Menu
terça, 19 de janeiro de 2021
Saúde

Pesquisa da UFSCar aborda a ação de enfermeiros em casos de infecção generalizada

13 Dez 2018 - 07h27Por Redação
Pesquisa da UFSCar aborda a ação de enfermeiros em casos de infecção generalizada - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

"Julgamento clínico e autoeficácia de enfermeiros para o manejo da sepse: uso da simulação clínica" é o título da pesquisa de doutorado realizada por Lilian Regina de Carvalho, junto ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PPGEnf) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O estudo - orientado pela professora Silvia Zem Mascarenhas, do Departamento de Enfermagem (DEnf) da Instituição -, foi a primeira tese defendida no Programa.

A sepse é um conjunto de manifestações graves em todo o organismo produzidas por uma infecção. O quadro era chamado de septicemia ou infecção no sangue e, atualmente, é conhecido como infecção generalizada. O quadro de sepse é grave e pode levar o paciente a óbito se não for identificado e tratado com urgência. De acordo com o Instituto Latino Americano de Sepse, a doença é a principal causa de morte nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e uma das principais causas de mortalidade hospitalar tardia, superando o infarto do miocárdio e o câncer. Tem alta mortalidade no Brasil, chegando a 65% dos casos, enquanto a média mundial está em torno de 30 a 40%.

"A motivação para pesquisar o assunto partiu da relevância da sepse, que já é considerada um problema de saúde pública e um desafio para as organizações de saúde por estar entre as principais causas de morte de pacientes hospitalizados", aponta Lilian de Carvalho. Ela também explica que o enfermeiro tem um papel fundamental no reconhecimento precoce da infecção, para início imediato das intervenções necessárias. "Enfermeiros capacitados podem realizar uma rápida intervenção após a detecção da sepse, uma vez que o índice de mortalidade cai drasticamente quando a primeira dose do antibiótico é administrada na primeira hora", complementa ela.

Para capacitar esses profissionais no diagnóstico precoce, o estudo teve como objetivo avaliar a resposta da autoeficácia e do julgamento clínico de enfermeiros para o manejo da sepse, a partir de simulação clínica de alta fidelidade. A pesquisa utilizou a simulação com enfermeiros para estimular o julgamento e a tomada de decisão em uma situação específica de atendimento ao paciente. "A simulação clínica é uma estratégica importante para alunos e profissionais que se mostram mais interessados quando se utilizam metodologias ativas, com possibilidade de experimentação, sem a exposição de um paciente real", explica a orientadora.

O cenário para a realização das simulações foi desenvolvido em um hospital de ensino de alta complexidade na cidade de São Carlos, com a participação de 28 enfermeiros da instituição. De acordo com a pesquisadora, os resultados dos testes aplicados mostraram que com a simulação foi possível aprimorar o conhecimento e julgamento clínico do enfermeiro no manejo da sepse. "Após a simulação, os participantes relataram estar mais preparados para a identificação precoce da sepse, bem como para a intervenção urgente. Atributos que refletem em uma assistência segura e de qualidade", garante Carvalho.

O principal resultado do estudo foi a comprovação de que o uso da simulação melhorou o julgamento clínico, a autoeficácia e o conhecimento dos enfermeiros no que se refere à sepse. "A pesquisa mostra também que a simulação pode ser utilizada para a capacitação de enfermeiros no local de trabalho, trazendo benefícios aos profissionais e, consequentemente, à população", destaca a pesquisadora.

PRIMEIRA DEFESA DO PPGEnf

A pesquisa resultou na primeira tese de doutorado defendida no PPGEnf da UFSCar. A defesa aconteceu no dia 23 de novembro com a banca composta pela orientadora; Angelita Stabile e Luciana Fonseca, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da Universidade de São Paulo (USP); e pelas professoras do PPGEnf Aline Helena Eduardo e Rosely Moralez de Figueiredo, que também coordena o Programa.

Além de reconhecer a relevância do estudo e a sua aplicação rápida em benefício da sociedade, a coordenadora do PPGEnf celebra a primeira tese defendida. "É motivo de grande satisfação para o Programa ter sua primeira defesa de tese. A formação de doutores demonstra o amadurecimento do PPGEnf e eleva o seu papel na formação de pesquisadores e de produtor de conhecimento", avalia Figueiredo. O Programa iniciou a primeira turma de doutorado em agosto de 2015.

"Estamos orgulhosas de termos sido a primeira defesa de tese do Programa com uma pesquisa que poderá, com certeza, contribuir para melhorias no atendimento aos pacientes nas instituições de saúde", conclui Silva Zem Mascarenhas.

comments powered by Disqus

Leia Também

Últimas Notícias