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MEMÓRIA SÃO-CARLENSE: Em tempos românticos, rádios São Carlos e Progresso faziam o "derby" radiofônico

18 Ago 2017 - 05h20Por (*) Cirilo Braga
Foto: Arquivo Pessoal - Foto: Arquivo Pessoal -

O rádio é, desde sempre, uma homenagem à notícia e ao entretenimento. A sua matéria prima, tal qual a do nosso maior poeta, é o tempo presente. A vida presente.

As novas gerações, às voltas com a internet, precisam ser avisadas que aqui em São Carlos dois homens que viveram num passado já um tanto remoto foram os precursores da radiofonia na cidade. Foram eles Gisto Rossi e Leôncio Zambel.

Gisto, que viveu entre 1910 e 1991, era um idealista do rádio, desde o aspecto técnico da transmissão. Um são-carlense visionário, que ainda na juventude sonhou colocar no ar uma rádio. Sonhou acordado, com a certeza de que podia alcançá-lo.

E assim se fez. Um amigo dele, que ouviu sua voz ecoar numa tarde num pequeno aparelho, ali pelos lados da Vila Nery, ficou atônito. E na certa viu em Gisto, poderes sobrenaturais que ele naturalmente não possuía. O seu poder era o idealismo, que o moveu para empreender a rádio que leva o nome da cidade.

O resto da história, todo são-carlense já sabe. Inaugurada em 1940, a Rádio São Carlos AM, pioneira da cidade, a segunda mais antiga da região e sexta no Estado, viveu seu período áureo como uma metáfora da própria trajetória do rádio em nosso país.

SHOWS DE AUDITÓRIO

Os anos 1960 a encontraram produzindo memoráveis shows musicais em seu auditório, no local onde hoje funciona a sede da Embrapa, na rua 15 de Novembro.Quem viveu a época guarda a nostalgia de um tempo em que havia cabelos ao vento  e gente jovem reunida. Recorda-se das novelas de dona Yvonne Keppe Rossi. Dos cantores e músicos lançados no palco da rádio, como Jair Rodrigues.

Lembrar Gisto Rossi e a época de ouro da rádio é fazer pulsar a capacidade que São Carlos tem de ir além. É fazer brotar os frutos da ousadia que sempre moveu esta cidade.

O tempo passou na janela, o mundo deu muitas voltas, as notícias e os fatos hoje viajam muito mais depressa. Mas o rádio, tal qual idealizou o pioneiro, nunca perdeu o seu reinado. E se a ele se junta a fidelidade aos princípios daquele homem, o tempo passa a ser apenas um detalhe.

UMA RÁDIO CHAMADA PROGRESSO

Outro grande dos primórdios do rádio como empreendimento em São Carlos foi o "capitão" Leôncio Zambel, que chegou a exercer o cargo de prefeito municipal em 1951, sucedendo o então prefeito Luis Augusto de Oliveira (Luisão) que se elegera deputado. Era o prenúncio de uma década de novidades.

Zambel fez na ocasião uma coisa que precisaria ser refeita hoje: determinou a  numeração métrica da cidade, tendo apoio de empresas que fizeram as placas com o nome das ruas e da população, que fez as plaquetas com o número das casas.

Mas em 1958, o empresário - que presidiu a ACISC, Associação Comercial de São Carlos em 1941-47 e 1956-57, inaugurou a Rádio Progresso. Impossível não citar na trajetória desta rádio AM o "Informativo Progresso", apresentado pelo ator e radialista Vicente Camargo, levado ao ar no começo da noite.

A emissora, nascida na rua Episcopal, instalou-se na Rua Major José Ignácio (onde atualmente funciona o Cine São Carlos), depois na Avenida São Carlos, atual sede do jornal Primeira Página. Em 1978 foi criada a Rádio Progresso II FM, uma das pioneiras em frequência modulada na região.

Grandes radialistas passaram pelas emissoras que fizeram o "derby" são-carlense durante décadas, mas "o tempo rodou num instante". O advento da frequência modulada e dos grandes grupos de rádio, o império da TV e depois da internet instalarem a roda viva que "levou a roseira pra lá", como dizia a canção de Chico Buarque, apropriada para o universo das velhas emissoras AM. Mas vale o registro da memória de um tempo pra lá de especial.

Nas fotos, Gisto Rossi, Leôncio Zambel, sedes das emissoras, programas e alguns dos radialistas e que atuaram nas rádios.

? Esta seção tem enfoque na memória coletiva de São Carlos e disponibiliza espaço para relatos e fotos de fatos e locais da cidade em outros tempos. O material pode ser enviado para: memoriasaocarlense@gmail.com

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