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quinta, 24 de maio de 2018
Região

Poluição mata 94 e deixa 206 internados em apenas um ano em Araraquara

Pesquisa coloca Araraquara em quarto lugar entre as cidades com ar mais poluído no Estado.

25 Set 2013 - 13h50Por Araraquara.com
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Araraquara ficou na quarta posição em ranking que aponta as cidades com o ar mais poluído no Estado, à frente de municípios como São Paulo, por exemplo. E os dados, comprovados em pesquisa, revelam uma consequência aterradora: as pessoas estão morrendo por causa da poluição. 

Por conta dos efeitos da fumaça tóxica produzida por veículos, queimadas e pelas indústrias, 94 pessoas morreram na cidade em 2011. Além disso, mais 206 foram internados com câncer de pulmão ou problemas respiratórios e cardiovasculares neste mesmo ano. Foram gastos ainda R$ 445.645 na rede pública de saúde com as internações.

Os dados são os mais atuais. O levantamento foi feito pela Organização da Sociedade Civil de Interesse Público Saúde e Sustentabilidade, de São Paulo. Os pesquisadores utilizaram números que a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) entrega às universidades.

Pior que São Paulo

No maior período de 2011, Araraquara ficou à frente da Capital, com índice de 90μg/m³ de material particulado (MP) em suspensão no ar - praticamente uma poeira fina, que é capaz de penetrar profundamente no sistema respiratório.

Como o padrão é de 25μg/m³ em 24 horas, cada araraquarense respirou quase quatro vezes o valor considerado seguro para aquele dia. "Essa emissão absurda de poluentes geralmente prejudica os idosos, as crianças e as pessoas que já têm alguma doença cardiovascular", explica Evangelina Araújo Vormittag, médica e presidente do instituto que fez a pesquisa.

Pior que o trânsito

Em todo o Estado de São Paulo, entre 2006 e 2011, 99.084 pessoas morreram em decorrência da poluição no ar. Só em 2011 foram 17.443, mais do que o número que pessoas que morreram em acidentes de trânsito - 7.867 - no mesmo período. Em 2011, 68.499 pessoas foram internadas por conta da poluição. Os dados foram exibidos na noite desta segunda-feira na Câmara Municipal de São Paulo.

Prefeitura e Cetesb dizem desconhecer pesquisa

Procurados pela reportagem da Tribuna Impressa na tarde de ontem, a Prefeitura de Araraquara e a Cetesb disseram desconhecer o levantamento feito pelo instituto de São Paulo e informaram que não vão se pronunciar sobre os dados. A assessoria de imprensa da Cetesb afirmou que desconhece a metodologia usada e que não colaborou com os pesquisadores.

O secretário de Meio Ambiente do município, José Antonio Delle Piagge, acredita, porém, que as queimadas contribuem para a maior parte da poluição do ar de Araraquara. "Em setembro, foram 72 ocorrências. Com o tempo seco, o mato pega fogo rápido e acreditamos que a maioria dos casos sejam criminosos", afirma ele. 

Para tentar diminuir as queimadas, a secretaria fará panfletos informativos. "No ano que vem, nesta mesma época, vamos nos unir com a Secretaria de Educação, a Defesa Civil e os bombeiros. Outra dica é que os proprietários de terrenos misturem a terra com mato, assim o fogo não se alastra", finaliza. De janeiro até ontem, foram 196 multas por queimadas.

Em relação aos veículos, o coordenador de Mobilidade Urbana e vice-prefeito Coca Ferraz adiantou que os veículos pesados, como caminhões, podem ser proibidos de circular no Centro em horário comercial futuramente. "Reconhecemos que o trânsito está congestionado e estamos fazendo um projeto para resolver isso. Quando for o momento, vamos falar com a comunidade", afirma.

Instituto quer alertar Poder Público

Segundo Evangelina, o material particulado, que é a poeira fina, está em todo lugar. "Até uma construção civil joga essas partículas no ar, por exemplo. O que queremos é que o poder público tome uma atitude para mudar o padrão de vida e reduza os dados causados pela poluição", diz.

Para fazer o levantamento, os pesquisadores usaram dados da Cetesb e do DataSus, que é a base de dados do Sistema Único de Saúde (SUS). "Do jeito que os dados são divulgados normalmente, parece que o ar não é poluído. Eles usam em padrões diferentes, formatos técnicos e esse problema passa despercebido", avalia.

O instituto é a favor da criação de políticas públicas para conter o crescimento dos emissores de poluentes. "Pessoas ficam doentes e morrem por causa disso. Queremos divulgar esses dados para que haja uma mudança. Saber do problema e ficar parado é continuar na zona de conforto", ressalta.

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