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sexta, 17 de setembro de 2021
Brasil

Estudo da USP mostra que pedágio automático é mais eficiente

11 Fev 2011 - 11h17

Estudo sobre a operação de praças de pedágio realizado na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP mostra que o sistema de cobrança automática é mais eficiente nos aspectos econômico e ambiental. Além da redução do tempo de passagem pelas cabines de cobrança, a pesquisa realizada pelo engenheiro Gustavo Siqueira Alvarenga aponta diminuição de até 89% no consumo de óleo diesel e queda nas emissões de poluentes.
 
O engenheiro conta que do ponto de vista energético, as cabines de cobrança do pedágio podem ser comparadas a uma lombada, ou a uma rodovia mal conservada que requer uma desaceleração dos veículos. “Isso faz com que a presença das cabines de cobrança aumente o consumo de combustível”, destaca. Com o sistema GPS mediu-se o perfil médio da velocidade e da desaceleração na passagem pelo pedágio em caminhões.
 
A verificação aconteceu nos sistemas de cobrança convencional, em que o veículo para na cabine e o motorista realiza o pagamento, e de Identificação Veicular Automática (AVI), em que um dispositivo eletrônico faz o reconhecimento dos veículos a uma velocidade de 40 quilômetros por hora, quando é realizada a cobrança. Também foi testado o sistema Open Road Tolling (ORT), não adotado no Brasil. Embora seja semelhante ao AVI, o ORT dispensa a exigência de o veículo manter uma velocidade específica para o reconhecimento.
 
As estatísticas de velocidade serviram de base para simulações por computador do consumo de combustível durante a passagem pela praça de pedágio, em diversos tipos de caminhões. “Um caminhão leve de três eixos consumiria o equivalente R$ 0,52 de óleo diesel usando o sistema convencional, se não houvesse fila nas cabines, enquanto no método eletrônico ele gastaria R$ 0,25”, diz Alvarenga. “Um caminhão de sete eixos, com uma fila de dez veículos, teria um gasto de R$ 1,52, sendo que com o AVI, essa despesa seria de R$ 0,74.”
 
Eficiência
De acordo com a pesquisa, a cobrança eletrônica é a forma mais eficiente de efetuar o pagamento de pedágio. “O sistema se apresenta como uma boa solução em termos econômicos e ambientais”, destaca o engenheiro. No aspecto ambiental, destaca-se que a redução do consumo de combustível leva a diminuição nas emissões de poluentes. “Conforme as características do caminhão e o tamanho das filas de espera, o consumo de óleo diesel ao se passar pela praça de pedágio pode ser até 89% menor.”
 
As simulações também indicam que o sistema ORT proporciona maior economia. “Entretanto, a  adoção desta tecnologia no Brasil depende de diversos fatores, em especial a necessidade de maior fiscalização dos veículos para que possa ser efetuado o pagamento”, observa Alvarenga.
 
Com base nos dados do estudo, o engenheiro calcula que na praça de pedágio pesquisada ( localizada em Jacareí, no interior de São Paulo), houve um desperdício de 1,54 milhão de litros de óleo diesel em 2008. “O número equivale a 4,1 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) emitidas somente pelos caminhões”, ressalta. “Embora seja uma quantidade pequena perto do total de consumo e emissões, essas dados são importantes para subsidiar a tomada de decisões sobre praças de pedágio e sistemas de cobrança”.
 
A pesquisa teve a orientação do professor Antonio Carlos Canale, do Departamento de Engenharia de Materiais, Aeronáutica e Automobilística da EESC. O trabalho foi premiado no Salão de Inovação do 6º Congresso Brasileiro de Rodovias e Concessões (CBR&C), realizado em setembro de 2009.

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