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sexta, 20 de fevereiro de 2026
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Pesquisadores da Embrapa participam de grupo consultivo técnico da FAO

20 Fev 2026 - 17h50Por Jessica CR
Pesquisadores da Embrapa participam de grupo consultivo técnico da FAO -

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), por meio da Parceria de Avaliação e Desempenho Ambiental da Pecuária (LEAP), anunciou, neste mês, especialistas para coordenar a elaboração de diretrizes globais de estratégias de mitigação de emissões de gases de efeito estufa na pecuária nos inventários nacionais.

Entre os quatro co-líderes do Grupo Consultivo Técnico (GCT), selecionados em consulta com os Estados-Membros da FAO e os parceiros da LEAP – braço científico da FAO para assuntos de pecuária –, está o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste, Alexandre Berndt. Além dele, também participa do grupo, como membro, o pesquisador da Embrapa Agrobiologia Bruno Alves.

O trabalho de Berndt tem foco em sistemas de produção pecuária de baixo carbono, com ênfase nas emissões e mitigação de metano. Sua indicação levou em consideração as qualificações técnicas e o apoio do governo, e o pesquisador teve respaldo tanto do Ministério de Relações Exteriores quanto do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

De acordo com o chefe-geral, o grupo consultivo técnico é bastante qualificado e diverso, o que traz grandes desafios para alcançar o consenso nas decisões. “As guias da LEAP são diretrizes de como proceder para incorporar nos inventários diferentes estratégias de mitigação, não um manual prático. Definir esses padrões globais para que países com realidades diferentes possam adotá-los exige um grande esforço de negociação”, explica Berndt.

Para ele, o consenso técnico precisa garantir que os países consigam reportar seus avanços em relação às NDCs (compromissos nacionais de redução de emissões) de forma robusta perante a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC). “É um trabalho bastante desafiador, mas vale a pena. Vai ser um ano intenso de trabalho para entregar o guia para uma revisão pública no começo do próximo ano”, conta. 

Alves concorda, e destaca a importância da participação da Embrapa em um comitê desse porte. “Temos ampla experiência na agropecuária tropical, na agropecuária baseada em pastagens, e podemos fazer a diferença nas discussões em termos de caracterização das emissões, protocolos e métodos de medição das emissões em ambiente tropical”, aponta.

Pesquisador da Embrapa há mais de 30 anos, com relevantes estudos no tema de gases de efeito estufa (GEE), Alves também integra o grupo que elabora periodicamente o Inventário Nacional de Emissão de GEE, um importante documento que registra as fontes de emissão e remoção, baseando-se nos princípios de transparência, consistência, comparabilidade, completude e acurácia. “Berndt e eu participamos do inventário desde os primeiros que o Brasil produziu e, com isso, fomos amadurecendo e descobrindo como conseguir representar os sistemas agropecuários, as bases de dados necessárias, os modelos que podem ser utilizados. Isso certamente vai fazer diferença nas discussões para propor protocolos e modelos de representação das emissões", destaca.

Alinhamento internacional

Segundo a FAO, a atuação dos co-líderes vai garantir que as diretrizes finais mantenham a integridade científica, a transparência e a relevância global dos métodos da LEAP, além de auxiliar os países a alinhar suas atividades de mitigação com os padrões internacionais de relato.

Além de Alexandre Berndt, assumem a co-liderança o professor da Universidade Estadual da Pensilvânia (EUA), Alexander N. Hristov; a especialista em Inventário de GEE Agrícolas do Centro de Emissões Agrícolas da Nova Zelândia, Andrea Pickering; e a cientista sênior do Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária (ILRI/Quênia), Claudia Arndt.

 

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