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sábado, 15 de dezembro de 2018
Polícia

Morte de meninos de São Carlos na linha férrea de Brotas segue sob segredo de justiça

01 Out 2014 - 09h31
Jovens morreram na linha do trem em Brotas. - Jovens morreram na linha do trem em Brotas. -

O Ministério Público Estadual (MPE) segue investigando o que teria provocado a morte dos são-carlenses Crenilson Rogério Primo, 19, seu irmão Odair Sérgio Primo, 17, dos amigos Deivide Roberto Vitório Mariano, 16, e Denys da Silva Almeida, 17, que apareceram mutilados na madrugada do dia 11 de Fevereiro de 2007, sobre a linha férrea na área rural da cidade de Brotas.

O caso ficou conhecido por "Aventura Macabra" e tanto o MPE, quanto a Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos realizaram investigações e ouviram dezenas de pessoas para saber sobre um possível crime de homicídio doloso (morte com intenção).

Alguns apontamentos e nomes de marginais ligados ao crime organizado estariam figurando como responsáveis pela morte dos garotos de São Carlos que poderiam ter sido executados no chamado "Tribunal do Crime".

Hoje o processo corre sobre "segredo de Justiça", pelo Fórum Criminal de Brotas e a reportagem conseguiu apurar que no mês de agosto deste ano algumas testemunhas teriam prestado novos depoimentos para manutenção do processo que não tem prazo para ser encerrado.

As novas investigações que foram reabertas em 2010, chegaram a produzir as detenções de vários marginais em São Carlos, mas foram liberados por falta de provas. As investigações também se estenderam pelas cidades de Brotas, Rio Claro, Itirapina e outras cidades da região.

SUICÍDIO COLETIVO

Corpos foram encontrados distantes um dos outros.Um dos familiares que preferiu não ser identificado na época em que os corpos passaram por necropsia no IML de Rio Claro teria afirmado que seu sobrinho foi assassinado. Ele informou que os corpos dos meninos teriam sido colocados com cabeças e pés nas linhas e a intenção dos assassinos seria mutilar os corpos. Ele não aponta suspeitos, mas, afirma que seu sobrinho não iria dormir na linha do trem como os policiais teriam comentado em Brotas. Passados estes sete anos, alguns conhecidos das famílias continuam a afirmar que muitas dúvidas ainda pairam sobre o caso que teve o primeiro laudo da causa-mortis sobre "suicídio coletivo" afastado pelo Ministério Público Estadual (MPE) que quer saber o motivo pelo qual os quatro adolescentes são-carlenses teriam deitado sobre a linha férrea, um distante do outro para dormir ao relento e não teriam ouvido apitos seguidos do trem que passou sobre seus corpos.

PERSISTENTE

A avó de Denis da Silva Almeida, 17, Maria do Rosário Soares dos Santos, 72, foi persistente e foi uma das lutadoras no caso. Foi ela quem iniciou a principal luta para provar que seu neto não teria cometido suicídio com os três amigos. Durante várias entrevista e também em audiência pública na cidade de Brotas Maria do Rosário sustentou a versão de que o corpo do neto teria sinais de agressão e que ele ainda teria sido atacado por um cachorro que teria mordido seu peito. Ela nunca aceitou a versão de um médico legista da cidade de Rio Claro, que apontava na Verificação de Óbito (VO) que os amigos teriam cometido "suicídio coletivo". Foi através do depoimento de Maria do Rosário que o Ministério Público Estadual (MPE) concordou e determinou que a Certidão de Óbito de cada um dos quatro jovens de São Carlos não aparecesse a palavra "suicídio", apenas as lesões poli-traumatismo, hemorragia externa, entre outras lesões em decorrência do atropelamento do trem.

AVENTURA MACABRA     

A "aventura macabra" que terminou com a morte dos quatro adolescentes por volta das 5h da madrugada no dia 11 de fevereiro de 2007, iniciou-se no dia 8 de fevereiro de 2007, quando o grupo deixou São Carlos com destino a Brotas. Uma das histórias contadas por amigos é que eles teriam pego carona em um trem de carga que também passaria em Brotas.

Os corpos mutilados foram encontrados pela madrugada após um atropelamento no quilômetro 196 da linha férrea que passa pela Fazenda Lagoa, localizada na área rural de Brotas.

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