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terça, 26 de outubro de 2021
Educação

Escola de Física Contemporânea traça destino de jovem doutor em Física

13 Mai 2019 - 07h23Por Redação
Escola de Física Contemporânea traça destino de jovem doutor em Física - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Muitos motivos podem levar um aluno a optar por estudar Física em sua vida, mas o recém doutor Vinícius Henrique Aurichio foi levado para essa área de conhecimento por acidente, literalmente.

Antes de passarmos à história de mais um doutor formado no IFSC, destaquemos o trabalho defendido em sua tese de doutorado, subordinado ao tema “Immersed–interface methods in the presence of shock waves” (Métodos de interface imersa na presença de ondas de shock). Um problema típico de engenharia envolvendo fluidos também envolve objetos sólidos interagindo com eles---uma peça de maquinário, ou a asa de um avião, por exemplo. Para estudar estes sistemas em um computador, temos que representar estes objetos que estão imersos de alguma maneira. Um método de interface imersa é uma das maneiras que podemos utilizar para fazer essa representação.

Vinicius ressalta que a grande vantagem de usar esse tipo de método é que ele, em geral, é mais rápido e as simulações que se conseguem fazer são igualmente mais rápidas porque essa malha é simples. E, como consequência, consegue-se fazer desenvolvimentos tecnológicos mais rápidos usando essa ferramenta. Ele afirma que é possível fazer o desenvolvimento mais rápido do projeto e dá um exemplo: “Ao invés de esperar três dias por um resultado, talvez consiga resolver o problema em duas ou três horas. Ou seja, a partir do momento em que você encontra alguma coisa interessante, você ou insiste nesse método com mais poder computacional, ou você vai usar um outro método que te proporcione mais detalhes, mas você já ajuda a filtrar o tipo de simulação que você precisa fazer”.

Aurichio afirma que a grande dificuldade de trabalhar com fluídos inicia-se exatamente na hora de começar a estudar o tema. “Subestimei um pouco o tamanho do problema, sabia que era difícil, mas não imaginava que era tão complexo assim. Em contraponto, o que facilitou meu trabalho foi o fato de sempre ter gostado de programação, o que reforçou minha determinação em fazer doutorado nessa parte de simulação”.

UMA HISTÓRIA RICA

Quando estava na 5ª série, por volta de seus onze anos de idade, acidentalmente teve seu braço machucado e, certa vez, em seu período de recuperação, sua professora pediu-lhe para buscar um livro na biblioteca e ele pegou justamente um sobre Física, fato que, segundo o jovem doutor, mudaria sua vida para sempre: “Eu descobri, entre outras coisas, como é que se calculava a velocidade dos objetos em movimento e já achei incrível. Lembro-me de ter falado comigo mesmo: nossa é isto aqui! O pessoal fala que é difícil, mas eu vou em frente” afirma Vinicius, divertindo-se ao lembrar o episódio. Foi a partir daí que começou sua grande jornada pelo mundo da Física. Desde  então, o jovem começou a desenvolver cada vez mais interesse nesse campo e buscar mais conhecimentos. Ele afirma que sempre esteve envolvido com atividades na área e que desde seu 2º e 3º colegial alguns professores o incentivaram muito a ingressar na área de Exatas, em especial nas Olimpíadas de Física, nas quais atuou diversas vezes.

Natural de São José dos Campos,  Vinícius Henrique Aurichio afirma que a entrada no Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) foi marcada por sua participação na Escola de Física Contemporânea: Participei, adorei e acabei vindo para cá”, comenta nosso entrevistado. Vinícius exalta que a estrutura oferecida pelo IFSC/USP, tanto no ensino quanto nos laboratórios, tem a mesma qualidade do que as escolas do exterior: “Tive várias conversas com pessoas de outros países e a gente não perde em nada em educação de qualidade, aqui, algo que me deixou muito feliz e plenamente convicto de que a minha escolha tinha sido certa”, enfatiza, acrescentando que o contato com os professores e pesquisadores do Brasil e do exterior foi fundamental para sua formação: “Durante a graduação, passei dois meses na Inglaterra, depois no mestrado fiz outras visitas e já no doutorado tive participação em congresso internacional. Então, estive sempre buscando manter o contato com esses pesquisadores, lá fora, tudo proporcionado pelo IFSC/USP”.

Para Vinicius, a Física é uma forma de traduzir o mundo, de resolver os problemas de todo tipo para um formato matemático que possibilite entender melhor como eles funcionam. É realmente entender quais são os pontos fundamentais de cada um dos problemas e trazer eles para um formato que seja amplamente suscetível de resolução , em geral, um formato matemático, seja com auxílio de computação, ou não, como foi em seu caso.
Para Vinicius, ser um Físico é conseguir fazer essa tradução, conseguir encontrar o que é mais importante em determinado problema e decidir a melhor estratégia para resolvê-lo.
A escolha pela Física foi feita justamente por nosso entrevistado ter muita vontade de entender tudo, muita curiosidade em saber como as coisas funcionam. Vinícius afirma que o fato de ele ter essa ferramenta, que é a Física, que proporciona a forma de entender as coisas, foi o que o incentivou cada vez mais a ir por esse caminho.

O jovem doutor relata que em seu mestrado estudou uma área da Física Teórica, mais pura, pois ele gostava bastante dessa parte mais matemática. Mas, chegou um ponto em que sentiu falta de ver a aplicação mais direta dos problemas que estava tentando resolver. Então, ele decidiu ir para a área de simulação computacional e escolheu um problema com aplicação clara, que é a simulação de fluídos: “Eu já tinha dúvidas se queria (ou não) continuar na área acadêmica quando iniciei meu doutorado: assim, fiz questão de escolher um tema bastante aplicável fora do mundo acadêmico, e que me proporcionasse não só todo aprendizado que a Física ia me trazer - essa parte da Física mais avançada - ,mas também ferramentas de computação, pois tinha plena convicção que elas me abririam mais portas”.

O jovem doutor revela que já saiu da área acadêmica e que desde há um ano está trabalhando em uma instituição bancária: ele explica como usa a Física nas suas funções. “Essa parte de resolver problemas, de identificar os pontos mais importantes, decidir qual que é a melhor abordagem para determinado problema, usar programação para resolver problemas, é o que faço hoje, então, nesse ponto, deu certo a minha ideia que veio lá de trás ao escolher uma área que fosse me proporcionar isso depois Contudo, não é Física, certo? Então, simplesmente uso o raciocínio e as capacidades que aprendi na Física para fazer esse trabalho”, comenta, deixando uma espécie de mensagem para os alunos mais jovens. “Algo que me ajudou muito em todo curso e mesmo no mestrado e doutorado, foi ter iniciativas próprias. Então, se você acha um tema interessante, seja ele qual for, vai por conta própria, pede ajuda, pede indicação de livros para seus professores. Não espere que vá ter tudo nas aulas. Expanda os horizontes, tanto na área acadêmica, quanto na área produtiva: não se restrinja a um grupo de pesquisa. Faça seus contatos e aproveite tudo que o IFSC/USP te oferecer, pois com isso você irá crescer na carreira e ser feliz na sua profissão”, conclui o jovem. (Entrevista: Lilian Tarin / Superv. Rui Sintra)

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