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sábado, 17 de novembro de 2018
Dia a Dia no Divã

Manipulados e manipuladores

05 Nov 2018 - 07h00Por (*) Bianca Gianlorenço
Manipulados e manipuladores -

Parece um divertido jogo de poder. Não é.

Manipulação é abuso, cometido especialmente por aqueles que deveriam ser os últimos a cometerem: pais, irmãos, namorados, amigos e todas as demais pessoas importantes para o abusado.

A dinâmica é perniciosa, pois o manipulado está preso emocionalmente ao manipulador. O interessante nisso tudo é que algumas manipulações são tão elaboradas que o manipulado sequer percebe que está nesse emaranhado, e pensa ele próprio desejar aquilo que o manipulador deseja também. E acaso perceba provavelmente vai desculpabilizar o manipulador, porque um dos fatores mais importantes nessa arte é parecer ser boa pessoa. É muito tênue a linha entre uma pessoa que pede ajuda e uma que manipula o outro para obter retornos. Neste último caso, ela usa o próximo como um objeto, uma mercadoria, uma coisa, um recurso para aproveitar.

Não se deixem enganar. Manipuladores são egoístas, não se importam com o que você sente, ou com o que você quer. Sua função na vida deles é clara: objeto de manobra, meio para conseguir vantagens para si próprio. Manipuladores são sedutores, verdadeiros artistas na fala e na escrita.

O manipulador é craque em inverter o jogo: sabe culpar o outro por suas próprias ações e adora fazer-se de coitado. Isso soma dois bons instrumentos para sua prática: planta culpa e pena no interior do manipulado. Saibam que mentem, distorcem, criam versões e sabem o que estão fazendo.

Falta nesse indivíduo empatia. Alguns por perversidade, outros por ignorância e incapacidade de amar. E se seu esquema não funciona, usa seu grande trunfo: a chantagem emocional. Acusa o manipulado de ingrato, traidor, e ameaça romper a relação. E o papel que o manipulado exerce nessa dinâmica relaciona-se a sua dificuldade de dizer não, sua dificuldade em identificar seus próprios desejos e pensamentos, sua tendência à colocar o outro em primeiro lugar, sua busca por paz e harmonia, seu medo de rejeição e de solidão, sua baixa autoestima e invariavelmente sua disposição em levar o mundo nas costas.

Existem diferentes razões pelas quais um homem ou uma mulher é manipulador/a.

Preferem o caminho mais curto, as mentiras, as promessas que não cumprem, a chantagem, o suborno, etc. Pulam os procedimentos para alcançar o sucesso com facilidade. 

Abaixo estão algumas dicas que podem ajudá-lo a reconhecer um manipulador:

A mentira: 

Ele tem uma grande capacidade de mentir, é um especialista nisso. 

Ocultar coisas: 

Pode esconder informações pessoais, como seu número de telefone ou o endereço, ou desconversar ao ter que responder sobre suas ações, pensamentos, opiniões, etc. Por outro lado, querem saber tudo sobre você, de seus afetos à sua profissão. Os melhores podem conseguir que o outro confesse muito sem perceber.

A adulação:

Trata-se de uma das habilidades mais interessantes do manipulador. Ele sabe fazer isso muito bem. Descobre o que faz você se sentir especial para ganhar sua confiança. Não se deixe enganar por aqueles que adulam muito facilmente as pessoas sem conhecê-las, porque não será com motivos desinteressados.

A promessa: 

É uma das armas favoritas. Tenha cuidado, porque você pode acabar seriamente ferido psicologicamente por isso.

Faz você duvidar da sua própria sanidade:

Os manipuladores emocionais são mentirosos e extremamente talentosos. Insistem que não fizeram algo que você mesmo acabou de ver, afirmam que disseram algo que você sabe com certeza que nunca mencionaram.

O problema é que eles mentem com tanta habilidade que, no final, você começa a duvidar da sua própria sanidade. Insistir que todos os problemas são fruto de sua imaginação é uma especialidade dos manipuladores.

Em todas as relações pode haver manipulação, atentem-se aos sinais e fujam desse tipo de pessoa, pois com certeza saudável essa relação não será!

(*) A autora é graduada em Psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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