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domingo, 16 de junho de 2019
Direito Sistêmico

A aplicação das ferramentas sistêmicas resolvem automaticamente todo o conflito jurídico?

08 Mar 2019 - 06h50Por (*) Dra. Rafaela C. de Souza
A aplicação das ferramentas sistêmicas resolvem automaticamente todo o conflito jurídico? -

Não, a aplicação de ferramentas sistêmicas como o Coaching Sistêmico, a Constelação Familiar individual ou em grupo, as falas sistêmicas, o uso de âncoras no atendimento jurídico, todas essas possibilidades não  milagres que ao serem aplicadas resolvem o conflito jurídico. São ferramentas disponíveis para aplicação por profissionais capacitados e habilitados para tal finalidade e que visam uma ampliação de consciência sobre os fatos e suas imbricações com as partes e até mesmo com o advogado, que muitas vezes, pode estar em ressonância com a questão apresentada pelo cliente.

Mas por exemplo, o uso da Constelação Familiar até mesmo no Judiciário, funciona como se fosse um “raio x”, uma visão ampliada da questão apresentada e que serve muito à todos os envolvidos, mas principalmente a quem se abriu a essa oportunidade. Também não se trata de magia, ou seja, aplica-se a Constelação Familiar e ficamos de braços cruzados esperando uma solução mágica ou a salvação dos erros cometidos. Não, uma atitude jurídica terá que ser adotada e também da própria parte, ou seja, pode ser que a mesma entenda que também foi responsável pelo conflito e assuma a sua parte, assim comunica o advogado e solicita que o mesmo verifique se a outra parte está aberta ao diálogo e assim, os atos processuais deverão seguir o rito devido, mas dependerá claramente de ações e atitudes práticas, visando à solução do conflito apresentado e não mais, a entrega do mesmo a uma solução mágica ou pelo Judiciário ou pelas outras ferramentas disponíveis.

Por isso, as formas alternativas de resolução dos conflitos requerem muitos dos envolvidos, estes precisam muitas vezes adotar posturas não passivas, e sim de ações em conjunto em busca de soluções, e não de postergações, com isso, a economia processual de investimentos tanto de tempo e de dinheiro, podem ser extremamente relevantes nesse momento de escolha de qual postura adotar diante do processo judicial ou do conflito jurídico apresentado.

Diante da verificação que as ferramentas sistêmicas não são fruto de mágica ou até de confusão com religião ou algo extraterreno, podemos nos aprimorar com essas técnicas como algo que vem a somar no dia-a-dia dos profissionais jurídicos, assim como as inovações tecnológicas, que muito aliviaram o exercício da atividade jurídica, e com isso, oferecer às partes que podem se beneficiar desse novo olhar para o Direito, pois pode haver situações em que não sejam necessárias e realmente dependerá da análise do profissional habilitado, se é caso de utilização ou não. Assim, retirando o “véu” de que seja algo muito diferente e até por isso, fruto de preconceito ou até exclusão, o profissional ou a parte que se permitir experimentar verificará o quanto é normal à sua aplicação e extremamente relevante no entendimento das razões ocultas num conflito jurídico, mas, assevera-se que as ações posteriores à aplicação de qualquer exercício sistêmico que serão as responsáveis pelas resoluções.

(*) A autora é, advogada sistêmica, Presidente da Comissão de Direito Sistêmico e da OAB Concilia de São Carlos-SP, formada pela primeira Turma do Curso de Gestão da Advocacia Sistêmica de São Paulo/SP.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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