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quinta, 23 de janeiro de 2020
Luta diária para sobreviver

Pacientes que fazem hemodiálise sofrem com falta de medicamentos

21 Jan 2019 - 07h22Por Marcos Escrivani
Pacientes que fazem hemodiálise sofrem com falta de medicamentos - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Muitos pacientes que fazem hemodiálise na Santa Casa de São Carlos passam por dificuldades e às vezes sofrem com a falta de medicamentos (Hemax, um remédio de alto custo e uso contínuo que é aplicado logo após as sessões).

Na manhã de sábado, 19, o São Carlos Agora manteve contato com uma paciente que relatou o drama que sofre e ainda a luta diária para sobreviver, já que seus dois rins pararam de funcionar. A história é triste mas ela fez questão de relatar com o intuito de tentar sensibilizar àqueles que teriam por obrigação minimizar os problemas enfrentados por quem necessitam fazer tais sessões.

Aposentada e com 35 anos, Edleuza Regina Braga reside no Jardim Veneza e os problemas de saúde tiveram início quando era casada e engravidou. Adquiriu lúpus e com 7 meses de gestação aconteceu aborto espontâneo.

Iniciou tratamento que durou 9 anos, até que os dois ruins pararam de funcionar devido a uma nefrite.

Desde então, há cinco anos realiza três vezes por semana sessões de hemodiálise na Santa Casa. “São quatro horas a cada sessão”, disse Edleuza que teve a situação complicada nas últimas semanas quando deixou receber o Hemax, um medicamento de uso contínuo e de alto custo. “Ele não é comercializado em farmácias e sim, de uso hospitalar. É aplicado após as sessões. É injetável (intramuscular ou na barriga)”, explicou Edleuza. Segundo ela chegou a ficar dois meses sem utilizar o remédio. “Às vezes tinha, às vezes não. Mas é um direito que o paciente tem ao final de cada sessão”, emendou.

RISCO DE MORTE

Médicos especialistas afirmam que, com a falta do Hemax, o paciente corre risco de morte. Edleuza contou que semana passada chegou a protestar publicamente e o remédio “surgiu”. “Fui sexta-feira fazer uma das sessões e recebi a injeção após quatro horas de hemodiálise. Mas na Santa Casa há três salões onde são feitos tais sessões e acredito que mais de 100 pessoas realizam tal procedimento. E conversei com vários e alguns disseram que não receberam a dose do Hemax”, revelou. “Eles também sofrem com a falta de medicação. Não tomaram nada na Santa Casa”, admitiu.

TRISTE E SEM PERSPECTIVA

Durante a entrevista, o SCA buscou um perfil de Edleuza que se mostrou uma mulher jovem, mas que carrega tristeza e afirma não ter perspectiva quanto ao seu futuro. Admite que poderia fazer transfusão de rim, mas não está na fila do transplante.

Indagada, afirmou que convive com seu problema. “Sou aposentada e não faço nada. Minha saúde é debilitada e sei que meu compromisso e rotina são sessões semanais às segundas-feiras, quartas-feiras e sextas-feiras. Quando estou em casa, minha vida é limitada e alimentação controlada”, disse, em tom de lamento. “Se eu faltar, vou passar mal”, emendou.

Edleuza disse ainda que se soubesse que o tratamento para que pudesse viver seria assim, não sabe se faria a hemodiálise. “Não sei se teria começado. É uma rotina sagrada, que não tem férias e que segue uma linha reta”, afirmou com uma frase dolorosa. “Não tenho medo de morrer. Enfrentar o tratamento é não ter escolha de vida. É uma provação”, afirmou, dizendo ainda que muitos pacientes sofrem com momentos depressivos.

LIÇÃO DE VIDA

Contudo, triste e cabisbaixa, Edleuza procura passar a todos com quem conversa lições de vida. “Digo para meus familiares e amigos que preste atenção na saúde. Cuide com carinho dos rins. Se eu tivesse uma segunda chance iria me cuidar muito melhor. Estar semanalmente em uma sala fazendo hemodiálise ao lado de outras pessoas é muito triste. Não desejo isso a ninguém”, finalizou.

O QUE É LÚPUS?

O lúpus eritematoso sistêmico (LES), conhecido popularmente apenas como lúpus, é uma doença inflamatória de origem autoimune que pode afetar múltiplos órgãos e tecidos, tais como pele, articulações, rins, cérebro e outros órgãos.

Doenças autoimunes ocorrem quando o sistema imunológico ataca tecidos saudáveis do corpo por engano. Dentre mais de 80 doenças autoimunes conhecidas, o lúpus é uma das mais importantes. (fonte: minhavida.com.br)

O QUE É NEFRITE

nefrite é um conjunto de doenças que causam inflamação dos glomérulos renais, que são estruturas dos rins responsáveis por eliminar as toxinas e outros componentes do organismo, como água e sais minerais. Nesses casos o rim tem menor capacidade para filtrar o sangue.

Os principais tipos de nefrite que estão relacionados com a parte renal afetada ou com a causa que a provoca, são:

Glomerulonefrite, em que a inflamação afeta principalmente a primeira parte do aparelho de filtragem, o glomérulo, podendo ser aguda ou crônica;

Nefrite intersticial ou nefrite tubulointersticial, em que a inflamação ocorre nos túbulos dos rins e nos espaços entre os túbulos e o glomérulo;

Nefrite lúpica, em que a parte afetada também é o glomérulo e é causada pelo Lúpus Eritematoso Sistêmico, que é uma doença do sistema imunológico.

A nefrite pode ser aguda, quando surge rapidamente devido a uma infecção grave, como por exemplo infecção na garganta por Streptoccocus, hepatite ou HIV ou crónica quando se desenvolve lentamente devido a lesões mais graves dos rins. (fonte: tuasaude.com.br)

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