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quinta, 21 de outubro de 2021
Dano aos cofres e ao meio ambiente

Fogo causa prejuízo de R$ 1,2 milhão à Embrapa São Carlos

Além da morte de animais, pastagens e APPs foram destruídos; 912 há foram queimados e pesquisas prejudicadas

17 Set 2021 - 10h59Por Marcos Escrivani
Veterinários cuidam dos animais que foram salvos durante a queimada que causou grandes danos à Embrapa - Crédito: Juliana Sussai e Gisele RossoVeterinários cuidam dos animais que foram salvos durante a queimada que causou grandes danos à Embrapa - Crédito: Juliana Sussai e Gisele Rosso

Uma combinação danosa, muito provavelmente causada pelas mãos do ser humano, fez com que uma queimada causasse um prejuízo milionário a Embrapa Pecuária Sudeste, localizada na Fazenda Canchim, em São Carlos.

Em um período de 48 horas aproximadamente (terça-feira, 7 a quinta-feira, 9), fez com que 912 hectares de mata e área de proteção permanente (APP) fossem destruídos pelo fogo. Além disso, 33 bois da raça Canchim morreram. Outros dez sofreram queimaduras, mas sobreviveram e aproximadamente 1,8 mil (entre bovinos, equinos e ovinos, salvos. Pesquisas realizadas pela empresa, comprometidas.

A queimada resultou em um prejuízo calculado pela Embrapa em R$ 1,2 milhão e a recuperação da Fazenda será com o tempo.

De acordo com o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sudeste (assumiu em 1° de setembro de 2021), Alexandre Berndt, 50 anos, foi o pior incêndio em 46 anos da propriedade rural que possui 2.532 hectares.

“Nunca houve uma combinação de fatores tão negativa que resultou nesse que foi o pior incêndio dos 46 anos de história da Embrapa Pecuária Sudeste”, disse Berndrt.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

Alexandre Berndt, em uma entrevista exclusiva ao São Carlos Agora detalhou os estragos causados pela queimada. Comentou ainda o trabalho realizado por brigadistas e colaboradores.

São Carlos Agora - A queimada que afetou a pastagem e a área de proteção ambiental da Fazenda Canchim de terça-feira (7) a quinta-feira (9). Qual a área de fato atingida? Quantos bois da raça morreram? Quantos sobreviveram?

Alexandre Berndt – Sim. A última estimativa realizada foi de 912 hectares queimados.

Em relação aos animais, a última atualização são 33 bovinos da raça Canchim que morreram durante o incêndio. Sobreviveram 10, que estão em tratamento e se recuperam bem das lesões. Comem e bebem água normalmente. Elas estão sendo tratadas pelos veterinários da fazenda. Mais de 1800 animais dos nossos rebanhos de bovinos, ovinos e equinos ficaram ilesos.

Infelizmente, o fogo foi muito intenso e rápido, a taxa de destruição chegou a quatro hectares por minuto. Os brigadistas não conseguiram salvar esses animais.

SCA - Desde a criação da Fazenda Canchim, houve uma época de estiagem tão grande, aliada a duas geadas e a queimadas tão intensas?

Berndt - O fogo é marcante. O período de estiagem está fora do normal, até mesmo maior que a estiagem de 2014. Vários fatores contribuíram para esse incêndio - vento, temperatura, baixa umidade do ar e pastagem muito seca. É um efeito das mudanças climáticas, algo que essa Unidade tem trabalhado. Nossa dedicação, nosso empenho e interesse científico é buscar soluções para uma pecuária intensiva e sustentável.

SCA - Após contabilizados todos os estragos causados pela queimada, há uma estimativa qual o prejuízo financeiro?

Berndt - Só pensando em cercas, temos estimamos em R$ 800 mil. Contabilizando saleiros queimados, porteiras, reforma de redes elétricas, postes de madeira que caíram, o prejuízo deve ficar em torno de R$ 1,2 milhão. Esse é um primeiro cálculo, pensando nos danos de infraestrutura.

SCA - Controlado o incêndio e retornando ao dia a dia, existe uma perspectiva de quando tudo estará sanado e os trabalhos retornarem à normalidade?

Berndt - Os rebanhos estão sendo reorganizados, a readequação dos espaços de pastagem que não foram queimadas está sendo feita e as estratégias de continuidade dos projetos de pesquisa afetados já estão em andamento. A alimentação emergencial dos animais estamos providenciando. Algumas questões são mais demoradas.

SCA - Quantos colaboradores trabalharam no controle dos focos de incêndio?

Berndt - É um número muito variável. São 17 brigadistas, mas tivemos apoio administrativo de muitas pessoas. Por exemplo, pegando água, fazendo ligações. Mais de 50 pessoas ajudaram no apoio aos brigadistas.

SCA - Como a Embrapa classifica o trabalho dessas pessoas no sentido de ajudar a debelar as labaredas?

Berndt - Na nossa visão foi um trabalho de muita dedicação e comprometimento com a fazenda, com a vida das pessoas e dos animais. Foi heroico!

SCA - 7) Em algum momento, as pessoas temeram pela vida ou colocaram em primeiro plano salvar os animais (da Fazenda e silvestres) e a flora?

Berndt - Os focos de incêndio estavam sendo acompanhados e combatidos pela Embrapa desde domingo, dia 5 de setembro. O objetivo inicial era a preservação da reserva nativa. Na quarta-feira, dia 8, perto das 11 horas, com o calor, a baixa umidade do ar e o vento forte, o fogo entrou na fazenda. Aí mudamos a estratégia para proteger as pessoas, os animais e o patrimônio da Empresa.

O fogo foi controlado ainda na noite de quarta-feira com ajuda de equipes e caminhões pipa da Embrapa Pecuária Sudeste, Embrapa Instrumentação, empresa Tapetes São Carlos, Raízen e Serviço Autônomo de Água e Esgoto. Também ajudaram a Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e uma fazenda vizinha. A Secretaria municipal de trânsito fechou o acesso da rodovia.

É importante ressaltar que nós fazemos a manutenção dos aceiros anualmente antes do período crítico de seca e seguimos as regras em termos de largura e localização. Além disso, temos Brigada de Incêndio própria, que recebe treinamento anual.

Nesta semana ainda tivemos pequenos focos de incêndio na fazenda. Mas a brigada conseguiu conter o fogo. Estamos em estado de alerta constante.

Lembrando que o fogo foi muito rápido e forte, a taxa de destruição chegou a quatro hectares por minuto. Foi muito rápido, infelizmente.

SCA - Alguma pesquisa que é realizada atualmente pela Embrapa foi danificada e/ou perdida? Em caso positivo, poderia pontuar quais?

Berndt - Os experimentos atingidos pelo fogo envolvem projetos com pecuária sustentável, seleção da raça bovina Canchim, melhoramento do gado Nelore e com a leguminosa Guandu. Um projeto em parceria com UFSCar, chamado Caminhos para a Prenhez, também foi afetado.

SCA - Quais os danos materiais causados pelo incêndio?

Berndt - Perdemos animais e tivemos danos materiais com cercas, saleiros queimados, porteiras, fios da rede elétrica, postes de madeira, entre outras coisas.

Considerações finais

Berndt - Nunca houve uma combinação de fatores tão negativa que resultou nesse que foi o pior incêndio dos 46 anos de história da Embrapa Pecuária Sudeste. Mas estamos comprometidos em continuar investindo na segurança das pessoas, no bem-estar dos animais e na preservação do patrimônio institucional, para seguir conduzindo com seriedade as pesquisas e ações de transferência de tecnologia que integram a Missão da Embrapa.

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