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quarta, 08 de dezembro de 2021
Dia Mundial do AVC

Santa Casa amplia protocolo internacional e reduz tempo de atendimento a casos em mais de 60%

A média caiu de 57 para 20 minutos. No hospital, são oferecidos tratamentos de ponta a segunda doença que mais mata no Brasil

28 Out 2021 - 10h23Por Redação
O motorista José Cassatte caminhando com a Coordenadora de Enfermagem do Bloco de Enfermaria Clínica pouco antes da alta - Crédito: Assessoria Santa CasaO motorista José Cassatte caminhando com a Coordenadora de Enfermagem do Bloco de Enfermaria Clínica pouco antes da alta - Crédito: Assessoria Santa Casa

O relógio é o grande adversário na luta contra o AVC. Por isso, no mês em que se celebra o Dia Mundial do AVC, a Santa Casa ampliou o protocolo internacional de atendimento aos pacientes com sintomas da doença. Depois de análise clínica, o paciente é levado para fazer tomografia. Se o problema for constatado por exame, no mesmo local, o paciente já recebe o trombolítico – medicamento que desobstrui os vasos sanguíneos e faz com que o sangue volte a irrigar o cérebro. Com isso, a média de tempo de atendimento, desde a chegada do paciente ao hospital até o início do tratamento, caiu de 57 minutos para 20 minutos.

“Para que o remédio consiga dissolver o coágulo e assim desentupir os vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, ele precisa ser aplicado até quatro horas e meia depois do aparecimento dos primeiros sinais. Por isso, essa redução no tempo de atendimento é tão significativa e diminui bastante a chance do paciente de ter sequelas”, explica a Coordenadora de Enfermagem do Pronto-Socorro da Santa Casa, Ariadni Martins.

Foi o caso do motorista José Cassatte. No dia 22 de outubro, ele saiu de Araraquara e viajou a Ibaté para fazer entregas a casas de paisagismo. Quando chegou a uma floricultura, passou mal e desmaiou. “Eu não vi nada. Mas me contaram que o chefe da empresa onde trabalho chamou o socorro e vim de ambulância para a Santa Casa de São Carlos. Cheguei às 9h30 e ao meio-dia, já tinha sido atendido e medicado. Foi muito rápido”.

O motorista ficou 5 dias internado e recebeu alta no dia 27 de outubro. “Saio do hospital sem nenhuma sequela. Estou andando normalmente. Não estou sentindo nada. Fiquei admirado com o bom atendimento. Só tenho a agradecer”, afirma.

AGILIDADE NO ATENDIMENTO

A equipe da Santa Casa é constantemente treinada a fim de realizar o diagnóstico e aplicar o tratamento com rapidez. Nesse sentido, foi realizada no dia 22 de outubro uma Simulação de Atendimento de AVC, com apoio do SENAC. A equipe que fez o atendimento não sabia que se tratava de uma simulação, justamente para que fosse possível mensurar o tempo de atendimento.

Os estudantes do Curso Técnico de Teatro do SENAC, Ana Catarina Fernandes e Micael Presse, deram entrada na Santa Casa, como se fossem, respectivamente, uma paciente com sintomas de AVC e o irmão que a acompanhava. Dos primeiros atendimentos, diagnóstico e ao que seria o início do tratamento, a equipe de profissionais de saúde levou 6 minutos.   

“Quando se trata de AVC, quanto mais rápido e preciso for o atendimento, mais chances o paciente tem de não desenvolver sequelas. Isso é resultado de um esforço conjunto da equipe de neurologistas, de enfermagem e do CIDI (onde os exames de tomografia têm sido realizados). É uma verdadeira força-tarefa pela vida dos pacientes”, afirma o Coordenador do Serviço de Neurologia da Santa Casa, Vitor Marques.

“Participar dessa simulação foi uma experiência enriquecedora. Pude entender mais sobre o próprio AVC e outras doenças. E senti na pele a preocupação de toda equipe em correr contra o tempo para me salvar. Eu tenho 21 anos e eles me explicaram que o AVC em jovens é mais raro, mas pode trazer sequelas mais graves. Por isso, o empenho em identificar o que eu tinha para me socorrer, foi enorme. Senti muito orgulho em fazer parte desse trabalho, ainda que apenas por um momento”, afirma a estudante de Teatro do Senac, Ana Catarina Fernandes.

O QUE É O AVC

A Santa Casa atende, em média, 34 pacientes com diagnóstico de AVC por mês. 14,7% chegam a tempo de receber o tratamento e o medicamento adequados para evitar as sequelas da doença.

O AVC (Acidente Vascular Cerebral), conhecido popularmente como derrame, é a segunda doença que mais mata no Brasil e a principal causa de incapacidade no mundo. Aproximadamente 70% das pessoas não retornam ao trabalho após um AVC devido às sequelas, e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia. Pode ocorrer em qualquer idade, inclusive nas crianças, mas costuma ser mais frequente em idosos e pessoas com problemas cardiovasculares. A incidência de AVC vem crescendo cada vez mais entre os jovens, ocorrendo em 10% de pacientes com menos de 55 anos. Os dados são da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.

Existem dois tipos de AVC: o hemorrágico, que representa 20% dos casos, ocorre quando um vaso cerebral se rompe, provocando hemorragia. Já o mais comum, o AVC isquêmico, representa 80% dos casos e acontece quando uma artéria fica obstruída, impedindo a passagem de oxigênio para as células do cérebro, que acabam morrendo.

Na Santa Casa, além da equipe com 5 neurologistas especializados, os pacientes também recebem visitas semanais de uma equipe multiprofissional, formada por assistente social, psicólogo, nutricionista, enfermeiro e fonoaudiólogo.

SINTOMAS E PREVENÇÃO

É fundamental identificar os sintomas o quanto antes e procurar por atendimento médico. Quanto mais rápido o paciente for atendido, maior a chance de ficar sem sequelas.

Por isso, é tão importante ficar atento aos sintomas. Uma dica dos especialistas é lembrar da sigla SAMU:

SORRISO – Peça para a pessoa dar um sorriso. Se a boca ficar torta, é um sinal de AVC

ABRAÇO – Peça para a pessoa dar um abraço. Se a pessoa não conseguir levantar os dois braços, é outro sintoma.

MÚSICA – Peça para a pessoa cantar. Se tiver dificuldade, é outro sinal de alerta.

URGENTE – Se a pessoa apresentar qualquer um desses sintomas, acione o SAMU.

E mais importante ainda é se prevenir. “O estilo de vida conta muito. Pressão alta, diabetes, colesterol; tabagismo e o estresse são fatores de risco para o AVC. Por isso, a principal forma de prevenção é manter hábitos saudáveis para evitar esses fatores de risco, praticar atividade física regularmente; alimentar-se bem e, assim, evitar a obesidade e procurar um médico regularmente”, explica o Coordenador do Serviço de Neurologia da Santa Casa, Vitor Marques.

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