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segunda, 18 de junho de 2018
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QUALIDADE DE VIDA: Infarto agudo do miocárdio

28 Fev 2018 - 04h57Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

O infarto agudo do miocárdio é a síndrome clínica resultante da necrose isquêmica do miocárdio, resultante da obstrução ao fluxo coronariano, transitória ou permanentemente. A maioria dos infartos do miocárdio é ocasionada pela trombose de uma artéria coronária sobre uma placa ateromatosa. Abaixo de um determinado nível de fluxo sangüíneo para a musculatura cardíaca, surge um quadro isquêmico; quando esta isquemia se prolonga, danos irreversíveis ocorrem, configurando uma área de infarto na musculatura do miocárdio.

Existem dois tipos de infarto do miocárdio. O tipo mais comum é o infarto transmural, no qual a necrose isquêmica envolve a totalidade ou quase-totalidade da espessura da parede ventricular no trajeto de uma única parede coronária. Este padrão de infarto está usualmente associado a aterosclerose coronária e ruptura de placa. Já o infarto subendocárdio (não transmural) consiste em uma área de necrose isquêmica limitada ao terço interno, ou, no máximo, metade da parede ventricular, estendendo-se, com freqüência, lateralmente, além do território de perfusão de uma artéria coronária. A zona subendocárdica é normalmente a região menos bem perfurada do miocárdio e, por conseguinte, a mais vulnerável a qualquer redução do fluxo coronariano. Na grande maioria dos infartos subendocárdicos, existe aterosclerose coronariana estenosante difusa e redução global do fluxo coronariano, mas sem ruptura da placa, nem trombose superposta. No entanto, os dois tipos de infarto estão intimamente relacionados, pois, em modelos experimentais e provavelmente nos seres humanos, o infarto transmural começa como uma zona de necrose subendocárdica.

O infarto agudo do miocárdio é a principal causa de morte nos países industrializados. Das mortes conseqüentes a um infarto, a maior parte é rápida, na primeira hora, em geral por uma arritmia severa chamada de Fibrilação ventricular. Nos Estados Unidos, cerca de 25% das mortes são devidas a este problema, o que dá um número absoluto em torno de um milhão e quinhentas mil pessoas a cada ano. Um em cada 25 pacientes que tem alta hospitalar morre no primeiro ano pós infarto.

Os homens são mais susceptíveis que as mulheres, sendo que aos 50 anos o homem tem 5 vezes mais chance de ter infarto que a mulher da mesma idade. Acredita-se que as mulheres tenham um efeito "protetor" devido à produção de hormônio (estrógeno), sendo que após a menopausa, devido à falta de produção desse hormônio, a incidência de infarto na mulher aumenta consideravelmente.

Contudo a incidência em mulheres tem aumentado muito devido às atribuições e os hábitos da vida moderna.

O IAM é resultante da ruptura de uma placa aterosclerótica, desencadeando um processo em cascata, o qual reduz de forma crítica o fluxo sanguíneo na artéria coronária por espasmo coronário ou formação de trombo. Esta placa aterosclerótica é susceptível a fatores externos e ao estresse mediado pelo aumento do tônus do sistema nervoso simpático e à redução das influencias do parassimpático, resultando na elevação da pressão arterial sistêmico, aumento das forças de tensão da placa, aumento da freqüência cardíaca, aumento da agregação plaquetária e aumento da viscosidade sanguínea. A falta de circulação causada pela obstrução pela placa impede a chegada de nutrientes e de oxigênio ao território arterial adjacente. A isquemia determina redução imediata e progressiva da contratilidade do miocárdio. A dinâmica da movimentação normal de íons, em especial potássio, cálcio e sódio, começa a se alterar. Isto gera uma instabilidade elétrica. Como o ritmo cardíaco depende deste fluxo de íons e elétrons, podem ocorrer arritmias já precocemente no infarto. A morte nesta fase do infarto não costuma ocorrer por que não existe força nos músculos, mas por que os músculos perdem a capacidade de trabalhar coordenados, tornando-se ineficientes.

Fatores de risco  

O sintoma mais importante do Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) é a dor ou desconforto intenso atrás do osso esterno (retroesternal) que é muitas vezes referido como aperto, opressão, peso ou queimação e pode irradiar para pescoço, mandíbula, membro superior esquerdo e dorso. Atipicamente pode-se sentir dores abdominais, são confundidas com dores de estomago, ulceras. Freqüentemente esses sintomas são acompanhados por náuseas, vômitos, sudorese, palidez e sensação de morte iminente.

É possível a ocorrência de IAM sem dor. Este é o chamado infarto silencioso. Um infarto silencioso só será identificado na fase aguda se, por coincidência, um eletrocardiograma ou uma dosagem de enzimas cardíacas for feita enquanto ele ocorre. Os achados dependerão da extensão do infarto. Na maioria das vezes os pacientes apresentam-se desconfortáveis, ansiosos, com sinais de liberação adrenérgica.

O diagnóstico é feito pela análise dos sintomas, histórico de doenças pessoais e de familiares, e pelos resultados de exames solicitados.

Eletrocardiograma (ECG): na presença de um infarto, geralmente há alterações no eletrocardiograma que o identifica. Este exame pode mostrar também a presença de arritmias cardíacas causadas pelo próprio infarto.

