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segunda, 01 de junho de 2020
Resplandecente Alma

Acolhendo a Criança Interior e Vencendo a Crise

22 Mai 2020 - 17h15Por Anaísa Mazari
Acolhendo a Criança Interior e Vencendo a Crise -
Mediante a necessidade de enfrentamento de qualquer desafio da vida adulta, o confronto com a realidade mobiliza diversas emoções e sentimentos, que quando bem compreendidos, trazem para o contexto maiores probabilidades de alcance de soluções através da prontidão e presença no momento atual da vida e suas vicissitudes. Os impactos emocionais decorrentes das crises, bem como a forma de vivenciar os períodos mais críticos que atravessamos ao longo da jornada sempre guardam relações com as feridas emocionais do passado. O funcionamento emocional é moldado pelas vivências infantis e obtenção de cuidados provenientes dos adultos presentes na formação infantil de cada um de nós, sendo bem relevante o autoconhecimento para a percepção de que muitas vezes a nossa instância infantil pode estar no comando de pensamentos, sentimentos e ações que, para garantirem um bom enfrentamento de crise, precisariam estar sob a responsabilidade da instância adulta, com o devido cuidado da criança interior ferida e suas necessidades. Inconscientemente, observa-se que existe uma forte tendência de projetar o cuidado da criança interior em relacionamentos diversos, “entregando-a” para parceiros, amigos, parentes etc, algo castrador para o crescimento pessoal. A criança interior é uma responsabilidade pessoal, adulta e interna de cada um frente à sua própria história de vida e sobretudo algo essencial ao compromisso com a própria evolução e amadurecimento emocional – que terão ressonâncias na evolução da humanidade, em uma visão sistêmica mais ampliada. 
 
Há várias técnicas para viabilizar o contato com a criança interior, até que este contato se torne algo natural e automático. Fala-se da criança interior como uma instância interna separada da instância adulta apenas com finalidade didática ou em casos em que primeiramente a criança interior ainda necessite ser identificada dentro do mundo interno de pessoas que ainda estejam iniciando sua jornada de autoconhecimento e autopercepção. Quanto mais conectados e conscientes da presença da criança interior e das necessidades e demandas que um difícil passado infantil apresenta, mais claro se torna o discernimento de quando a criança interior surge e quer comandar (ou até comanda de forma concreta em muitos casos). Discernir, identificar e conscientizar-se serão os pressupostos básicos para o redirecionamento da vida emocional para comportamentos adultos, desde pensamentos e sentimentos até tomada de decisões. Identificar a criança interior traz ainda muito mais espontaneidade, criatividade e leveza para a vida, uma vez que a conexão com a criança permite a expressão da essência humana mais profunda que terá seus momentos pertinentes para aparecer – permissão consciente que também promove o acolhimento da criança interior e também faz parte de seus cuidados. A seguir, algumas formas de se conectar com a instância infantil:
 
- Visualização da criança: Colocar uma música de relaxamento e imaginar sua criança em algum espaço que tenha significado para o passado infantil, bem como imaginar-se adulto caminhando até ela e buscando contato visual ou mesmo físico, costuma ser a primeira experiência terapêutica indicada para quem ainda não se sente conectado com a criança interna. Ao fazer esse exercício, observe os sentimentos que surgem nesse contato, bem como as imagens mentais do comportamento da criança e do adulto nessa interação. Certamente, muitas informações virão de como essa criança se sente e o que ela espera e precisa do seu adulto que cuidará dela.
 
- Exercício da foto: Escolha uma foto infantil e observe cuidadosamente, mas com os olhos da alma. Observe seus sentimentos ao se questionar quem é essa criança, o que ela sente, do que ela precisa, quais sensações desperta em você. Pergunte-se ainda o que dá vontade de fazer com essa criança, por ela e para ela. Se você fosse falar algo para essa criança, o que verbalizaria? É possível acolher essa criança em seus sentimentos e necessidades? É possível ofertar amor a ela? Uma outra variação deste exercício é conversar com a criança, verbalizando em voz alta para dar concretude à conexão com a criança interior. Quando as conexões com a criança interior estão mais fortalecidas, muitas respostas surgem através desses diálogos, considerando (novamente) que adulto e criança perfazem o mesmo mundo interno. Ou seja, muitas respostas já estão dentro de você. 
 
- Exercício da almofada: projete a sua criança interior em uma almofada - pertinente que possa ser uma almofada que fique posteriormente separada para essa finalidade, tendo em vista a carga simbólica que o objeto terá após o exercício. Acolha em seu colo e ofereça cuidado e carinho. Pode usar frases prontas de acolhimento e suporte emocional ou mesmo deixar surgir as verbalizações espontaneamente, já que o exercício certamente mobilizará formas que podem ser específicas de se dirigir à criança neste contexto. Há relatos diversos da profundidade dessa experiência, já que muitos adultos podem não ter tido contato físico satisfatório e acalentador com os cuidadores, algo muito necessário na infância para a formação do mundo emocional e estabelecimento do sentimento de segurança através da continência que precisa inicialmente vir de fora para posteriormente estar internalizado no adulto como recurso a ser acessado toda vez que se fizer necessário.      
 
- Recursos artísticos: pintar, cantar, dançar, permitir-se atividades lúdicas ou até mesmo degustativas com a consciência de que são formas de cuidado da sua criança interior também podem ser ações amplamente praticadas. É libertador dar a permissão para a criança se manifestar espontaneamente nos momentos pertinentes para isso. 
 
A conexão adulto e criança promove integração emocional e equilíbrio, já que a sensibilidade, as percepções mais profundas e as compreensões mais intuitivas acerca da vida são sinalizadas ao adulto pela criança interior. Uma boa conexão te fará bem mais perspicaz. Permita-se, entregue-se, descubra-se, conheça-se, liberte-se! E a experiência de viver se tornará um grande prazer a ser desvendado em cada uma de suas fases.
 
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