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quinta, 18 de abril de 2019
Contrário

Azuaite repudia tortura e diz que golpe de 1964 não deve ser festejado

15 Abr 2019 - 08h15Por Redação
Azuaite repudia tortura e diz que golpe de 1964 não deve ser festejado - Crédito: Divulgação Crédito: Divulgação

O vereador Azuaite Martins de França (PPS) fez na sessão da Câmara Municipal na última terça-feira (9) um enfático pronunciamento de repúdio à tortura, ao se referir à recente polêmica sobre a comemoração nos quartéis da data do golpe militar de 1964, ventilada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Azuaite disse que a data correta foi primeiro de abril e tachou de “conversa fiada” a proposta da comemoração como se fosse uma grande data. “Ser a favor deste ou daquele, lá atrás em 1964, é direito que cada um tem”, observou. “O direito que ninguém tem é o de enganar as pessoas e de cuspir na história e rasgar seus livros, esse direito ninguém tem; e o direito em plena democracia, de festejar a ditadura também não existe, pelo menos dentro do oficialato, dentro das coisas que são públicas e assim são da democracia e não são ditatoriais”, acrescentou.

O parlamentar ponderou que as pessoas podem gostar ou não gostar de ditadura ou democracia, mas opinou que o regime que sucedeu à deposição do presidente João Goulart a seu ver “não tem porque ser festejado”.

“A assunção de militares, e o primeiro foi Castelo Branco, de cara sofreu um golpe, porque prometia imediatamente a realização de eleições e elas foram suprimidas e substituídas por atos institucionais - o primeiro deles cassou muita gente, inclusive aqueles que apoiaram o movimento de 64 e por 20 anos se arrastou se perpetrou infelicitando a população brasileira e tolheu a liberdade do povo brasileiro”.

Azuaite afirmou que não pode admitir é que existam pessoas que defendam a tortura. “O golpe de estado se desdobrou em ações que levaram à morte, ao desaparecimento, que levaram a tortura, muitos daqueles que estão entre os melhores brasileiros que a história já produziu poderiam estar até equivocados, mas amavam esta pátria e amaram a liberdade à sua maneira, até mesmo equivocadamente”.

Dirigindo-se aos vereadores conclamou-os, para saber o que é tortura, a assistir ao filme "A Lista de Schindler" ou a ler o livro ou ver o filme "O Menino do Pijama Listrado", ou ainda conhecer as impressões registradas no "Diário de Anne Frank, "uma menininha holandesa escondida dentro de casa em Amsterdã, vendo um e outro morrer até que ela mesma é morta".

“Ou então que conheçam in loco ou em foto ou em narrativa o que é Auschwitz e Birkenau, na Polônia e vocês vão saber o que é tortura”, afirmou.  Para reafirmar sua repulsa à tortura, o vereador fez a leitura de texto descrevendo os principais métodos de tortura utilizados pela ditadura militar no Brasil (1964-1985).  Na relação, pau de arara, eletrochoques, pimentinha, afogamento, cadeira do dragão, geladeira, palmatória, produtos químicos, agressões físicas e tortura psicológica “que acabavam fazendo com que pessoas muitas vezes carregassem para o resto da vida produto dessa tortura ou mesmo eram levadas ao suicídio”.

“Nem na guerra a tortura e um método utilizado dessa maneira como foi no Brasil em outros países; eu acho que só quem é tarado, psicopata, louco, maluco, desinformado, ignorante é que pode defender e pode comemorar a tortura em qualquer lugar do mundo, viva sempre a vida, morte à morte”, concluiu.

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