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25/09/2013 - 13h50   |   Atualizado em 25/09/2013 - 13h54
Araraquara.com

Poluição mata 94 e deixa 206 internados em apenas um ano em Araraquara

Pesquisa coloca Araraquara em quarto lugar entre as cidades com ar mais poluído no Estado.

Araraquara ficou na quarta posição em ranking que aponta as cidades com o ar mais poluído no Estado, à frente de municípios como São Paulo, por exemplo. E os dados, comprovados em pesquisa, revelam uma consequência aterradora: as pessoas estão morrendo por causa da poluição. 

Por conta dos efeitos da fumaça tóxica produzida por veículos, queimadas e pelas indústrias, 94 pessoas morreram na cidade em 2011. Além disso, mais 206 foram internados com câncer de pulmão ou problemas respiratórios e cardiovasculares neste mesmo ano. Foram gastos ainda R$ 445.645 na rede pública de saúde com as internações.

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Os dados são os mais atuais. O levantamento foi feito pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Saúde e Sustentabilidade, de São Paulo. Os pesquisadores utilizaram números que a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) entrega às universidades.

Pior que São Paulo

No maior período de 2011, Araraquara ficou à frente da Capital, com índice de 90μg/m³ de material particulado (MP) em suspensão no ar - praticamente uma poeira fina, que é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório.

Como o padrão é de 25μg/m³ em 24 horas, cada araraquarense respirou quase quatro vezes o valor considerado seguro para aquele dia. "Essa emissão absurda de poluentes geralmente prejudica os idosos, as crianças e as pessoas que já têm alguma doença cardiovascular", explica Evangelina Araújo Vormittag, médica e presidente do instituto que fez a pesquisa.

Pior que o trânsito

Em todo o Estado de São Paulo, entre 2006 e 2011, 99.084 pessoas morreram em decorrência da poluição no ar. Só em 2011 foram 17.443, mais do que o número que pessoas que morreram em acidentes de trânsito - 7.867 - no mesmo período. Em 2011, 68.499 pessoas foram internadas por conta da poluição. Os dados foram exibidos na noite desta segunda-feira na Câmara Municipal de São Paulo.

Prefeitura e Cetesb dizem desconhecer pesquisa

Procurados pela reportagem da Tribuna Impressa na tarde de ontem, a Prefeitura de Araraquara e a Cetesb disseram desconhecer o levantamento feito pelo instituto de São Paulo e informaram que não vão se pronunciar sobre os dados. A assessoria de imprensa da Cetesb afirmou que desconhece a metodologia usada e que não colaborou com os pesquisadores.

O secretário de Meio Ambiente do município, José Antonio Delle Piagge, acredita, porém, que as queimadas contribuem para a maior parte da poluição do ar de Araraquara. "Em setembro, foram 72 ocorrências. Com o tempo seco, o mato pega fogo rápido e acreditamos que a maioria dos casos sejam criminosos", afirma ele. 

Para tentar diminuir as queimadas, a secretaria fará panfletos informativos. "No ano que vem, nesta mesma época, vamos nos unir com a Secretaria de Educação, a Defesa Civil e os bombeiros. Outra dica é que os proprietários de terrenos misturem a terra com mato, assim o fogo não se alastra", finaliza. De janeiro até ontem, foram 196 multas por queimadas.

Em relação aos veículos, o coordenador de Mobilidade Urbana e vice-prefeito Coca Ferraz adiantou que os veículos pesados, como caminhões, podem ser proibidos de circular no Centro em horário comercial futuramente. "Reconhecemos que o trânsito está congestionado e estamos fazendo um projeto para resolver isso. Quando for o momento, vamos falar com a comunidade", afirma.

Instituto quer alertar Poder Público

Segundo Evangelina, o material particulado, que é a poeira fina, está em todo lugar. "Até uma construção civil joga essas partículas no ar, por exemplo. O que queremos é que o poder público tome uma atitude para mudar o padrão de vida e reduza os dados causados pela poluição", diz.

Para fazer o levantamento, os pesquisadores usaram dados da Cetesb e do DataSus, que é a base de dados do Sistema Único de Saúde (SUS). "Do jeito que os dados são divulgados normalmente, parece que o ar não é poluído. Eles usam em padrões diferentes, formatos técnicos e esse problema passa despercebido", avalia.

O instituto é a favor da criação de políticas públicas para conter o crescimento dos emissores de poluentes. "Pessoas ficam doentes e morrem por causa disso. Queremos divulgar esses dados para que haja uma mudança. Saber do problema e ficar parado é continuar na zona de conforto", ressalta.

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