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quinta, 24 de janeiro de 2019
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MEMÓRIA SÃO-CARLENSE: A tradição do Mercado Municipal

08 Set 2017 - 05h05Por (*) Cirilo Braga
Foto: Arquivo Pessoal - Foto: Arquivo Pessoal -

O Mercado Municipal e suas redondezas traduzem o espírito da cidade, construída pelo esforço de muitos povos. Ponto de convergência e passagem obrigatória dos que caminham de norte a sul entre as três colinas de São Carlos (desde os tempos de São Carlos do Pinhal), ali a cidade é o que sempre foi: interiorana, genuína, e tão especial que sob o asfalto se escondem os paralelepípedos e marcas dos trilhos de bondes.

Em 1968 o então prefeito Antonio Massei (que dá nome ao local) comandou a construção do "Novo Mercado". Naquela área, porém, às margens do córrego Gregório, a venda de produtos hortifrutigrangeiros data dos primórdios da história local, quando a Avenida São Carlos ainda era conhecida como "Rua da Ponte".

O Código de Posturas de 1873 obrigava os vendedores de alimentos a estacionar carros e cargueiros no largo da ponte. Só depois de três horas de venda no varejo era permitido comercializar no atacado. Havia multas pesadas para infratores e também para quem comprasse produtos vendidos por escravos.

Trinta anos mais tarde, em 1º de janeiro de 1903, surgiu o Mercado Municipal, construído pelo mestre de obras italiano Francesco Daddamio, ao lado da ponte, em terreno que fazia parte da Chácara do Brejo, de propriedade de Jesuíno de Arruda. Em 1906 o Mercado ganhou um segundo pavilhão para a venda de hortaliças.

SANTOS DUMONT

A Fundação Pró-Memória documenta que em 1929 houve o ajardinamento da bela Praça Santos Dumont e que em 1965 o Mercado deixou de funcionar, sendo o prédio demolido três anos depois. No local foi construída a Praça do Mercado, na administração do prefeito Antonio Massei.

O novo prédio - inaugurado em 21 de abril de 1968 - foi construído pela Construtora Alvear S.A. de São Paulo ao lado do anterior, na antiga praça Santos Dumont. Uma das novidades era a passagem subterrânea entre o mercado e a Praça dos Voluntários, por baixo da avenida São Carlos.

Atualmente o Mercado Municipal é dividido em lotes com variedades de lojas que oferecem desde produtos alimentícios até vestuário, além de possuir comércio alternativo interno e externo pela rua Jesuíno de Arruda e avenida São Carlos.

Defronte a ele está a Praça Maria Aparecida Resitano, que recebeu essa denominação pela Lei Municipal No. 13.240, de 2003, em homenagem à tradicional comerciante, que era conhecida como "Cida do Mercado".

PICCOLA CALÁBRIA

Ao longo dos anos o "Mercadão" encravado na região por muitos anos conhecida como "Piccola Calábria" (pela concentração de moradores e comerciantes oriundos do sul da Itália), se tornou uma referência geográfica e um ponto de encontro dos são-carlenses, estrategicamente instalado ao lado da praça dos Voluntários e à margem do córrego do Gregório, como se dividisse a cidade em duas partes.

O aroma da região por muito tempo foi o das torrefadoras de café localizadas na região. Ao entrar no mercado, outras fragrâncias tomavam e tomam conta do ambiente. Onde comprar fumo de corda, especiarias, frutas e queijo fresco e aquele pescado?

Se muito da poesia do local ficou no passado, a simplicidade sempre foi a nota marcante na história do Mercadão e da baixada.

Tudo ali traz a ideia de simplicidade, porque em se tratando de uma cidade, o charme e a sofisticação estão exatamente na capacidade de cultivar o que é simples, tradicional. Há, ou pelo menos deve haver, algo de peculiar em cada ponto.

Tire uma coisa, coloque outra; veja uma foto de antigamente e outra de hoje, ou faça uma projeção de como será no futuro e uma certeza persiste: ali de fato pulsa o coração da cidade. Ainda que a maioria das pessoas hoje esteja morando em conjuntos habitacionais ou em condomínios e edifícios, haverá sempre um motivo para passar por aquele trecho.

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