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segunda, 19 de novembro de 2018
Qualidade de Vida

L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo)

11 Jul 2018 - 04h35Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
L.E.R. (Lesão por Esforço Repetitivo) -

Denomina-se Lesão do Esforço Repetitivo ou simplesmente LER, a lesão causada pelo desempenho de atividade repetitiva e contínua, como tocar piano, dirigir caminhões, digitação, até outros mecanismos relacionados a algumas atividades de trabalho como vibração e postura inadequada em posição ergonomicamente incorreta, ocasionando em nosso corpo uma série de problemas que poderiam ser evitados, resultando no surgimento de patologias do sistema osteomuscular.

Essas lesões causadas pela posição incorreta de trabalho, acabam afetando principalmente a região de membro superior, abrangendo a área da cervical, cintura escapular, tendões, músculos, articulações do braço e punho, coluna, além dos nervos periféricos. A LER, instala-se lentamente no organismo humano e, muitas vezes, passa despercebida ao longo de toda uma vida de trabalho e quando é percebida já existe um severo comprometimento da área afetada.

Ao se pensar em LER apenas como alterações osteomusculares, alguns estudos evidenciam a grande relação dessas patologias associadas à ansiedade e depressão, estando ligada a situações onde o indivíduo apresente insatisfação pela atividade de trabalho, contribuindo para o aparecimento de patologias psicossomáticas, necessitando de um acompanhamento mais especializado e mais interdisciplinar para ser tratada. Devido ao grande número de estudos relacionados a LER, recomenda-se que cada patologia seja estudada individualmente, e não generalizadas dentro de um grupo onde não há especificidade estrutural para ser tratada, originando assim um diagnóstico vago, dificultando o tratamento Fisioterapêutico e Medicamentoso.

A digitação intensiva é uma das causas mais comuns da incidência da LER e é a que mais tem contribuído para o aumento do número de casos de doenças ocupacionais.

Não há nenhum teste específico para a confirmação das lesões por esforços repetitivos LER. Características clínicas da dor e rigidez em movimentos específicos e a natureza progressiva da doença muitas vezes são diagnósticas para LER.

O diagnóstico é mais um desafio, porque a dor nos músculos e articulações pode ser causada por outras doenças e lesões também, entre a lesão acidental que se manifesta como dor de início súbito na zona afetada, em vez de um difuso e uma condição dolorosa mais duradoura. Uma análise da área afetada, músculo ou articulação inchaço, vermelhidão e sensibilidade é referido várias vezes, pode haver fraqueza nos músculos afetados, o paciente fornece um histórico detalhado, dentro da história o paciente fornece pistas sobre a atividade que agrava e o que alivia a dor, podem revelar a posição e a duração do descanso para o músculo afetado que proporciona alívio da dor e os sintomas.

Na maioria das vezes, ao atender o paciente no consultório, por não conhecer seu ambiente de trabalho, o médico tem dificuldade em estabelecer o nexo causal das queixas que ouve, o especialista em Medicina do Trabalho é o profissional melhor capacitado para atender esse paciente, porque domina os meios para analisar as condições do ambiente de trabalho e de ergonomia, o modo como a pessoa desempenha suas atividades, a quantidade de horas dedicadas ao trabalho e ao repouso, a pressão que recebe de seu superior em relação à produtividade e o nível de angústia e ansiedade a que está exposta. Como pode se perceber é uma tarefa bastante complicada.

Os sintomas da LER são baseados na dor (Algias e Inflamações), formigamentos, na diminuição da amplitude de movimento, na fraqueza muscular, na incapacidade de realizar tais funções e incapacitando a pessoa acometida de desempenhar sua tarefas do dia a dia com isso diminuindo a qualidade de vida dos acometidos.

Os cuidados preventivos incluem modificações no posto de trabalho, fazendo com que seja adaptado ao colaborador, conforme análise ergonômica realizada previamente. O treino do gesto de trabalho e o ensino de técnicas podem facilitar a execução dos movimentos necessários para o trabalho.

O incentivo à prática de atividades físicas, de manter hábitos de vida saudável, a oferta de ginástica laboral, quick massage e outras técnicas que possam auxiliar o trabalhador a entender a importância de momentos de descontração para que o rendimento não seja afetado por conta do cansaço e do estresse. O incentivo ao estilo de vida saudável, com boa qualidade de sono, manutenção da saúde e bons hábitos alimentares e de atividade física, fazem toda a diferença quando relacionados à saúde do indivíduo em sua integridade.

As medidas preventivas destinadas a evitar a LER provém de estudos da adaptação ou ajustamento do meio ambiente (trabalho ou lazer) às características psico-fisiológicas ou particularidades do corpo humano.

As empresas devem ter aberturas para entender que a preocupação não deve se restringir apenas aos números relacionados à produção, mas também deve abranger cuidados com a saúde de seus colaboradores, afim de que eles tenham boa saúde para executar suas atividades de forma confortável e prazerosa, com isso a produção e a qualidade dos produtos serão sempre atingidas.

Medicamentos para Lesão por esforço repetitivo; uma lesão por esforço repetitivo pode ter diversas causas, de modo que o tratamento varia de acordo com o diagnóstico estabelecido pelo médico, somente um especialista capacitado pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique, não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula.

A fisioterapia como tratamento de grande parte desses pacientes com dor crônica envolve um conjunto de atitudes, é preciso compreender tudo o que expliquei até aqui. Depois, procuramos localizar a alteração anatômica que pode ter-se desenvolvido se do ponto de vista clínico tudo estiver normal, mas a dor persistir, devemos levantar como causas o estresse e a ansiedade, não é só a fisioterapia que funciona é preciso buscar a reabilitação do paciente como um todo, preconizar uma atividade física e, às vezes, uma terapia de apoio.

Os tratamentos podem incluir procedimentos como imobilização com órteses por tempo determinado, fisioterapia com recursos analgésicos (eletroterapia e cinesioterapia), utilização de medicação prescrita pelo médico e diminuição do esforço para a recuperação da estrutura afetada

É importante salientar que a patologia não gera incapacidade, mas sim diminuição de função, portanto conforme o tratamento vai sendo realizado, percebe-se grande melhora nos sintomas quando associados às alterações do ambiente de trabalho, e os casos em que não se tem melhora nos sintomas, que é um percentual muito pequeno, são resolvidos com intervenções cirúrgicas e com programa específico para reabilitação, trazendo ao indivíduo o retorno da funcionalidade e às atividades laborais.

O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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