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sexta, 06 de dezembro de 2019
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Pesquisa da UFSCar avalia os efeitos das Danças Circulares em idosos cuidadores de pacientes com Alzheimer

27 Abr 2017 - 07h21Por Redação
Foto: Arquivo/SCA - Foto: Arquivo/SCA -

No último dia 27 de março, foi divulgada a Portaria 849 do Ministério da Saúde que reconhece a Dança Circular como terapia e a inclui oficialmente na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPI) do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil. As Danças Circulares representam um movimento mundial que une danças tradicionais de diversos povos a estilos contemporâneos. A prática é sempre realizada em círculos, com os participantes de mãos dadas, mas pode ter outros desenhos, como duplas e troca de pares, com o intuito de estimular a integração entre pessoas de diferentes faixas etárias e condições físicas, sem enfoque na plasticidade ou na técnica.

Uma pesquisa da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) tem por objetivo avaliar o efeito de um protocolo de 12 semanas de Danças Circulares em variáveis cognitivas, psicológicas, físicas e relacionadas à síndrome da fragilidade em idosos cuidadores de pacientes com doença de Alzheimer. O estudo é desenvolvido pela doutoranda Julimara Gomes dos Santos, no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia (PPGFisio) da UFSCar, sob orientação da professora Anielle Takahashi e coorientação da docente Larissa Pires de Andrade, ambas do Departamento de Fisioterapia (DFisio) da Universidade.

De acordo com pesquisadora, a literatura científica aponta que, em geral, a saúde física e psicológica de cuidadores de pessoas com Alzheimer é pior quando comparada a de sujeitos não cuidadores ou de cuidadores de pacientes com outras patologias. Além disso, Santos diz que esse contexto se agrava quando são idosos cuidando de outros idosos, já que os próprios cuidadores estarão vivenciando alterações motoras e cognitivas decorrentes do processo de envelhecimento. Além disso, "a exposição a eventos estressores comuns à tarefa de cuidar de um idoso que tem uma doença progressiva e sem perspectiva de cura, acrescida das modificações psicossociais e físicas, advindas com a velhice, sugere que o idoso cuidador de um idoso com Alzheimer pode estar sujeito à síndrome da fragilidade, sendo classificado como pré-frágil", afirma ela. Esses cuidadores pré-frágeis apresentam características como capacidade funcional reduzida, sobrecarga elevada e sintomas depressivos, tornando-os mais suscetíveis a quedas, perda de independência, hospitalização e até à morte.

Diante desse contexto, Santos destaca que a Dança Circular mostra-se como uma opção de atividade física prazerosa, não farmacológica, que não exige técnica, e sua prática pode contribuir para a promoção da saúde física e psicológica dos cuidadores e, com isso, retardar o possível desenvolvimento da síndrome da fragilidade entre eles. "Além disso, o simbolismo de dançar em círculo e de mãos dadas com outros cuidadores que estão passando pelas mesmas dificuldades propicia sensação de pertencimento a um grupo, de igualdade, confiança e sentimentos de união consigo mesmo e com os outros", defende a doutoranda.

Santos acredita que os resultados da sua pesquisa poderão servir de base para fundamentar e promover a institucionalização das Danças Circulares no SUS, a partir da PNPI. E, por terem sido recentemente incluídas nessa Política Nacional, a pesquisadora prevê que deve haver um aumento da demanda dessa prática por parte da população e a necessidade de capacitação dos profissionais da saúde para aplicá-la.

Para desenvolver a pesquisa, estão convidados voluntários, homens e mulheres, com 60 anos ou mais que cuidem, há pelo menos seis meses, de um familiar com diagnóstico de Alzheimer, que não apresentem contraindicação para a prática de exercício físico e que tenham a disponibilidade para frequentar as sessões duas vezes por semana, durante três meses. As sessões terão duração de uma hora e serão realizadas em dois locais: na Unidade Saúde-Escola (USE), na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar, às quartas e sextas-feiras, das 16 às 17 horas; e na Unidade Básica de Saúde (UBS) Botafogo, que fica na Av. José Pereira Lopes, 1.650, às terças (17h30) e quintas (15 horas). Os horários da UBS Botafogo podem ser alterados.

Os voluntários serão divididos em dois grupos: Grupo Intervenção, que participará do Protocolo de Danças Circulares, e Grupo Controle que não receberá nenhum tipo de intervenção para que possa ser avaliado o efeito das danças. A pesquisadora, no entanto, ressalta que o Grupo Controle também fará as danças após o encerramento da pesquisa. Interessados em participar do estudo podem entrar em contato com Julimara Santos até o final do mês de junho pelos telefones (16) 3351-8704 e (33) 99113-2227 (WhatsApp) ou pelo e-mail dancaparacuidadores@gmail.com.

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