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terça, 21 de agosto de 2018
Polícia

Jovem arrastada em Araraquara deixa hospital e diz não ter raiva do motorista.

12 Dez 2008 - 14h33Por Redação São Carlos Agora
Cláudio Dias/Tribuna Impressa

A estudante Flaviana Barbosa, de 27 anos, disse ontem, em entrevista à Tribuna Impressa de Araraquara, por telefone, que não tem qualquer tipo de notícia sobre o motorista que a atropelou e a arrastou por quase um quilômetro há mais de dois meses. Ela ainda está abalada com o acidente e não deixa ser fotografada. No entanto, a jovem se mostra animada com a recuperação e avisa que não tem lembranças sobre a tragédia e nem sente qualquer tipo de raiva do motorista.

“Não o conheço [motorista] e nem quero saber quem é. Sinceramente, não tenho raiva dele. Não tenho nem um pingo de raiva e nem desejo mal. Juro do fundo do meu coração, mas não quero ver foto nem saber quem é”, diz a jovem. Ela conta que está se recuperando bem. “Eu não estou 100%, mas estou me recuperando bem. Não sinto mais dor e a dor na cabeça que me incomodava no hospital passou quando eu vim para casa.”

Em 26 de setembro, quando saía para dar um passeio com o namorado, de moto, Flaviana e o jovem foram atingidos por um motorista de 26 anos, que a derrubou e, sem perceber, a arrastou por quase um quilômetro. A jovem ficou inconsciente e perdeu partes do corpo como seio e o couro cabeludo. Internada em Ribeirão Preto, ela teve alta na última semana.

A jovem, cujo caso ganhou repercussão nacional, revela não ter nenhuma lembrança do dia do acidente. “Não lembro de nada. Lembro só de sair de casa e dar uma volta com o meu noivo. Depois disso, tudo se apagou. Só lembro de acordar em Ribeirão Preto”, frisa a jovem, citando o dia que saiu do coma induzido. “Quando eu acordei é que foram me avisar que eu tinha sido atropelada e estava internada em Ribeirão. Só que até hoje não lembro nada do acidente.”

Flaviana preferiu não ler notícias e nem ver imagens relacionadas ao caso. Ela tem conhecimento da repercussão do acidente pelos comentários de pais e amigos. Agora, segundo a estudante, que está completando o curso superior de Administração de Empresas, a partir de 2009, a meta é reconstruir as partes do corpo destruídas com o acidente. “Aos poucos eu vou ter que voltar para o hospital para ir melhorando, mas só de estar consciente é uma boa.”

Conseqüências

Ela chegou a ficar 47 dias em coma induzido e passou por uma série de cirurgias. Abalada, Flaviana não aceita ser vista. Ela passa o dia deitada e, ainda sob o efeito dos medicamentos, segundos os familiares, está fraca e dorme muito. “Ela ainda está sofrendo muito. Algumas vezes fica calada e chora. Estamos respeitando e deixando-a se adaptar”, diz o pai João Batista Barbosa Neto, 63. Flaviana não perguntou aos pais sobre o motorista que a atropelou e nem relatou detalhes sobre o dia do acidente. Sem falar muito, segundo Barbosa Neto, a jovem teria apenas comentando que não se lembra de ter sido arrastada e tem poucas memórias do dia.

O pai conta que Flaviana ainda passará por uma série de cirurgias plásticas para reconstruir parte do corpo perdida no acidente. Ela fará operação na cabeça, rosto, peito e pernas. Os médicos a estão consultando em casa.

Esta semana, a Justiça ouviu as testemunhas de defesa do motorista no processo de tentativa de homicídio. Os depoimentos da acusação já ocorreram. O jovem de 26 anos acusado de arrastar Flaviana deve ser ouvido em janeiro. O laudo de dosagem alcoólica mostrou que o jovem estava alcoolizado e, segundo o documento, não tinha condições de dirigir. Na ocasião, ele admitiu ter tomado três latas de cerveja. O homem segue preso na Penitenciária de Araraquara.
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