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domingo, 23 de setembro de 2018
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DIA A DIA NO DIVÃ: Saúde Mental em tempos de crise

05 Mar 2018 - 04h15Por (*) Bianca Gianlorenço
Foto: Divulgação - Foto: Divulgação -

Estamos vivendo em tempos de crise política, moral, social, institucional e econômica. Quando perdemos os referenciais, automaticamente perdemos "o chão" e consequentemente tememos.

Em 2015, devido à crise e a redução dos postos de trabalho, quase um milhão de famílias passaram das classes médias para as mais pobres. Hoje, só na região metropolitana de São Paulo são dois milhões de desempregados e este número tende a aumentar, segundo estimativas. Junto com o aumento do desemprego enfrentaremos a suas consequências à saúde mental dos trabalhadores, além dos efeitos negativos das outras características da crise em si.

O desemprego afeta a saúde mental de diversas formas, pois é marcada por sentimentos de insegurança, vulnerabilidade, é uma situação de descontinuidade profissional e impossibilidade de realização de planos futuros. Acarreta falta de confiança em si e nos outros, sentimentos de culpa e uma perspectiva pessimista de vida, que se soma à sensação de impotência face à própria condição.

A desesperança gerada pelo desemprego é um sentimento marcante, no qual não e svê possibilidade de melhora no futuro, não se consegue vislumbrar uma saída para a situação. A pessoa terá dificuldade em empenhar esforços em uma iniciativa, se não tem esperança de que tal projeto pode dar certo. Ademais, sentir que ficará nesta situação para sempre, pode gerar uma angústia profunda. Este sentimento é alimentado pela frustração da busca constante de trabalho, sem ter sucesso.

Este aspecto é tão forte que algumas pesquisas apontam que, a desesperança pode ter maior correlação com suicídio do que a depressão, que é bastante presente entre aqueles que cometem suicídio.

O desemprego se relaciona também com o isolamento social, propensão ao uso de álcool e drogas, sentimento de ineficácia, estresse, separação conjugal, contração de dívidas e outros aspectos negativos, que contribuem para a piora do quadro psíquico e social do indivíduo.

Além da saúde mental, a saúde física também tende a ser afetada pelas crises econômicas, políticas, etc. A vivência do estresse tende a reduzir a defesa imunológica; a perda de renda, acarreta a redução dos gastos com saúde, dificultando a realização de determinados tratamentos; a piora nas condições de vida tende a aumentar a transmissibilidade de doenças em alguns casos; além de também uma piora no serviço público devido a políticas de cortes nos gastos sociais. Aliás, piora no serviço público não é nenhuma novidade na nossa cidade, como não se estressar com o caos no transporte público? Você fica horas esperando um ônibus, simplesmente o transporte não chega, você tem que arrumar um jeito para chegar ao local de destino, e tudo bem? Se a pessoa conseguir chegar, como será o nível de estresse dela? Não vou nem citar o caos nos outros serviços presentes na nossa querida São Carlos, visivelmente abandonada!

A crise acarreta uma forte desestruturação na vida do sujeito, podendo levá-lo ao ato desesperado de suicídio.

O atendimento em saúde mental é tido como supérfluo e é alvo de cortes tanto no âmbito de investimento público quanto privado quando a crise financeira chega. E esse, era o momento em que o cuidado deveria ser intenso.

É notório o aumento do número de casos de pessoas estressadas ou com sinais e sintomas de transtornos de ansiedade, depressão e insônia durante a crise atual.

As pessoas sentem-se pressionadas e ilimitadas, tentando encontrar alternativas para lidar com todas essas questões.

Isso gera vários tipos de sensações e comportamentos.

Saúde mental não é luxo, é requisito básico para uma vida saudável!

(*) A autora é graduada em psicologia pela Universidade Paulista. CRP:06/113629, especialista em Psicologia Clínica Psicanalítica pela Universidade Salesianos de São Paulo e Psicanalista. Atua como psicóloga clínica. Sugestões: biagian@hotmail.com. Facebook: Bianca Gianlorenço. 

Esta coluna é uma peça de opinião e não necessariamente reflete a opinião do São Carlos Agora sobre o assunto.

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