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A importância da luz no tratamento do câncer de pele não-melanoma

29 Mai 2016 - 08h13Por Rui Sintra/Assessoria de Imprensa
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Uma pesquisa desenvolvida por pesquisadores do Grupo de Óptica (GO) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC/USP), em colaboração com cientistas da Universidade da Carolina do Norte, em Charlotte, nos Estados Unidos, propõe a associação de nanopartículas recentemente estudadas e de Terapia Fotodinâmica* para um eventual tratamento do câncer de pele não-melanoma, cuja expectativa é diminuir os efeitos colaterais causados pelos tratamentos convencionais.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer "José Alencar Gomes da Silva" (INCA), existem mais de cem tipos de câncer, ou seja, doenças provocadas pelo crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos corporais e que podem formar tumores (acúmulo de células cancerígenas em uma determinada região corpórea) ou neoplasias malignas (crescimento acelerado das células doentes). O câncer de pele não-melanoma é o mais comum no Brasil, representando 25% de todos os registros de tumores malignos diagnosticados no país. Apenas em 2016, o INCA estima que haverá cerca de 175.760 casos deste tipo de câncer, sendo 80.850 em homens e 94.910 no público feminino.

A cirurgia é a opção mais utilizada para tratar o câncer de pele não-melanoma, que pode ser tratado também com medicação tópica ou, em casos mais avançados, apenas com radioterapia ou com a associação da cirurgia com a radioterapia. Contudo, quanto mais elevado for o nível da doença, menor será a chance de eficácia do tratamento.

Ao ser excitada por um laser ou LED, a Protoporfirina IX (PpIX), uma substância fotossensibilizadora utilizada pelos pesquisadores, libera moléculas que podem causar a morte das células malignas. Por este motivo, o Prof. Dr. Juan Vivero-Escoto, docente do Departamento de Química da já citada universidade norte-americana, tem estudado as tais nanopartículas, com a finalidade de utilizá-las juntamente com a substânciafotossensibilizadora no tratamento de câncer de pele não-melanoma, através da TFD. Esta associação é benéfica porque as nanopartículas são capazes de melhorar o sistema de entrega da Protoporfirina IX no organismo humano, para que as moléculas da substância excitada pela luz sejam ativadas próximas ao alvo desejado.

As propriedades das nanopartículas foram analisadas pelo Prof. Juan nos Estados Unidos e, mais recentemente, os pesquisadores do GO, Vanderlei Bagnato, Natalia Inada e Ilaiáli Souza Leite, têm estudado a eficácia das nanopartículas no combate de células cancerígenas em testes in vitro, nos quais os cientistas conseguiram matar células tumorais, sem causar danos às células saudáveis. Os experimentos in vivo com modelo animal de câncer de pele não-melanoma deverão ser iniciados no segundo semestre deste ano. A expectativa dos pesquisadores do Grupo de Óptica é que, após realizarem todos os experimentos in vitro e in vivo, possam obter aprovação para iniciarem os testes clínicos em 2018, no Hospital Amaral Carvalho (Jaú - SP), onde o Grupo já mantém um histórico de colaboração.

FORTALECENDO A PARCERIA COM O GRUPO DE ÓPTICA

Este estudo teve início nos Estados Unidos, com o grupo do Prof. Juan. O interesse em estabelecer uma parceria com o Grupo de Óptica do IFSC/USP surgiu em razão dos pesquisadores norte-americanos não terem expertise na área de óptica, mais especificamente em TFD: "Conheci o Grupo durante o 'SPIE Photonics West-BIOS', um congresso científico que ocorreu em 2014, em São Francisco [Estados Unidos], onde os pesquisadores do IFSC fizeram uma apresentação interessante que envolvia a técnica de Terapia Fotodinâmica. Posteriormente, entrei em contato com eles e estabelecemos essa primeira parceria", relembra o docente, em entrevista à Assessoria de Comunicação do Instituto de Física de São Carlos.

Para fortalecer ainda mais a colaboração com os pesquisadores do Grupo de Óptica, entre os dias 9 e 11 de maio o Prof. Juan esteve no Instituto, onde participou de uma série de reuniões a respeito da já citada pesquisa que, segundo ele, é apenas o primeiro projeto dessa parceria internacional, que poderá resultar no desenvolvimento de outros estudos relacionados às áreas de Terapia Fotodinâmica, biomedicina, entre outras.

*Essas partículas são tão pequenas, que seu tamanho é medido a nível atômico (em escala nanométrica); Essa escala pode ser definida como "a compreensão e controle da matéria em dimensões compreendidas entre 1 e 100 nanômetros, nas quais fenômenos únicos permitem novas aplicações". KOO, O. M.; RUBINSTEIN, I.; ONYUKSEL, H. Role of nanotechnology in targeted drug delivery and imaging: a concise review. Nanomedicine: Nanotechnology, Biologyand Medicine, v. 1, n. 3, p. 193-212, 2005.

Técnica que consiste na associação de luz, oxigênio e alguma substância (neste caso, os fotossensibilizadoresnanoestruturados) que seja excitada pela luz, gerando espécies reativas de oxigênio, que são tóxicas para as células tumorais.

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