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quarta, 03 de março de 2021
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Atividade na UFSCar debate violência contra a mulher e violência obstétrica

24 Jan 2017 - 10h53Por Redação
Foto: Arquivo/SCA - Foto: Arquivo/SCA -

No próximo dia 26 de janeiro, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) promove mesa-redonda e debate sobre "Violência contra a mulher e Violência Obstétrica". A atividade é gratuita e aberta a todos os interessados, com início às 12h30, no Auditório do Departamento de Enfermagem, na área Norte do Campus São Carlos da UFSCar. A inscrição será feita no local, antes do evento.

O principal objetivo do encontro é debater sobre os tipos de violência sofridos pela mulher, inclusive, aqueles que muitas vezes são invisíveis dentro das universidades e até no próprio ciclo gravídico puerperal; e refletir sobre a violência de gênero relacionada à discriminação racial e de classe.

DADOS

Números levantados pelo "Atlas da Violência 2016" (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e Fórum Brasileiro de Segurança Pública - Ipea/FBSP) mostram que, em 2014, 4.757 mulheres foram mortas por agressão no Brasil, o que representa um aumento de 11,6% em relação ao número registrado em 2004. Nessa década, o mesmo estudo mostra que 18 estados brasileiros apresentaram taxa de mortalidade por homicídios de mulheres acima da média nacional. Dados de outro levantamento também são preocupantes. O "Mapa da Violência 2015: Homicídio de Mulheres no Brasil", elaborado pela Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais (Flacso), com o apoio da ONU Mulheres-Brasil, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) revela que, no Brasil, 13 mulheres são assassinadas diariamente, e mais da metade desses casos (50,3%) foram cometidos por familiares, sendo que em 33,2% das ocorrências, o crime foi praticado pelo parceiro ou ex-companheiro da vítima. Além disso, o Mapa também revela que o homicídio de mulheres negras cresceu 54% em 10 anos no Brasil.

Entre as universitárias, uma pesquisa do Instituto Avon/Data Popular (2015) revela que 67% disseram já ter sofrido algum tipo de violência (sexual, psicológica, moral ou física) no ambiente universitário, 56% já sofreram assédio sexual e 28% já sofreram violência sexual.

Em relação às questões obstétricas, as recomendações atuais da OMS e do Ministério da Saúde brasileiro para o manejo do trabalho de parto incluem a oferta de líquidos, o estímulo à adoção de posições verticalizadas e à liberdade de movimentação, o uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor, buscando aumentar o conforto materno e facilitar a progressão do trabalho de parto. De acordo com a pesquisa "Intervenções obstétricas durante o trabalho de parto e parto em mulheres brasileiras de risco habitual", realizada no âmbito da Fundação Oswaldo Cruz e publicada em 2014 nos Cadernos da Saúde Pública, essas são tecnologias acessíveis, não invasivas e de baixo custo, sendo possíveis de serem ofertadas por todos os serviços de saúde no País. No entanto, a mesma pesquisa revela, por exemplo, que as intervenções médicas foram excessivas sobre o trabalho de parto e o parto vaginal no Brasil, tendo apenas 5,6% das parturientes de risco habitual dado à luz de forma natural, sem qualquer tipo de intervenção na fisiologia do trabalho de parto. Na Austrália, país onde as intervenções sobre o parto também vêm aumentando nas últimas décadas, 15% das mulheres pariram de forma natural no sistema privado e 35% no sistema público de saúde. Já no Reino Unido, o parto natural correspondeu a 41,8 % do total de nascimentos em 2011, sendo 97% deles em instituições dos serviços públicos de saúde.

Para Márcia Fabbro, docente do Departamento de Enfermagem (DEnf) da UFSCar e coordenadora da Aciepe "Pós-parto e amamentação: resgatando sua importância no cuidado integral à saúde da mulher e família", as maiores dificuldades para o enfrentamento da violência contra a mulher no Brasil estão relacionadas com a falta de apoio institucional, ausência de uma estrutura em rede que atenda de forma articulada as mulheres nas esferas social, médica e jurídica e também pela falta de esclarecimento das pessoas em geral que não sabem reconhecer muitos dos tipos de violência contra a mulher. A professora destaca que a importância de se debater essas temáticas está diretamente relacionada com o impacto na saúde física e emocional e na vida das mulheres e de suas famílias.

A mesa-redonda e o debate são organizados pela Aciepe e pelo Grupo de Pesquisa e Estudo sobre Cuidado Interdisciplinar na Saúde da Mulher (CISMu), em parceira com a Liga Interdisciplinar em Saúde da Mulher (LISMu), todos da UFSCar. Participam do evento a professora Natalia Salim, do DEnf da UFSCar, como mediadora; Daniela Mara Gouvêa Bellini, mestranda em Educação pela UFSCar e Promotora Legal Popular; Janaina Basilio, advogada e presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da OAB-São Carlos; e Nayara Girardi Baraldi, obstetriz, parteira urbana, coordenadora da Consultoria Arte no Nascer e doutoranda da Escola de Enfermagem da USP-Ribeirão Preto.

Mais informações sobre o evento podem ser solicitadas pelo e-mail jhenyclo@gmail.com.

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