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quarta, 17 de outubro de 2018
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Outubro Rosa e o papel da Psicologia no tratamento

08 Out 2018 - 06h59Por (*) Bianca Gianlorenço
Outubro Rosa e o papel da Psicologia no tratamento -

No mês de outubro, comemoramos o Outubro Rosa, destinado à ações com foco na prevenção e nos cuidados que se deve ter em relação ao câncer de mama. O objetivo destas ações, é promover a conscientização e a divulgação de informações reais e verdadeiras sobre este tipo de câncer. Alguns podem pensar que, é uma ação pequena para o tanto de pessoas que precisam ser alcançadas por tais informações, mas proporcionar o acesso da população em geral, mesmo que seja uma pequena parte, já é um grande avanço. É essencial que se discuta sobre o tema, porque mesmo com todos os dados que são publicados, muitas pessoas ainda acreditam, por exemplo, que somente as mulheres podem ter o câncer de mama, e muitos, ainda acreditam que se forem diagnosticados com câncer “morrerão vivendo”, portanto, um luto antecipatório que os leva a morrer ainda em vida.

Cada ano aumenta mais a adesão a este movimento dirigido à sociedade e, principalmente, às mulheres. O mesmo visa chamar atenção para a conscientização da realidade atual do câncer de mama e também sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

O câncer de mama, segundo o site do Instituto Oncoguia, é o tipo de câncer que mais acomete mulheres em todo o mundo.

O câncer de mama é uma doença extremamente temida por mulheres, dado que repercute intensamente em sua condição física, social e emocional. O diagnóstico é vivido tanto pela paciente quanto pela família como um momento de intensa angústia, onde a possibilidade de morte e mutilação fazem-se presentes de forma pregnante. Os sentimentos mais comuns apresentados pela mulher com câncer de mama são: raiva, tristeza, inquietação, ansiedade, angústia, medo e luto. Cada paciente vivencia de forma individual essa experiência, acerca de seu diagnóstico e dos aspectos psicossociais envolvidos nesse processo, podendo utilizar-se da negação, como perigoso mecanismo de defesa nesta circunstância.

A descoberta desta neoplasia pode abalar intensamente a identidade da mulher, uma vez que, a mama é um órgão que está relacionado à feminilidade, ao prazer, sensualidade, diferença de sexos, sexualidade, além de estar intensamente ligada à maternidade, já que é a fonte de alimento para o bebê.

Ao longo do processo da doença, desde o diagnóstico até o tratamento, as mulheres com câncer de mama sofrem muitas perdas significativas, e passarão por um longo e doloroso período de elaboração da situação. A mulher acometida por essa doença se depara com a aceitação e convivência de um corpo marcado por uma nova imagem, podendo manifestar assim, uma insatisfação, compreensível. Ocorrem alterações significativas em diversas esferas de sua vida, tais como: atividades sexuais, vida social e até, em alguns casos, vida laborativa.

Em primeiro lugar, é muito importante que se tenha o apoio dos familiares e dos amigos, a luta contra a doença não deve ser solitária. Entretanto, gostaria de chamar a atenção para, a importância da sensibilidade que é necessária ao lidar com um paciente com câncer. Sabemos que é difícil lidar com a dor e que, às vezes, não se tem noção do que falar no momento de sofrimento do outro, mas tenha a certeza de que nem sempre é necessário que se fale algo.

Estamos acostumados a falar, e não saber o que falar, nos incomoda. Somos ensinados a dizer o que pensamos, e a expressar nossos sentimentos verbalmente, mesmo aqueles que não precisam ser ditos para ser demonstrados (tristeza, solidariedade, empatia, amor, por exemplo). Diante de alguém numa situação de câncer tentamos, então, verbalizar o não verbalizável. Usamos frases motivacionais como “tudo vai ficar bem”, “eu conheço alguém que teve câncer, ficou bem e viveu muitos anos”, são declarações que não ajudam muito, e ainda podem aumentar a ansiedade do paciente, ou pior, dar a ideia de que a gravidade da doença, de sua dor e medo, estão sendo menosprezadas.

Ações como segurar as mãos, ouvir deixando que o outro desabafe, oferecer ajuda e companhia, estar presente, mesmo sem falar sobre o câncer, são formas de demonstrar ao outro o seu apoio, mas cuidado para não passar por cima da paciente, anulando sua capacidade de agir por si próprio nas atividades cotidianas. Se não souber o que dizer, se as palavras se perderem nas lágrimas ou ficarem presas em um nó na garganta, lembre-se, estar presente, não abandonar e demonstrar como a pessoa é especial para você é o suficiente. No caso de ter se tornado difícil ficar junto ao paciente por não saber lidar com a dor dele, busque ajuda, alguém que possa te ouvir, é necessário estar bem para poder ajudar o outro.

Além do acompanhamento médico, é essencial o acompanhamento psicológico, o espaço psicoterapêutico é um lugar seguro, tanto para os pacientes, quanto para a família, para falar dessas angústias e encontrar meios para lidar com a situação do adoecimento.

 O psicólogo, visa manter o bem-estar psicológico do paciente, identificando e compreendendo os fatores emocionais que intervêm na sua saúde. Outros objetivos do trabalho desse profissional são prevenir e reduzir os sintomas emocionais e físicos causados pelo câncer e seus tratamentos, levar o paciente a compreender o significado da experiência do adoecer, possibilitando assim re-significações desse processo.

Em sua atuação, o psicólogo deve estar atento também aos distúrbios psicopatológicos, como depressão e ansiedade graves. Sua prática é exercida em todas as etapas do tratamento, habilitando o paciente a confrontar-se com o diagnóstico e com as dificuldades dos tratamentos decorrentes, ajudando-o a desenvolver estratégias adaptativas para enfrentar as situações estressantes.

Os objetivos do trabalho do psicólogo serão alcançados na medida em que esse profissional, vai compreendendo o que está envolvido na queixa do paciente, buscando sempre uma visão ampla do que está se passando naquele momento não escolhido da vida dele. Num espaço de acolhimento e escuta o terapeuta deve sempre trabalhar com a realidade. Quanto mais informado o paciente estiver de sua doença, maior será a sua capacidade de enfrentar o adoecer e mais confiança terá na equipe. Pacientes bem informados, reagem melhor ao tratamento.

Para as mulheres, não se esqueçam de fazer mensalmente o autoexame. 

O objetivo fundamental do autoexame é fazer com que a mulher conheça detalhadamente as suas mamas, o que facilita a percepção de quaisquer alterações, tais como pequenos nódulos nas mamas e axilas, mudança de cor da pele, retrações, etc.

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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