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domingo, 19 de maio de 2019
Educação

Calouro do IFSC/USP São Carlos quer seguir pesquisa na área de data-science

22 Abr 2019 - 13h30Por Redação
Calouro do IFSC/USP São Carlos quer seguir pesquisa na área de data-science - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

Existem aqueles que são conquistados por uma graduação específica do dia para a noite. Outros, que ao longo dos anos sabem exatamente o que esperar do futuro. No caso de Augusto Sousa Nunes (18), ingressante do Curso de Física Computacional do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), a decisão por aquilo que queria cursar foi uma grande mistura – quase uma salada russa.

Natural de São João da Serra Negra, distrito de Patrocínio (MG) - onde fez os ensinos fundamental e médio - Augusto começou a interessar-se por ciências exatas desde muito cedo, mas foi apenas no 5º ano do ensino fundamental que teve o primeiro contato com o que descobriria mais tarde ser Física. “Foi só no final do ano, em uma aula de ciências, que experimentei a noção básica de Física. As últimas aulas tratavam do sistema solar e uma base para o estudo de eletromagnetismo. Tudo bem simples, mas já o suficiente para me interessar, juntamente com alguns colegas”, comenta Augusto. “As aulas motivaram-nos a desmembrar carrinhos de brinquedo e montar uma maquete com os vários motores que conseguimos retirar: tudo funcionando. Foi bem legal!”, menciona, com nostalgia, relatando a primeira interação com a disciplina que retornaria ao seu convívio apenas quatro anos depois, já no 9º ano.

Finalizado o ensino fundamental, Augusto foi aprovado no concurso do Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM), que permitia aos ingressantes cursar o ensino médio conjugado ao técnico - no caso - em Manutenção e Suporte em Informática. Segundo o estudante, a realização do técnico, em paralelo ao estudo da grade comum, foi fundamental para consolidar o gosto pela disciplina e expandir a visão dele quanto à sua futura área de atuação. “O curso técnico proporcionou logo de cara o estudo de matérias em Física que eu veria apenas no 3º ano do ensino médio, em uma escola comum, mas como precisávamos da noção de eletrônica para realizar os projetos propostos, a grade foi adiantada. Essa ‘inversão’ de matérias agregou muito para o entendimento daquilo que me agradava”, destaca Augusto.

Além do desenvolvimento dos conhecimentos em Física, o curso técnico escolhido por Augusto permitiu a interação com outro grande interesse do estudante: computação. “Eu sempre gostei muito de computadores, então, logo no primeiro ano procurei uma iniciação científica. Foi assim que comecei a trilhar o caminho que queria seguir: a Computação”, afirma.”Mesmo assim, no 3º ano eu ainda não tinha plena certeza do que queria. Minha dúvida era: Engenharia da Computação ou Ciência da Computação? Foi só quando saiu o aplicativo do SISU que me decidi por Física Computacional”, completa.

Em janeiro do corrente ano, após a abertura do aplicativo do Sistema de Seleção Unificada (SISU), Augusto procurava cursos relacionados à sua área de interesse quando se deparou com o curso de Física Computacional do IFSC/USP. “Eu achei um curso com nome interessante e resolvi pesquisar um pouco mais sobre a grade e área de atuação. Achei um curso bem legal, com área de atuação ampla e relacionada com aquilo que eu queria, então coloquei como primeira opção. No final das contas, passei”, narra o ingressante sobre a escolha do curso.

Porém, a calma e simplicidade com que conta a trajetória até o Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP) não significa que a espera pelo resultado tenha sido simples. Para o mineiro, havia apenas duas opções possíveis: Física Computacional, na Universidade de São Paulo (USP) - que realmente interessava - ou Ciência da Computação, na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) -, o curso mais próximo de casa. Decidido a arriscar, Augusto investiu na universidade paulista, mas não foi aprovado logo de cara. “Eu estava entre colocar Uberlândia ou São Carlos no SISU, mas acabei decidindo pela USP. Nem falei nada para os meus pais, mas quando percebi que não tinha passado pela chamada regular, comentei: ‘e pensar que se eu tivesse colocado UFU eu teria passado’. A minha mãe ficou muito brava”, comenta, divertido, sobre a reação da mãe.

