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06/12/2016 - 09h47   |   Atualizado em 06/12/2016 - 09h49
(*) David C. Fugazza

Cocada, o profissional por trás dos heróis da Chapeconse

No ano de 2011, chegava ao time do São Carlos Futebol Clube novos jogadores, nova comissão técnica e também novo roupeiro, que atendia pelo apelido de Cocada.

Durante a campanha vitoriosa desse ano, conheci esse humilde profissional, que me ensinou muitas coisas sobre o esporte e me contou muitas curiosidades sobre os bastidores.

Como esquecer? Toda vez que eu chegava no estádio, ele me chamava de Muchacho e logo vinha me contar as novidades da equipe.

Curioso com esse universo paralelo, resolvi escrever uma matéria sobre ele e sua profissão.

Cuidadoso, criativo, divertido e com um sonho, integrar a seleção brasileira, Cocada conquistou amigos por onde passou.

Aliás, o futebol é rodeado pelas mais diversas profissões, algumas são recheadas de glamour, exposição e bons salários, outras, não menos importantes, são mais discretas e, muitas vezes, desconhecidas da grande massa.

Apesar da ampla cobertura da mídia, sobre o acidente com o avião da Chape, vi poucos jornalistas que falaram dos heróis que estavam por trás dos jogadores. E o Cocada estava entre eles.

Por isso, reproduzo a matéria que fiz no dia 29/01/2011, pelo jornal A Folha, como uma forma de homenagear esse profissional, que amava o que fazia e com certeza fazia o melhor.

Salve salve, eterno Muchacho!

Novo roupeiro do São Carlos fala um pouco sobre a profissão

A equipe do São Carlos Futebol Clube faz sua estreia no Campeonato Paulista amanha (30), para isso, a diretoria contratou novo técnico, novo preparador físico e novos jogadores. O que poucas pessoas sabem é que foi contratado também um novo roupeiro, profissão essa pouco conhecida.

Anderson Donizete Lucas, mais conhecido como Cocada, por causa do personagem da Praça é Nossa, chegou à cidade no começo desse ano. Natural de Lenções Paulista, Cocada trabalha como roupeiro desde o ano de 93.

"Eu sempre ficava com os jogadores quando era criança, passava o dia com eles. Depois de um tempo surgiu a oportunidade de trabalhar nos juniores e com isso, fui aprendendo", falou.

 Depois dessa experiência no Clube Atlético Lençoense, o roupeiro pegou gosto pela profissão e trabalhou em diversos clubes do Brasil, antes de chegar ao São Carlos.

"Atuei no Noroeste, Olímpia, XV de Jaú, Paraguaçuense, Brusque de Santa Catarina, Roma no Paraná, o Rio Preto, o Votoraty e agora o São Carlos", completou Cocada que garantiu que é uma profissão muito difícil.

"Essa atividade exige muita responsabilidade, pois acabo sendo responsável pelo material de mais de 30 pessoas, se esquecer uma chuteira, uma bola ou o uniforme é um grande problema, mas qualquer pessoa que tem um pouco de organização consegue exercer", falou Cocada.

A rotina desse profissional é bastante complexa, quando a equipe faz dois treinos por dia, Cocada chega no estádio ás 6hs da manha e vai embora as 21hs. Ele organiza o material de todos os jogadores, engraxa chuteiras, lava bola, enrola atadura e deixa a roupa de treino para cada jogador. No final, ele tem que recolher as roupas e levar para lavanderia.

Em dia de jogos, o roupeiro chega ao estádio quatro horas antes do inicio da partida para deixar tudo pronto para o jogador só chegar e se trocar.

O maior sonho de Cocada é trabalhar em um clube considerado grande e na seleção brasileira.

"Pode ser que seja difícil, mas eu tenho trabalhado bastante para isso", completou.

Segundo o roupeiro do São Carlos, alguns companheiros de profissão que trabalham nesses times grandes ganham em média R$12 mil por mês, fora bicho e premiação.

Com tantos anos de trabalho na área, Cocada colecionou muita camisa, mas desfez dessa coleção por uma causa maior.

"Eu tinha uma média de 40 camisetas, mas parei para analisar que enquanto eu guardava as camisas muitas pessoas não tinham o que vestir, ai eu resolvi doar todas", completou o roupeiro que procura sempre estar inovando.

Na Águia, Cocada resolveu mudar, revelou a foto de cada jogador e nos dias de jogo ele coloca o material de cada um junto à foto, para não ter troca.

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