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terça, 03 de agosto de 2021
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Unidades da UFSCar fazem campanha pelo acesso à informação na 5ª Semana Mundial de Acesso Aberto

24 Out 2011 - 17h15

De 24 a 30 de outubro é comemorada a quinta Semana Mundial de Acesso Aberto. Diversos órgãos de fomento e instituições de Ensino Superior promovem o Acesso Aberto como uma nova forma de publicação e disseminação científica. Algumas unidades da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) já desenvolvem discussões sobre o tema e aderem ao movimento com reflexões importantes na área.

Para comemorar a Semana neste ano, a Rádio UFSCar promove  entrevistas e debates em sua programação sobre o tema. Além disso, a  Biblioteca Comunitária (BCo), a Coordenadoria de Comunicação Social  (CCS) e docentes do Departamento de Ciência da Informação (DCI) da  UFSCar reúnem-se, desde setembro, em um Grupo de Trabalho (GT) que  elaborou uma proposta inicial para a Política de Informação, Comunicação  e Memória da UFSCar, além de diretrizes para o Plano de Desenvolvimento  Institucional (PDI), que contemplam o acesso aberto de forma  transversal na Universidade.

O Acesso Aberto se refere à disponibilidade imediata, gratuita e online dos resultados de pesquisa (artigos e dados) sem as restrições no seu uso, comumente impostas pelos acordos de copyright das editoras. Isso está voltado aos produtos de pesquisa que são entregues às editoras para serem publicados - artigos de revistas revisados pelos pares, papers de congressos e conjuntos de dados (datasets) de vários tipos. "Aumentar a visibilidade e impacto de pesquisa constitui um benefício evidente para todas as instituições de Ensino Superior, institutos de pesquisa, para os pesquisadores individuais e a sociedade mais ampla", explica a professora Ariadne Chloe Mary Furnival, do Departamento de Ciência da Informação da UFSCar. Ela pesquisa o assunto desde 2010, quando trabalhou no Centre for Research Communications, na University of Nottingham, Inglaterra, no projeto NECOBELAC, uma rede de colaboração entre os países europeus e latinoamericanos que pretende, no campo de saúde pública, melhorar a escrita cientifica e promover os modelos de publicação em acesso aberto.

Na UFSCar, Chloe coordena o projeto piloto de um repositório no âmbito do Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH), em que trabalham alunos do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação, com enfoque nas práticas e percepções dos pesquisadores; possíveis barreiras para o auto-arquivamento; questões relativas ao copyright; discussões sobre a melhor estrutura e fluxo de trabalho para um repositório institucional; dentre outros estudos.

Para Chloe, os princípios que fundamentam este modelo de difusão do conhecimento é o da remoção de barreiras para o acesso ao conhecimento, além do consentimento do autor. "A literatura oferecida em Acesso Aberto é livre para ser copiada, distribuída e utilizada, por exemplo, em sala de aula", comenta a professora. Segundo Chloe, o acesso aberto começou a se configurar, mundialmente, na década de 70, com o lançamento da Internet. "O Brasil é um país bastante avançado nesse modelo com, aproximadamente, 620 títulos de publicações científicas oferecidas em acesso aberto. Ele está em segundo lugar no mundo, atrás dos Estados Unidos, que têm cerca de 1.300 periódicos", explica.

A professora conta que ainda há resistência para se adotar o Acesso Aberto. "A resistência que existe pode estar baseada na ignorância sobre os propósitos do acesso aberto, que não pretende derrubar as editoras, mas sim, oferecer uma alternativa de acesso ao conhecimento. Para quem não é da comunidade científica é muito difícil ter acesso à produção científica", complementa a docente. Chloe acredita que "a maior resistência por parte dos pesquisadores é com relação à abertura dos dados, o que, intuitivamente, é compreensível já eles trabalham muito para obtê-los", relata a professora.

Chloe aponta também que alguns pesquisadores são favoráveis ao Acesso Aberto, mas esta disposição ainda não está sendo totalmente traduzida em ação, "já que os estudiosos continuam publicando em revistas fechadas e isso tem a ver com o fator de impacto destas publicações". A professora aponta que ainda haja receios com relação ao copyright por desconhecimento da política autoral do modelo de acesso aberto e propõe uma reflexão. "Vale pensar que quando um pesquisador publica seu trabalho em uma revista fechada, ele passa todos os direitos de autor para a editora e depois não pode utilizar livremente seu próprio artigo", finaliza Chloe Furnival.

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