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quinta, 29 de outubro de 2020
Cidade

Descoberto esquema de prostituição infantil em Araraquara; muitos clientes eram de São Carlos

05 Ago 2009 - 09h44Por Redação São Carlos Agora
Uma ação conjunta entre Conselho Tutelar I e Polícia Militar (PM) desmantelou uma rede de prostituição infantil e adulta que funcionava em Araraquara, nesta terça-feira. Três pessoas foram presas por agenciar as garotas. Duas meninas de apenas 14 anos foram detidas e confessaram todo o modo de funcionamento do esquema regional. A investigação sobre o caso vai continuar.

A descoberta partiu de uma denúncia anônima. As conselheiras tutelares Cristiane Mendonça e Tatiana Reina foram até o motel indicado e flagraram uma estudante de 14 anos ainda dentro do quarto. O homem que estava com ela, que, segundo a própria jovem, seria um advogado, tinha acabado de sair. “Encontramos ela ainda dentro da suíte se trocando”,diz Cristiane.

A partir daí, com apoio da PM, segundo o tenente Ricardo Domingos Junior, a garota mostrou onde encontrar uma outra colega que também fazia programa e mostrou o endereço da agenciadora. Ela contou todo o esquema. Era avisada pelo telefone e seguia até um ponto de encontro. De lá, um mototaxista fazia a corrida até o motel e, depois, a buscava.

No esquema, o mototaxista JCRG, 47 anos, foi chamado para buscar a menina de volta e foi preso. A informação é que ele era um dos elos de ligação da quadrilha. A desempregada Adriana Aparecida da Silva, 36 anos, que seria a organizadora do esquema, foi presa em casa. O marido dela, Edmundo José de Moura também foi detido.

Catálogos com fotos de mulheres adultas e outras suspeitas de serem menores de idade foram apreendidas na casa dela. O contato com os clientes era feito por duas maneiras: através de um site e também por anúncios em jornais. Quem se interessava podia escolher as meninas através de fotos. “Era um movimento muito grande de gente aqui na frente mesmo. A gente sabia que tinha coisa estranha”, diz uma
vizinha, sem se identificar.

Aos 14 anos de idade, e ainda usando o uniforme escolar, a jovem flagrada no motel conta que passou a fazer programas sexuais há cerca de três meses para ganhar dinheiro. Mensalmente, segundo ela, atingiu marcas curiosas: fez dez programas em apenas um dia e chegou a ganhar R$ 2 mil no mês passado.“Começo de mês o movimento é grande. Teve dia de eu estar com um cara e ela (agenciadora) ligar mandando eu agilizar
porque já tinha outro esperando.”

O esquema seguia regras rígidas. Metade do que a garota conseguia ia para a agenciadora. Tinha uma tabela de preços. A relação comum custava R$ 100, mas negociando saia por R$ 80. Sexo anal era R$ 150. “Eu ficava com metade do preço e o resto era dela (agenciadora) que pagava o mototaxista”, denuncia a menina.

Uma outra garota que ajudou a denunciar o esquema conta mais detalhes.
Também aos 14 anos, morava matrimonialmente com um jovem de 22 anos que desconhecia as aventuras paralelas. Em apenas três semanas ela teve 15 relações. Na segunda-feira, alega ter feito apenas um programa com um advogado de São Carlos. “O combinado era R$ 100, mas ele acabou deixando R$ 250 pra mim”, conta.

Cláudio Dias/Tribuna Impressa
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