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quinta, 13 de dezembro de 2018
Polícia

Laudo aponta que adolescente morto no NAI não foi espancado por PMs

05 Mai 2014 - 22h33
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A Polícia Civil recebeu o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) sobre a necropsia no corpo do adolescente Jhonata de Castro Alves de 17 anos, que foi apreendido no interior de sua residência no Jardim Ieda em Araraquara, sob a acusação da prática de ato infracional de tráfico de drogas na tarde do dia 8 de abril. Durante a abordagem policial o adolescente teria tentado a fuga pelos fundos da casa e ao escalar um muro teria caído sobre entulhos reagiu à apreensão e os policiais militares teriam feito uso de força moderada para algemá-lo.

Naquela tarde o menor que passou mal foi encaminhado para Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central de Araraquara, onde permaneceu internado em observações até o final da tarde e posteriormente foi encaminhado ao Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) de São Carlos, onde permaneceu custodiado e teria dito aos funcionários que havia sido agredido por policiais militares em Araraquara. Até o final da tarde do dia seguinte o menor reclamava de dor e chegou a desfalecer, sendo posteriormente socorrido por funcionários da unidade para a emergência da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos, onde ao ser consultado por um médico plantonista já estava sem vida e apresentava rigidez cadavérica. 

Morte suspeita

Falando à reportagem o delegado Aldo Donisete Del Santo do 3º Distrito Policial de São Carlos informou que várias pessoas foram ouvidas no inquérito policial (IP) que apura a “morte suspeita” do adolescente. Ele confirmou que recebeu o laudo oficial sobre a morte do menor.

Um dos depoimentos que vai ser prestado ao delegado é dos dois policiais militares de 33 e 43 anos, que compunham a viatura da Polícia Militar que atendeu a ocorrência na residência do menor. Ainda segundo o delegado os dois policiais deverão ser ouvidos em “carta precatória” na Polícia Civil de Araraquara, bem como o 13º Batalhão de Polícia Militar que instaurou sindicância administrativa para apurar os fatos e a conduta dos PMs e saber de fato o que teria ocorrido no interior da casa.  

O delegado informou que em depoimentos funcionários do Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) negaram qualquer rebelião no interior da unidade são-carlense, bem como agressão de outros adolescentes contra Jhonata e ainda negaram qualquer invasão da Polícia Militar no NAI em uma suposta rebelião. Um dos funcionários ainda confirmou que teria dado um analgésico receitado por um médico da UPA – Central de Araraquara ao adolescente que se queixava de dores estomacais. 

Laudo

Aldo Del Santo que preside os trabalhos para concluir a morte do adolescente, disse que o laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML) de São Carlos apontou que o adolescente teve uma morte por septicemia, que é uma infecção generalizada que atinge todo corpo em curto espaço de tempo e é causada por bactérias que infectam o sangue. É uma condição potencialmente fatal que afeta diretamente os pulmões, os rins e o coração que são paralisados em sequência. O laudo também concluiu que o menor teve uma infecção abdominal provocada por fezes cerca de 72 horas antes de ter sido abordado pelos policiais militares. Os legistas também apontam no laudo que o corpo não apresentava qualquer lesão que pudesse comprovar um possível espancamento a não ser uma pequena lesão em uma das mãos, o que não provocaria sua morte prematura.

NAI/SAMU

Em São Carlos um médico do SAMU e vários funcionários do NAI já prestaram esclarecimentos sobre o que teria ocorrido no interior da unidade especializada para recolhimento de menores e sobre a solicitação de uma ambulância, quando Jhonatan estaria passando mal e após ele desfalecer. O menor foi socorrido por veículo da instituição de menores. O delegado disse que os depoimentos estão sendo escalonados e um médico da Santa Casa também será convidado a esclarecer em que situações o menor deu entrada no Serviço Médico de Urgência (SMU) e como estaria o corpo, uma vez que em seu relatório o médico teria citado a rigidez cadavérica. A corregedoria geral da Fundação CASA também instaurou um procedimento administrativo para apurar o que teria ocorrido com o menor no interior do NAI de São Carlos e sobre suas declarações á funcionários. O Ministério Público vem acompanhando os trabalhos e deverá solicitar mais tempo para que a Polícia Civil conclua as investigações e receba todos os laudos necessários para conclusão do inquérito policial. O delegado Aldo Del Santo também informou que já requisitou os laudos e exames de corpo de delito realizado no corpo do adolescente pelo Instituto Médico Legal (IML) de Araraquara e pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Central, também de Araraquara, pois estas instituições foram as duas que Jhonata, teria passado antes de ser transferido para o NAI de São Carlos. 

Aldo disse que o irmão de Jhonata e demais familiares também deverão ser ouvidos em “carta precatória” para falar sobre o menor. Na noite em que veio a São Carlos para providenciar o sepultamento do filho, Antonio Alves, pai de Jhonata acusava policiais militares sobre as agressões contra o filho. 

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