Mesmo incerto quanto ao futuro, Augusto estava determinado a vir para a cidade de São Carlos, fosse para a graduação, ou para um possível ano de cursinho. “Eu queria vir de todo jeito. Acabei convencendo minha mãe de que os gastos que eu teria em Patrocínio, com o cursinho particular, seriam quase tão grandes quanto a despesa para me manter em São Carlos, onde estudaria no cursinho popular da UFSCar: a vantagem de São Carlos seria o contato mais próximo com a ciência, através de cursos e palestras que eu já poderia assistir, e passar pela fase de adaptação mais cedo”, explica. “Por sorte, nada disso foi necessário porque logo na primeira lista de espera o meu nome apareceu como aprovado. A minha mãe até chorou de emoção, “tadinha”, comemora o calouro de nosso Instituto.

Momento de maior tensão dos adolescentes, prestar vestibular não foi tão estressante para Augusto, no final das contas. A tranquilidade no momento, que para outros seria de caos, veio, segundo o estudante, de muito planejamento e autoconhecimento. “Todo mundo se espanta quando eu falo que foi um período tranquilo, mas quando chegou o começo do terceiro ano eu tomei certas decisões: não iria fazer iniciação científica pelo terceiro ano seguido e aquilo que eu estudei no 1º e 2º ano do ensino médio não deveria ser reestudado. O curso técnico já me tomava tempo extra, então decidi não me saturar mais. Mesmo assim, é inevitável continuar se cobrando mais e mais”, relata. “Isso tudo mudou muito quando eu comecei a ouvir podcasts. Entre a minha cidade e o Instituto Federal eram uns 40 minutos de viagem, tempo que eu passava ouvindo músicas. Acontece que durante esses quarenta minutos, ouvindo todos os dias as mesmas músicas, começaram a cansar; então, em uma dessas viagens comecei a ouvir um podcast que falava justamente sobre sair de casa e o quanto nos agarramos à ilusão de que temos apenas um ano de nossas vidas para nos preparar para o vestibular e entrar na faculdade, enquanto, na verdade, não é bem assim. Ouvir isso me deu a tranquilidade de que eu precisava em 2018”, completa.

Quanto às expectativas para a Graduação, Augusto prioriza para 2019 o foco nas disciplinas da grade do primeiro ano, embora não descarte um futuro de projetos de pesquisa e iniciação científica. “Agora estou focado em me empenhar e compreender as disciplinas. Logo nas primeiras aulas os professores enfatizaram algumas orientações de estudo pré-aula e pós-aula, e é nisso que eu vou focar por enquanto. Além disso, todos os veteranos mencionam que não é interessante pegar uma iniciação científica logo no primeiro ano, mas não descarto essa possibilidade para o futuro próximo”, revela. “Quero seguir carreira como pesquisador na área de data science, - motivo pelo qual escolhi a Física Computacional - por isso acredito que ter uma iniciação nessa área ou participar de um grupo de pesquisa seria muito produtivo”, projeta Augusto, que no momento está envolvido no Data ICMC, grupo de data-science do Instituto de Ciências Matemáticas e da Computação (ICMC/USP).

Sobre as necessidades de formação de bons profissionais, Augusto enfatiza a maestria do IFSC. “No geral, toda universidade que ministra cursos da minha área de conhecimento deve ter bons grupos de pesquisa e um amplo apoio de ensino para formar profissionais capazes; e isso o IFSC/USP já nos fornece. Para saírem bons profissionais do Instituto, cabe o envolvimento em iniciação científica e esforço individual: faz toda a diferença”, declara.

Para os futuros ingressantes do Curso de Física Computacional, Augusto deixa a sabedoria e a curiosidade como mensagem. “Pesquisas, muito além de inovar, trazem ao pesquisador uma nova visão de mundo e a oportunidade de conhecer questões com mais profundidade. Foi o que me motivou a seguir a Física Computacional e se isso é o que te motiva também, então siga seus sonhos; mas faça iniciação só depois do primeiro ano!”, brinca. (Carolina Falvo – estagiária de Jornalismo – com supervisão Rui Sintra)

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