"Eu queria conhecer o camponês nordestino, o ribeirinho amazonense, as peculiaridades de cada canto do país". É com esse discurso que José Nilton Brito, ex-supervisor de qualidade no setor de metalurgia, justifica a instigante empreitada a que resolveu se submeter: percorrer 40 mil quilômetros, de bicicleta, por estradas brasileiras.
José começou a viagem na cidade de Palmas, Tocantins, no dia 16 de junho de 2009. Desde então, ele já passou por todos os Estados das regiões Norte e Nordeste e, agora, termina de conhecer a nossa região no dia 28 de dezembro de 2011 com uma parada na Prefeitura Municipal de Itirapina.
Em dois cadernos invejavelmente organizados, ele mostra testemunhos de pessoas que conheceu e até do prefeito de Itirapina Dr. Omar de Oliveira Leite, relatando detalhes da passagem e da estadia do aventureiro. "Toda a viagem está documentada, com datas e assinaturas", garante. José saiu de casa, no município de Xinguara, no Pará, com R$ 9 mil no bolso. "Achei que seria suficiente para toda a viagem. Ledo engano", declara.
O dinheiro já acabou e, desde então, ele conta com a solidariedade das pessoas nos lugares por onde passa. "Comprei uma barraca e peço para acampar nos postos de combustível. Eles sempre permitem e, muitas vezes, oferecem refeições", comemora o ciclista. Para pequenos reparos na bicicleta, ele costuma procurar as secretarias de esporte municipais e estaduais, mas as negativas são freqüentes. "Aí a população ajuda. Nunca fico na mão".
O medidor de quilometragem acoplado na bicicleta acusa os 27,3 mil quilômetros já percorridos. A meta dos 40 mil quilômetros. Para prosseguir com sua aventura, José conta com o apoio da família e também de toda a população pelas cidades por onde passa, e é recebido muitas vezes como uma celebridade. "Isto tudo é muito legal, sou um anônimo que chega às cidades e se torna conhecido. É gratificante e também envaidecedora a maneira como me tratam, porém, sempre peço a Deus que me mantenha uma pessoa humilde".
Apesar das belezas que encontra por onde passa, o ciclista conta que o pior momento de sua viagem foi ser abordado por três rapazes quando estava no Amapá. Ele teve seus objetos roubados, mas não foi ferido, "Perdi somente as coisas materiais, mas estou aqui agora. Com coragem e fé eu peguei minha bicicleta e continuei meu caminho e continuarei até o fim", diz.
De acordo com o ciclista, a viagem terminará em Chuí, município brasileiro do extremo sul do estado do Rio Grande do Sul, no início de 2012.