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quarta, 21 de novembro de 2018
Qualidade de Vida

Fibromialgia Juvenil

13 Set 2018 - 07h00Por (*) Paulo Rogério Gianlorenço
Fibromialgia Juvenil -

O reconhecimento das doenças que se manifestam com dor na infância é importante no sentido de se tentar melhorar o desempenho e a qualidade de vida da criança, essa condição dolorosa destaca-se a fibromialgia que se manifesta com dor musculoesquelética difusa crônica sem acometimento inflamatório ou envolvimento articular, na infância a fibromialgia tem sido descrita desde 1985.

As manifestações da fibromialgia tendem a ter início na vida adulta, no entanto 25% dos pacientes referem apresentar sintomas dolorosos desde a infância. 

De fato, as queixas musculoesqueléticas são muito comuns na infância e adolescência. Em escolares a prevalência de dores musculoesqueléticas é de 1,2 a 7%, com idade média de 10 anos, o diagnóstico torna-se progressivamente mais freqüente com o aumento na faixa etária de 8 a 21 anos, ao se apresentar dores em alguma parte do corpo nos últimos três meses ocorre em 70% das crianças, ao menos uma vez por mês, em 32%, ao menos uma vez por semana, sendo mais rara a queixa de dor diária.

Apesar de não se saber o que causa a fibromialgia juvenil, diversos fatores estão envolvidos em suas manifestações, fazendo que a criança fique mais sensível frente a processos dolorosos, a esforços repetitivos, à artrite crônica, a situações estressantes como cirurgias ou traumas, processos infecciosos e distúrbios psicológicos.

Em ambulatórios de Reumatologia Pediátrica a freqüência de dores musculoesqueléticas pode chegar a 55% dos atendimentos. Um estudo realizado por um período de 8 anos, com 81 adolescentes atendidos ambulatorialmente, demonstrou que 50% destes apresentavam dores difusas e 50% dores localizadas, dos que apresentavam dores difusas, 81% dos casos preenchiam critérios para fibromialgia, sendo que 10% dos pacientes com dores localizadas evoluíram com queixas dolorosas difusas. 

A fibromialgia juvenil leva à incapacidade funcional da mesma forma que outras doenças reumatológicas da infância. A limitação causada pela fibromialgia é a função do ajuste psicológico e condicionamento físico da criança ou adolescente, bem como da sua capacidade em lidar com os sintomas dolorosos.

Quanto ao sexo, a fibromialgia juvenil é mais freqüente em meninas, em torno de 75% dos casos. Por outro lado, um estudo de 60 atendimentos consecutivos de adolescentes do sexo feminino em um ambulatório de Reumatologia demonstrou que 32% das pacientes preenchiam critérios para fibromialgia. 

Parentes de pacientes com fibromialgia apresentam mais freqüentemente piora da qualidade de vida, grande número de pontos dolorosos e o diagnóstico de fibromialgia estão presentes em 25% destes, considerar ainda que crianças com fibromialgia e seus pais apresentem maior freqüência de fadiga quando comparados a crianças com artrite reumatóide juvenil. 

O diagnóstico de fibromialgia baseia-se na pesquisa de pontos de dor de acordo com o que é padronizado pelo Colégio Americano de Reumatologia desde 1990, é necessária a presença de queixas dolorosas musculoesqueléticas difusas, na vigência de 11 dos 18 pontos padronizados, que são pesquisados por meio de digito pressão. O diagnóstico de fibromialgia não exclui a presença de outras doenças, como a artrite crônica juvenil, hipermobilidade ou a associação com o hipotireoidismo, tendo sido descritos casos em zonas endêmicas para a doença de Lyme, que é causada pela mordedura de carrapatos. 
A dificuldade em se avaliar as queixas dolorosas em crianças ocorre devido a certa disparidade entre as queixas da criança e o que é referido pelos pais, a credibilidade da informação obtida da criança. Portanto, a pesquisa dos pontos de dor deve ser feita de forma cautelosa e, às vezes, torna-se necessária mais de uma consulta, em intervalos de tempo de uma semana a um mês para a confirmação dos achados, quanto mais nova a criança, mais difícil se torna firmar o diagnóstico de fibromialgia. 

Assim como no adulto, na fibromialgia juvenil queixa de sono não restaurador, ansiedade, cefaléia, parestesias e sensação subjetiva de edema de extremidades estão presentes. Nos casos de síndrome da fadiga crônica descritos em crianças, quase 30% dos pacientes preenchem critérios para fibromialgia. 

Estratégias para lidar com os sintomas dolorosos têm se mostrado eficazes, como a terapia cognitiva, que promove relaxamento muscular, redução da dor, melhora do sono e do humor. 

Com base nos estudos sobre fibromialgia no adulto, exercícios aeróbicos de baixo impacto apresentam efeito benéfico, independente das outras modalidades terapêuticas empregadas. Poucos são os estudos quanto ao uso de medicamentos na fibromialgia juvenil.

A fisioterapia é muito importante para o tratamento da fibromialgia, pois ela consegue diminuir a dor, o cansaço, promover o relaxamento, melhorar a flexibilidade e a qualidade do sono destes indivíduos.

Alguns recursos fisioterapêuticos que ajudam a controlar os sintomas da fibromialgia são os aparelhos de eletroterapia como laser, ultrassom, TENS e biofeedback que podem ser utilizados para combater os pontos dolorosos da fibromialgia e melhorar a circulação local e Recursos fisioterapêuticos manuais como massagem, quiropraxia e exercícios de alongamentos, que ajudam a diminuir a dor, aumentam a mobilidade e a flexibilidade, combatem a fadiga e melhoram a qualidade do sono.

Quando a fisioterapia é utilizada em conjunto com a prática de exercícios de baixa intensidade como caminhar, fazer Pilates, nadar ou andar de bicicleta os resultados são ainda melhores.

Os exercícios melhoram o funcionamento cardiorrespiratório, produzem endorfinas, melhoram a qualidade do sono e fortalecem os músculos combatendo a fadiga e o cansaço.

(*) O autor é graduado em Fisioterapia pela Universidade Paulista Crefito-3/243875-f Especialista em Fisioterapia Geriátrica pela Universidade de São Carlos e Ortopedia. Atua em São Carlos.

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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