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domingo, 12 de julho de 2020
“Fantasma” do desemprego

Ciesp prega retomada das atividades para que indústria deixe de ‘patinar’

28 Mai 2020 - 07h51Por Marcos Escrivani
Chu: O caminho é fazer com que a engrenagem – indústria, comércio e serviço – volte a rodar - Crédito: DivulgaçãoChu: O caminho é fazer com que a engrenagem – indústria, comércio e serviço – volte a rodar - Crédito: Divulgação

O diretor-titular do Ciesp São Carlos, Emerson Chu, em entrevista exclusiva concedida ao São Carlos Agora na tarde desta quarta-feira, 27, disse que é fundamental que a economia brasileira comece a dar os primeiros passos após dois meses de quarentena, devido a pandemia da Covid-19.

Com a necessidade do isolamento social e o fechamento de vários segmentos do comércio e de serviços, a indústria sentiu um baque profundo e a principal engrenagem deixou de funcionar regularmente no país.

Em uma entrevista bem detalhada, Chu disse que no primeiro semestre, segundo pesquisa do Pnad, o Brasil acumulou mais de 1,2 milhão de desempregados devido a parada na economia. Enfatizou ainda que todos os setores foram seriamente atingidos e que a retomada das atividades é necessária.

“A retomada é mais do que necessária, mas é muito difícil, é preciso ter planos consistentes de retomada, porque as empresas hoje, não só a indústria, mas o comércio e o setor de serviços, não têm mais o capital, aquela reserva já foi”, comentou.

REINICIO, MAS COM TODOS OS CUIDADOS

Chu reforçou que é favorável a retomada as atividades, no comércio, nos serviços e na indústria. Porém fez questão dizer que é necessário seguir um rígido protocolo de segurança.

“Defendemos a retomada, o quanto antes, claro, dentro de um plano estratégico e sempre seguindo os protocolos de segurança à saúde”, comentou.

A ENTREVISTA

São Carlos Agora - Qual seria o caminho para a recuperação da economia na região após o novo coronavírus?

Emerson Chu - O caminho é fazer com que a engrenagem – indústria, comércio e serviço – volte a rodar, e para isso é necessário que, dentro de um plano de retomada, o comércio e os serviços voltem à ativa. Apenas assim será haverá novamente demanda.

SCA - Em alguns setores a indústria irá ‘patinar’?

Chu - Depende muito em que situação cada setor ficou com essa paralisação. Os setores de produtos não essenciais vão sofrer de imediato, como é o caso da indústria automobilística, cujas vendas foram reduzidas drasticamente. Outros setores terão mais facilidade de caminhar.

SCA - Que fatores podem afetar negativamente o crescimento da economia?

Chu - O desemprego. Os últimos dados da Pnad Contínua, divulgados no fim de abril pelo IBGE, apontaram que o Brasil teve 12,8 milhões de desempregados no primeiro trimestre, o que representa um aumento de 10,5% em relação ao fim do ano passado, ou seja, 1,2 milhão a mais de desempregados. E isso é fatal para uma economia. Por isso defendemos a retomada, o quanto antes, claro, dentro de um plano estratégico e sempre seguindo os protocolos de segurança à saúde.

SCA - Qual setor da economia deverá ser o mais afetado?

Chu - Todos os setores foram extremamente prejudicados, alguns um pouco mais, outros menos. Por exemplo, a indústria que gera menos impacto nas necessidades da sociedade sofre mais; já a indústria que integra a cadeia de suprimentos essenciais sofre menos, como, por exemplo, a do agronegócio, principalmente aquela voltada a alimentos; e são essas que vão acabar puxando o crescimento econômico, quando tudo se normalizar.

SCA - Fica o ‘fantasma’ do desemprego nesta época de retomada?

Chu - A retomada é mais do que necessária, mas é muito difícil, é preciso ter planos consistentes de retomada, porque as empresas hoje, não só a indústria, mas o comércio e o setor de serviços, não têm mais o capital, aquela reserva já foi. Então para ampliar o negócio ou para contratar novos colaboradores, tem que haver uma demanda muito grande.

Muitas despesas estão se acumulando, porque houve prorrogação para pagamento de alguns impostos, por exemplo, mas eles terão que ser pagos lá na frente, então, se não houver uma grande demanda, será muito difícil retomar o emprego rapidamente. Na verdade, vai depender do quanto a economia em geral será retomada, e o quanto antes começar, melhor. Agora é muito difícil estimar um prazo para que a economia retome sua rotina, porque depende de todos esses fatores.

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