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terça, 11 de agosto de 2020
Indefinições com o “novo normal”

Restaurantes, hotéis e lanchonetes não descartam falências e demissões

29 Jun 2020 - 07h58Por Marcos Escrivani
Estabelecimento de Benetti reduziu os números de funcionários para se adequar a realidade: pandemia da Covid-19 - Crédito: Marcos EscrivaniEstabelecimento de Benetti reduziu os números de funcionários para se adequar a realidade: pandemia da Covid-19 - Crédito: Marcos Escrivani

Receosos e preocupados com o que está sendo chamado de “novo normal” pós-pandemia Covid-19 e temerosos com a possibilidade de falências e muitas demissões, o segmento de restaurantes, hotéis e lanchonetes de São Carlos luta para “matar um leão por dia”. Comerciantes não escondem um abatimento devido as incertezas e tentam buscar alternativas para não encerrar atividades e na atualidade trabalhar para tentar, ao menos, “empatar” os investimentos.

Esta foi a impressão deixada pelo comerciante Marcos Aurélio Fróis Benetti, 46 anos e vice-presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Sinhores) de São Carlos que atende 10 cidades da região. Somente na cidade, São 130 estabelecimentos associados e que empregam aproximadamente 3 mil funcionários. Mas há uma estimativa de que entre os comércios não associados, atinja uma entre 7 e 9 mil trabalhadores neste segmento.

O São Carlos Agora em entrevista realizada na tarde deste domingo, 28, conversou com Benetti em seu estabelecimento que, a exemplo de dezenas em São Carlos atende pelo sistema delivery ou drive-thru. “Temos que nos reinventar para sobreviver. Mesmo assim, infelizmente, a procura caiu sensivelmente e tive que fazer várias demissões”, lamentou. “E, sinceramente, não sei como será o futuro”, disse, com o semblante preocupado.

DESDE MARÇO

Com a chegada da pandemia do Sars-Cov-2, na segunda quinzena de março (mais de 100 dias de isolamento social imposto por seguidos decretos estaduais e municipais), segundo Benetti, o segmento econômico não sabe o caminho a seguir devido a uma possível falta de planejamento das autoridades políticas para definir o rumo dos estabelecimentos comerciais.

“Há várias questões em discussão. Mas a certeza é que não sabemos como será a reabertura. Falo em nome de todos os comerciantes associados ao Sinhores que seguem uma norma rígida quanto aos protocolos de segurança. Porém não temos ideia quando iremos reabrir as portas. E quando isso ocorrer, temos ainda que, várias vezes, insistir com os clientes que procuram os nossos estabelecimentos a aceitar os protocolos (uso de máscaras e distanciamento social imposto pelas autoridades sanitárias). Muitos dizem que não há necessidade e acabam prejudicando a nós, que precisamos trabalhar para alimentar nossas famílias e gerar empregos”, desabafou.

NO SALÃO, MAIS SEGURANÇA

Benetti espera que, o quanto antes, São Carlos volte a ser classificada na “faixa amarela” pelo Governo do Estado, o que sugere que a curva de transmissão do novo coronavírus tenha se achatado, e com isso restaurantes, bares e hotéis possam reabrir suas portas.

Porém, o vice-presidente do Sinhores fez uma ponderação e espera que seja atendido, uma vez que as autoridades políticas e sanitárias definem que o atendimento deva ser feito em áreas abertas. “Se isso acontecer, ficará difícil controlar os clientes que irão se concentrar, por exemplo, na calçada. Acontece aglomeração e podemos ser penalizados. Tenho plena convicção que se pudermos atender consumidores dentro do salão, com número limitado, distanciamento de 1,5 entre as mesas, máscaras e álcool em gel, teremos mais condições de controlar as pessoas. Como iniciativa própria, adquiri inclusive aparelhos para medir na entrada a temperatura de cada cliente que for vir ao meu estabelecimento”, explicou.

FALÊNCIAS, DEMISSÕES, COBRIR GASTOS

Benetti disse ao SCA que, infelizmente, teve que reduzir seu quadro de colaboradores. “Cheguei a ter 23 funcionários”, recorda. “Mas tive que fazer vários desligamentos”, lamentou.

Há mais de 100 dias, o segmento sofre devido a pandemia da Covid-19 e adianta. “Nosso futuro é incerto. Acredito que irá ocorrer muito mais demissões e não descarto falências. Eu, por exemplo, trabalho com uma equipe reduzida e atendo por delivery e drive-thru. Mas o movimento caiu muito e durante esta pandemia, trabalhamos apenas para cobrir os gastos. Mas não sei como o setor reagirá pós-pandemia”, pontuou.

REINVENTAR

Em um grupo de WhatsApp onde há os proprietários de várias casas comerciais que trabalham neste segmento, há um debate sobre o “novo normal pós-pandemia” e a unanimidade entre eles é que muita coisa irá mudar. “Por exemplo, a renda da maioria das famílias caiu. O mercado futuro é incerto. Com menos dinheiro, as pessoas irão sair menos. Sem contar que o medo ficará no ar. Muitos frequentadores de bares, restaurantes e lanchonetes demorarão a retornar ao hábito”, analisou, salientando que desde 2015 a margem de lucro dos comerciantes do setor caiu consideravelmente.

“Desde então trabalhamos mais para ter um rendimento menor. Tínhamos uma esperança em 2020 que começou bem, mas fomos pegos por essa pandemia. Desde então lutamos para nos manter com menos clientes, menos funcionários, menos faturamento. Porém, as contas são as mesmas e temos que arranjar meios para saldar nossos compromissos. Estamos temerosos com o presente e muito preocupados com o que será o “novo normal”, o futuro”, finalizou.

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