de reconhecer e lidar com números.

Todo mundo tem lapsos de memória ocasionais, se torna normal perder a noção de onde você coloca as chaves ou esquecer o nome de um conhecido, vai se tornando tão grave que se esquece de se alimentar. Mas a perda de memória associada à doença de Alzheimer persiste e piora, afetando sua capacidade de funcionar no trabalho e em casa.

Pessoas com Alzheimer podem: Repetir afirmações e perguntas repetidamente, sem perceber que elas já fizeram a pergunta antes, esquecer conversas, compromissos ou eventos, perca-se em lugares familiares, eventualmente, esqueça os nomes dos membros da família e objetos do cotidiano, se torna difícil encontrar as palavras certas para identificar objetos, expressar pensamentos ou participar de conversas.

Atividades de rotina que exigem etapas seqüenciais, como planejar e cozinhar uma refeição ou jogar um jogo favorito torna-se uma luta à medida que a doença progride. Eventualmente, pessoas com Alzheimer avançado podem esquecer como executar tarefas básicas, como vestir-se, tomar banho, pentear o cabelo e etc.

Alterações cerebrais que ocorrem na doença de Alzheimer podem afetar a maneira como você age e como se sente. Pessoas com Alzheimer podem experimentar: Depressão, Apatia, Retraimento social, Mudanças de humor, Desconfiança nos outros, Irritabilidade e agressividade, Mudanças nos hábitos de sono, Hábito de vagar, Perda de inibições, Delírios, como acreditar que algo foi roubado.

Muitas habilidades importantes não são perdidas até muito tarde na doença, incluem a capacidade de ler, dançar e cantar, apreciar música antiga, envolver-se em artesanato e hobbies, contar histórias e relembrar. Isso ocorre porque as informações, habilidades e hábitos aprendidos no início da vida estão entre as últimas habilidades a serem perdidas à medida que a doença progride, a parte do cérebro que armazena essa informação tende a ser afetada mais tarde no curso da doença.

Manter e praticar essas habilidades pode promover sucessos em manter a qualidade de vida mesmo na fase moderada da doença.

Mesmo com uma aparência saudável, os portadores de Alzheimer precisam de supervisão ao longo das 24 horas do dia, a doença evolui, em média, por um período de cinco a dez anos. Até o momento, a doença permanece sem cura. O tratamento é minorar os sintomas, estão sendo desenvolvidos medicamentos que, embora em fase experimental, sugerem a possibilidade de controlar a doença.

Atualmente podemos atuar em cinco áreas de prevenção de demência que terão muito mais efeito se realizadas conjuntamente, e mais eficazes se iniciadas precocemente:

  • Atividade física apropriada para idade (de preferência atividade aeróbica);
  • Alimentação balanceada e voltada para alimentos naturais – dieta do mediterrâneo, alimentos ricos em ômega três;
  • Prevenção de fatores de risco vascular como controlar diabetes, hipertensão, dislipidemias. Evitar tabagismo, álcool em excesso;
  • Atividade intelectual: testes, exercícios mentais, manutenção atividade profissional, programa de reabilitação cognitiva;
  • Preservação das relações sociais e familiares (convivência interpessoal, manutenção e reforço de vínculos afetivos).

Ainda não existem remédios milagrosos ou procedimentos definitivos, porém a medicina tem evoluído rapidamente na busca dos melhores recursos para tratar e prevenir o Alzheimer.

    

Cuidar de doentes de Alzheimer é desgastante. Procurar ajuda com familiares e/ou profissionais pode ser uma providência absolutamente necessária, o que eu mais acho necessário para o portador de Alzheimer é encorajar a pessoa a vestir-se, comer, ir ao banheiro, tomar banho por sua própria conta, quando não consegue mais tomar banho sozinho, por exemplo, pode ainda atender a orientações simples como, “Tire os sapatos. Tire a camisa, as calças. Agora entre no chuveiro”; as atividades de vida diária são extremamente necessárias.

 

Em 2002, o Ministério da Saúde publicou a portaria que instituiu no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) o Programa de Assistência aos Portadores da Doença de Alzheimer. Esse programa funciona por meio dos Centros de Referência em Assistência à Saúde do Idoso, que são responsáveis pelo diagnóstico, tratamento, acompanhamento dos pacientes e orientação aos familiares e atendentes dos portadores de Alzheimer, existem no momento, 26 Centros de Referência já cadastrados no Brasil.

O Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, vem investindo na capacitação de profissionais do SUS para atendimento aos idosos. O envelhecimento da nossa população é um fenômeno recente, pois, até os anos 50, a expectativa de vida da população era de aproximadamente 40 anos, a esperança de vida da população é de 71 anos de idade.

O SUS oferece, por meio do Programa de Medicamentos Excepcionais, a rivastigmina, a galantamina e o donepezil, principal remédios utilizados para o tratamento do Alzheimer, os medicamentos não impedem a evolução da doença, que não tem cura, esses medicamentos para a demência têm alguma utilidade no estágio inicial, podendo apenas amenizar ou retardar os efeitos do Alzheimer.

Para controlar a confusão e agressividade utilizam-se medicamentos da classe dos neurolépticos atípicos, embora mesmo com esses medicamentos possa ser difícil controlar esses sintomas. Aqui, cabe ressaltar a importância de se evitar remédios que podem prejudicar ainda mais a função intelectual ou cognitiva destes indivíduos, devem-se ficar atento com os remédios que o paciente com Alzheimer está usando, depressão e transtornos do sono também devem ser tratados com medicações específicas.

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique, não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

(*) O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia. Atua em São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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