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domingo, 27 de setembro de 2020
Estados de depressão na Universidade

Psicóloga ao serviço do IFSC/USP em apoio constante

01 Dez 2018 - 08h26Por Redação
Psicóloga ao serviço do IFSC/USP em apoio constante - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Nem todos sabem, mas é certo que cerca de 50% dos adultos tende a sofrer de alguma doença mental em determinado momento de sua vida, sendo que mais de metade dessas pessoas sentem sintomas de moderados a graves. Contudo, apesar dessa prevalência elevada de doenças mentais, apenas cerca de 20% das pessoas que têm doença mental procura assistência médica, muitas vezes por estigma – sentem-se culpadas pela doença, considerando-se muitas vezes preguiçosas, irresponsáveis ou incapazes.

Para Caroline Carney (MD, MSc, Chief Medical Officer, Magellan Healthcare), dentre o rol de sintomas que se inserem no conjunto de doenças mentais, o líder é a depressão, já identificada como o pior quadro e que é capaz de causar incapacidade para o trabalho, seguindo-se o estresse e a ansiedade. Poderíamos atribuir, na maior parte das vezes, que o aparecimento da doença mental se deve a fatores genéticos que são “acelerados”, potencializados, com a ocorrência de um estresse adicional na família, no ambiente de trabalho, nos estudos ou nos círculos de amizades: contudo, nem sempre esses fatores se conjugam e a depressão pode, sim, surgir de forma espontânea e crescente.

Em um estudo recente realizado por Ariana Celis Alcântara, assistente social da Divisão de Saúde Ocupacional e professora do Departamento de Política, Gestão e Saúde da Faculdade de Saúde Pública da USP, entre os anos de 2012 e 2016 os afastamentos de servidores (funcionários e docentes) causados por doenças mentais foram os mais notórios, sendo que a depressão se apresentou como a primeira causa, com 1.043 casos,

Este cenário não surgiu de repente no seio da USP, muito pelo contrário: ele foi crescendo lentamente e sendo acompanhado ao longo do tempo e, na medida em que novos casos despontaram na comunidade, medidas foram sendo tomadas para prestar apoio imediato não só a servidores e docentes da Universidade, mas principalmente aos alunos de graduação e pós-graduação, atendendo a que começaram a ser detectados casos graves, alguns deles relacionados com tentativas de suicídio.

O Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) foi uma das Unidades que avançou no sentido de disponibilizar um serviço de acolhimento, orientação e psicoterapia, coordenado por uma profissional da área, no sentido de dar um apoio imediato a quem apresenta sintomas relacionados com doenças mentais, principalmente depressão e ansiedade, tidas como as mais predominantes no nosso Instituto e que atingem com maior incidência a população estudantil, por ser, nestes casos, a mais vulnerável.

Isolamento e falta de suporte familiar e social são os principais fatores detectados em alunos do IFSC/USP que procuraram a ajuda da psicóloga Bárbara Kolstock Monteiro, que é a responsável por trazer até ao nosso Instituto diversos temas relacionados com as doenças mentais, através de várias palestras denominadas “IFSC e Bem Estar de sua Comunidade”, bem como atender quem necessita de ajuda. Até à presente data, Bárbara já atendeu a 91 casos. “De fato, a depressão e a ansiedade são os quadros que mais aparecem no IFSC/USP, não tanto entre funcionários, mas principalmente entre os alunos de graduação e pós-graduação. Aliados a esse quadro, temos situações com abuso de álcool, ingestão de medicamentos e drogas, o que contribui para um agravamento do estado depressivo, sendo o número de mulheres superior ao dos homens, embora esse índice não represente apenas um maior adoecimento por parte delas, mas também a maior facilidade em solicitar ajuda - a literatura aponta que mulheres cuidam mais da saúde do que os homens”, esclarece Bárbara. Problemas financeiros, dramas familiares, isolamento e frustração no rendimento escolar são algumas das causas que levam a situações extremas, como, por exemplo, o caminho para o suicídio, já detectados no nosso Instituto, mas devidamente enquadrados pela profissional. “A metodologia aplicada é, em primeiro lugar, fazer o acolhimento, escutar e validar o sentimento da pessoa, dando seguimento aos problemas considerados mais graves, como é o caso da tendência ao suicídio e é aí que nossas forças têm que estar conjugadas”, enfatiza a psicóloga.

Como reforço de sua atuação no IFSC/USP, Bárbara Kolstock Monteiro cogita, entre outros projetos, iniciar já a partir do próximo mês de janeiro de 2019 a criação de grupos terapêuticos com alunos de graduação, pós-graduação e funcionários, bem como tentar fazer parcerias específicas com o CEFER/USP para promover atividades físicas específicas, atendendo a que as mesmas irão repercutir na saúde mental das pessoas. A importância do trabalho de Bárbara concentra-se no fato de que o IFSC é formado por pessoas e que quando se melhora a qualidade de vida delas elas têm essa percepção íntima. Com isso, quando elas sentem esse bem estar, elas se tornam melhores profissionais, ou melhores alunos e conseguem produzir mais, até para elas mesmas. “Eu acredito muito no trabalho da psicologia neste sentido de ajudar a ultrapassar dificuldades, por forma a que essas pessoas comecem a ter um olhar diferente em relação ao IFSC/USP, que não é um lugar de sofrimento, mas de prazer, de promoção da saúde e do são convívio. Minha missão é identificar o que está causando sofrimento, adoecimento, e buscar as modificações necessárias para se atingir o bem estar individual e coletivo, tal como muito bem tem feito a Biblioteca do IFSC/USP que tem sido muito parceira nessa busca, através da iniciativa “Momento bem estar na Biblioteca do IFSC/USP”, com práticas de meditação que ajudam todo o processo. Todos nós precisamos ter vários pilares no nosso dia-a-dia: não podemos apenas trabalhar, ou estudar, ou ser só pai, só mãe. Precisamos diversificar os nossos dias para ter equilíbrio e bem estar”, conclui Bárbara Kolstock Monteiro.

Para contatar com a Dra. Bárbara Kolstock Monteiro, utilize o email barbarakmpsico@gmail.com

Confira na galeria os gráficos relativos aos atendimentos realizados no IFSC/USP. (Rui Sintra – jornalista)

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