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domingo, 25 de agosto de 2019
Em busca do conhecimento

Simpática e sorridente, Dona Terezinha, aos 83 anos aprende a ler e escrever

17 Mai 2019 - 07h59Por Marcos Escrivani
Simpática e sorridente, Dona Terezinha, aos 83 anos aprende a ler e escrever - Crédito: Marcos Escrivani Crédito: Marcos Escrivani

“Meu maior sonho? Poder ler e escrever corretamente”. Este é o principal desejo da dona Terezinha Maria de Jesus Lima, 83 anos, mãe de seis filhos, avó de 10 netos e outros 10 bisnetos. Viúva e pensionista, ao lado da filha caçula, Maria Aparecida, 56 anos, da professora polivalente Rosa Maria de Castro M. Tanganelli, 62 anos e do diretor e professor de Educação Física, Sílvio José Padovan, 55 anos, ela recebeu a reportagem do São Carlos Agora na manhã desta quinta-feira, 16, no Caic Cidade Aracy. O motivo: está aprendendo a ler e a escrever.

Dona Terezinha mora sozinha em uma casa na rua Hilário Martins Dias e é a mais velha de uma família com oito irmãos. “Tenho até irmão que é professor. Mas eu não gostava de estudar quando era jovem”, reconhece.

Sorridente, simpática e com uma conversa que agrada a todos, ela é um exemplo de que para buscar o conhecimento, não é necessário ser jovem.

Quando ficou viúva, há 15 anos e para não depender de filhos, pois não sabia ler e escrever, passou a cursar o Mova (Movimento de Alfabetização). “Mas aprendi o básico e dependia dos outros para fazer qualquer coisa. Até para pagar uma conta, pegar um ônibus. Foi quando acordei para a vida e vi que não era cega. Foi quando tomei a decisão e passei a frequentar salas de aula”, contou.

Dona Terezinha afirmou que o grande passo foi dado há um ano e meio, quando passou a frequentar as aulas regulares da EJA (Educação de Jovens e Adultos), um programa da Prefeitura Municipal.

“Desde então, aprendi bastante. Desde leitura, matemática, geografia e história, as aulas que mais gosto. Aprendi a ler e escrever. Mas ainda tropeço um pouco”, disse, envergonhada. “Principalmente quando vou ler. Vejo que as pessoas ficam me observando e aí dou umas gaguejadas durante a leitura”, emendou.

Desde a sua chegada até o Caic e durante a entrevista, dona Terezinha se emocionava. Tudo pelo fato de estar sendo alfabetizada.

“O que é saber ler e escrever? É a vida. É saúde. É tudo. Eu era cega”, autocriticou-se. “Antes, até para ler os letreiros de um ônibus e ir para casa era difícil. Dependia de outras pessoas”, explicou.

AGORA MORA ACOMPANHADA

Apesar de morar sozinha, dona Terezinha garante que tem companhia. “Meus livros, meus cadernos. Não moro mais sozinha”. Viciada pelo saber, ela disse ainda que todas as quintas-feiras, durante 1h30, no mesmo prédio do Caic, na Biblioteca, participa de aulas de leitura.

“Este é meu hobby, meu passatempo. Nas horas vagas, devoro meus livros e minha leitura prefeitura, é a história antiga. Gosto muito de saber a cada dia, de um fato que marcou a vida da população”, afirmou.

A “TIA” ROSA MARIA

A aluna tem 83 anos. A mestre, 62. Poderia até ser filha. Mas se for levado em consideração que a professora é “tia”, Rosa Maria, tem uma aluna especial.

A professora polivalente integra a EJA e no Caic são três salas com aproximadamente 90 alunos (jovens e adultos de ambos os sexos). As aulas são noturnas (de segunda-feira a sexta-feira).

“Ela diz que eu sou um anjo na vida dela. Então ela também é um anjo em minha vida. Poder alfabetizá-la é gratificante é uma motivação para que eu continue neste ofício. Eu posso ensina-la a ler e escrever. Mas a dona Terezinha me ensina lições de vida”, analisou Rosa Maria.

Segundo a professora, poder alfabetizar adultos é a sensação do dever cumprido e em especial a dona Terezinha é poder se realizar como profissional do ensino. “Ela conversa sobre tudo, uma amiga antes de mais nada. E a cada ano, poder dar essa contribuição é a realização de um sonho, renovado dia a dia”, garantiu.

CONHECIMENTO

Para Sílvio Padovan, diretor do Caic, uma instituição de ensino que abraçou a EJA com carinho, atenção e cuidado especial, independentemente da idade, o conhecimento é o berço da sabedoria. “Se é uma criança, é o início. Já para o adulto é uma oportunidade. É importante. Saber ler e escrever é uma distração para o dia-a-dia. É independência da pessoa. Acredito que poder dar esta oportunidade é positivo para a comunidade. É algo benéfico que deixamos como legado”, finalizou.

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