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domingo, 19 de maio de 2019
Trabalho concluído em São Carlos

Membrana celular é usada como matéria prima para construir nanocápsulas para combater o câncer

13 Mai 2019 - 15h21Por Redação
Membrana celular é usada como matéria prima para construir nanocápsulas para combater o câncer - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

O Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), liderado pelo Prof. Valtencir Zucolotto, em estreita colaboração com o Instituto de Química da Unicamp, liderado pelo Prof. Wagner Fávaro, acaba de concluir um trabalho em nanomedicina contra ao câncer, utilizando uma membrana celular como matéria prima para a fabricação de nanocápsulas para entrega de terapia em células tumorais. Recordamos que, usualmente, as nanocápsulas são feitas de outros materiais, incluindo polímeros, lipídeos, cerâmica, etc.

Esta pesquisa, publicada no passado mês de fevereiro pela revista “ACS - Applied Bio Materials”, relata o trabalho multidisciplinar que foi feito, envolvendo aspectos relacionados com nanotecnologia, biotecnologia e biologia celular.

A nova nanocápsula foi construída com membranas celulares, extraídas de cultura celular, prevendo-se, no futuro, que essa células possam ser recolhidas através de biópsias dos próprios pacientes. O trabalho consistiu em separar a membrana dessa célula colhida em cultura, substituindo todo o interior da mesma, onde foi colocado um quimioterápico, um extrato vegetal (betalapaxona), enquanto que no interior da célula se introduziu um nanobastão, ou "nanorod" de ouro; ou seja, a nanocápsula ficou funcionalizada com duas frentes de ataque. Como a membrana da nanocápsula tem a composição muito parecida da célula tumoral, o processo de reconhecimento é melhorado, a princípio, sem qualquer rejeição, pois o organismo tende a não reconhecer a nanocápsula como um corpo estranho. O processo final consiste em irradiar com luz infravermelha a nanocápsula, que, com o calor, libera os fármacos na célula doente, provocando a morte da mesma pela ação do fármaco, e pelo aumento da temperatura (foto-hipertermia).

Todas as etapas de síntese e caracterização dessas nanopartículas foram realizadas no IFSC/USP pela Dra Valéria Marangoni, ex-aluna de doutorado no GNano, incluindo os testes in vitro em culturas celulares. A pesquisa passou para a vertente in vivo, na UNICAMP, onde foram induzidos tumores de bexiga em cobaias. Na sequência, o método e a irradiação foram utilizados apenas uma vez, por um par de minutos, tendo-se verificado que nenhum dos tumores cresceu, tendo mesmo alguns regredido.

Até onde se sabe, este é o primeiro trabalho do gênero a ser realizado no nosso país, sendo que o sistema poderá ser utilizado futuramente em qualquer tipo de tumor cancerígeno, através de aplicação intravenosa. (Rui Sintra - Assessoria de Comunicação - IFSC/USP)

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