O eletrocardiograma é o método diagnóstico mais utilizado na avaliação inicial das dores precordiais.

O registro eletrocardiográfico não somente pode estabelecer a relação entre sintoma clínico e diagnóstico das síndromes coronarianas agudas, como também prover informações relevantes para a melhor opção terapêutica e a estratificação prognóstica do paciente.

A localização do infarto: no eletrocardiograma pode adiantar uma série de dados: um infarto anterior extenso costuma ter uma maior perda de músculo cardíaco e, portanto um pior prognóstico.

Extensão do infarto: no seguimento eletrocardiográfico evolutivo de um paciente infartado, o aparecimento progressivo de vetores de necrose, lesão e isquemia nas áreas adjacentes à região infartada é diagnóstico de extensão do infarto.

Apesar do seu valor diagnóstico, em aproximadamente 30% dos casos o eletrocardiograma é de difícil interpretação, impedindo uma conclusão definitiva. Pela importância de suas informações, o eletrocardiograma deve ser feito no 1º, 2º, 3º e 7º dia do infarto. Posteriormente o acompanhamento eletrocardiográfico será semanal, até a alta.

Dosagem de enzimas cardíacas: quando as células do músculo cardíaco começam a morrer, há a liberação de uma grande quantidade de enzimas cardíacas na circulação sanguínea. Por isso faz-se a dosagem dessas enzimas para diagnosticar o infarto. Muitas fezes são feitas várias dosagens no decorrer do dia para melhor avaliação e diagnóstico. As enzimas mais pesquisadas são a Troponina, CK-Total, CK-MB, Mioglobina TGO (semelhante à CK-MB) e LDH.

Angiografia coronariana: consiste na passagem de um cateter através de um vaso sanguíneo (cateterismo), que visa mapear e estudar a circulação coronariana do coração. Caso este procedimento identifique uma obstrução coronariana, pode se feita uma angioplastia no mesmo momento para desobstruir a coronária e restaurar o fluxo sanguíneo normal para o coração. Algumas vezes, durante a angioplastia, pode ser necessária a colocação de um "stent" (um pequeno tubo em forma de mola) para manter a artéria coronária aberta e desobstruída.

O tratamento do infarto do miocárdio se baseia na desobstrução da artéria coronária, que deve ser efetivada do modo mais precoce possível, de modo a se tentar reduzir a lesão do músculo do coração. As opções para que se atinja esse objetivo são os agentes trombolíticos, que são medicações usadas para remover os trombos que estão interrompendo a chegada de sangue ao coração, e a angioplastia coronária, realizada através de cateterismo cardíaco, que possibilita a desobstrução do vaso por meio do uso de balões e pequenas molas chamadas "stents".

 Também são rotineiramente usadas medicações para alívio da dor, sedativos, Aspirina, oxigênio e, quando necessárias, medicações para estabilização da pressão arterial e controle de arritmias.

Após qualquer um desses procedimentos, o tratamento é continuado com medicamentos e mudanças no hábito de vida. Praticar exercícios físicos, regularizar a alimentação com apoio de um nutricionista, parar de fumar, regular os fatores de risco em casa e ir ao cardiologista conforme freqüência solicitada pelo mesmo são medidas a ser tomadas por uma pessoa que sofreu um infarto.

A fisioterapia que atua após o infarto agudo do miocárdio é a Fisioterapia em Reabilitação Cardíaca. O fisioterapeuta analisa as limitações do paciente baseando-se na avaliação do cardiologista e a partir disso, desenvolve o plano de tratamento.

Os objetivos dos exercícios aplicados pelo profissional é a melhora da capacidade de mobilidade e da condição física, social e mental, para que o paciente seja capaz de retornar às atividades diárias.

Fisioterapia Respiratória auxilia na prevenção e no tratamento de complicações pós-operatórias como: retenção de secreção, atelectasia e pneumonia. São feitos exercícios ventilatórios que consistem em adequar os tempos inspiratórios e expiratórios, além disso, essa orientação ensina o paciente a utilizar corretamente a musculatura ventilatória.

A fisioterapia tem sido considerada um componente fundamental na reabilitação de pacientes cirúrgicos cardiovasculares com o intuito de melhorar o condicionamento cardiovascular e evitar ocorrências tromboembólicas e posturas antálgicas, oferecendo maior independência física e segurança para alta hospitalar e posterior recuperação das atividades de vida diária. 

As ações do profissional fisioterapeuta nos programas de reabilitação cardíaca concentram-se principalmente nos aspectos físicos da recuperação, "minimizando os efeitos da perda de condicionamento prejudicado pelo repouso no leito e intensificando o funcionamento cardiovascular e músculo-esquelético".

A avaliação, condução de exercícios respiratórios e assistidos ou ativos, deambulação supervisionada subida de escadas e outras, são algumas das atividades que devem ser realizadas pelo profissional fisioterapeuta, sempre de acordo com as condições do paciente. Outras funções importantes se destinam à orientação ao exercício, a automonitorização e a descrição das atividades para serem realizadas em casa, pelo paciente.

(*) O Autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia, atua em São Carlos. Dúvidas e Sugestões: paulinhok10@hotmail.com / Facebook Paulinho Rogério Gianlorenço.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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