Menu
terça, 27 de outubro de 2020
Qualidade?

Vigilância levanta suspeita sobre a qualidade da água do SAAE

Órgão da Secretaria de Saúde encaminhou relatório ao Ministério Público para investigações

25 Set 2020 - 16h54Por Redação São Carlos Agora
Vigilância levanta suspeita sobre a qualidade da água do SAAE - Crédito: Whatssapp SCA - (16) 99633-6036 Crédito: Whatssapp SCA - (16) 99633-6036

O São Carlos Agora solicitou nota ao SAAE e assim que recebê-la, atualiza esta notícia.O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) volta ao radar das polêmicas. Depois das cobranças fora da média nas contas de água e esgoto, a autarquia da Prefeitura é suspeita de fornecer água contaminada a parcela dos são-carlenses. Pelo menos é o que aponta relatório da Vigilância Sanitária a qual o São Carlos Agora teve acesso nesta sexta-feira (25). O relatório será encaminhado ao Ministério Público.

De acordo com o documento, um cidadão efetuou uma reclamação ao órgão de fiscalização no dia 1º de setembro. Ele suspeitava de “desvio de qualidade” da água. Relatou que a água apresentava coloração amarela escura e partículas. Segundo o denunciante, o fato se repete há dois anos. A Vigilância Sanitária reforçou o alerta ao SAAE, destacando que a região da denúncia é o bairro Lagoa Serena. Pontos das ruas Rui Barbosa, Conde do Pinhal e Major José Inácio também fora objeto de denúncias. “Sempre [que] reportávamos a autarquia este desvio. Tínhamos como resposta que poderia ser a canalização antiga das ruas, ainda de ferro fundido, sendo a coloração produto da oxidação deste material metálico”, destaca o relatório da Vigilância.

“No entanto as reclamações, inclusive na imprensa, tornaram-se constantes. Neste mês corrente, somadas às manobras nas redes de água que causaram incômodo à população, a falta d’água tornou-se recorrente”, afirma o documento da fiscalização. Esses fatos respaldaram a investigação.
Inspeção

A Vigilância Sanitária sublinhou que no dia 11 de setembro houve inspeção nos floculadores, decantadores e filtros da Estação de Tratamento de Água da Carlos Botelho. Segundo a fiscalização, houve encontro de material particulado, além de um volume considerado de lodo. “O excesso de lodo provoca o mau funcionamento do decantador”, afirma o relatório. “Verificou-se que todas as estruturas destinadas ao tratamento da água apresentavam não conformidades como: falta de manutenção, falta de limpeza, retirada de materiais flutuantes, retiradas de vegetação em estágio avançado de crescimento, retirada de excesso de materiais aglutinados nas canaletas e chicanas de acesso aos decantadores, passagem de materiais não decantados corretamente para as carreiras de filtros sobrecarregando os mesmos e presença de resíduos nos floculadores e decantadores que não foram peneirados corretamente”, classifica o documento. De 10 amostras coletadas, apenas uma apresentou cor fora dos padrões.

Em nova inspeção junto à ETA, a fiscalização constatou o bom funcionamento do decantador. O mesmo relatório constata que em outras duas ocasiões, ainda neste mês de setembro,  não conseguiu acesso à Estação de Tratamento de Água. No dia 18 de setembro, o presidente da autarquia, Benedito Marchezin, recebeu auto de infração sanitário por “obstar, retardar ou dificultar a ação fiscalizadora da autoridade sanitária competente, no exercício de suas funções, tendo 10 dias para apresentação da defesa em processo”.

Sem sucesso

No dia 18 de setembro, o SAAE promoveu uma reunião com a Vigilância Sanitária. Quem atendeu à fiscalização foi a gerente Leila Patrizzi, que apresentou reclamações dos contribuintes, todavia a fiscalização da Secretaria de Saúde reclamou que não obteve acesso “às análises realizadas pela autarquia para atendimento das reclamações, pois a representante informou que não possuía autorização para nos apresentar”, frisa a fiscalização. “A representante da autarquia informou que foram encontrados parâmetros fora do permitido em norma de qualidade de água e que tanto o consumidor que teve acesso à água fora dos padrões, quanto os moradores adjacentes não foram comunicados sobre os riscos de consumir uma água fora dos padrões”, prossegue o relatório.

Análise

A Vigilância pondera que os laudos da água estão em análise no Instituto Adolfo Lutz (IAL) de Ribeirão Preto. “No entanto, apontam desvio de qualidade”, reforça.

“A autarquia não informa os consumidores sobre os desvios da água de consumo e tampouco estas autoridades, sendo infração sanitária de risco à saúde dos consumidores. Quando a autarquia SAAE realiza manobras de interligações em redes de água ou realiza manutenções junto à rede, não comunica a contento à população e tampouco este órgão sanitário, conforme previsto em lei”, reporta a Vigilância Sanitária. A fiscalização destaca, também que todos os procedimentos que acarretem em: falta d’água, desvio de qualidade, não conformidade e anomalias -, devem ser informadas à população e, também às autoridades sanitárias, conforme lei estadual. O relato foi encaminhado ao Ministério Público para providências.

Nota do SAAE

O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos (SAAE) garante que respeita todos os órgãos fiscalizadores e que todas as instalações da autarquia estão abertas, inclusive para visitação. A Estação de Tratamento de Água (ETA), localizada na rua Carlos Botelho, recebeu em 2018, mais de 2.000 estudantes e em 2019, mais de 700 estudantes, entre alunos do ensino fundamental e universitários que receberam orientações sobre a importância da preservação dos recursos hídricos, a importância do tratamento de água e esgoto e conceitos de sustentabilidade ambiental.

A autarquia assegura a eficiência da operação das Estações de Tratamento de Água (Vila Pureza e do CEAT) de acordo com todas as normas técnicas e conhecimento de vanguarda apresentado em publicações específicas da área e que possui equipe (gestão e operação) qualificada, comprometida e com expertise diferenciada para garantir alta eficiência no tratamento de água.

O SAAE também realiza a manutenção preventiva e limpeza dos equipamentos das Estações de Tratamento de Água e de todas as instalações destinadas ao abastecimento de água de acordo com as normas e planos estabelecidos, portanto garante a existência de um residual de cloro livre nas redes de distribuição, conforme o Artigo 34 da Portaria de Consolidação nº 5 de 28 de setembro de 2017 do Ministério da Saúde, o qual elimina os possíveis contaminantes bacteriológicos que possam ocorrer no sistema de distribuição.

Reforça que pelo Artigo 34, é obrigatória a manutenção de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão do sistema de distribuição. Porém devido a pandemia do novo coronavírus, a autarquia esta seguindo a Cartilha Técnica de Saneamento e as diretrizes enviadas pela Organização Mundial da Saúde, os quais recomendam a existência de um residual mínimo de cloro livre de 0,5 mg/litro em toda a extensão das redes de distribuição e que esse aumento da dosagem de cloro, em alguns locais pode ter causado o desprendimento de incrustações, porém, não ocorreu contaminação bacteriológica da água. Quando alguma anomalia é encontrada na rede de distribuição, imediatamente ações são realizadas para plena recuperação da qualidade da água distribuída, reafirmando que toda a água tratada, na saída da ETA, está em conformidade com a Portaria de Consolidação nº 5, Anexo XX do Ministério da Saúde.

O SAAE possui os seguintes canais de comunicação: www.saaesaocarlos.com.br e o telefone 08000-111064, disponibilizando as informações sobre os diversos assuntos de responsabilidade da Autarquia.

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias